terça-feira, 31 de julho de 2007

Review 'Clube da Luta'

Fight Club, 1999. De David Fincher [responsável por, entre outros filmes, Zodíaco, O Quarto do Pânico e Seven].

O filme é uma grata 'viagem' do início ao fim. Uma viagem que nos deixa a vontade de fazer parte dele, de ser também uma pessoa subversiva, que leva seu descontentamento e sua fúria contra o 'sistema' aos limites e consegue fazer parte de algo para se tornar menos letárgico.

Atuação perfeita do 'trio principal' do filme, por assim dizer, Edward Norton, Brad Pitt e Helena Bonham Carter. Entre aspas porque o filme vai muito além dos atores, assim como Trainspotting fizera antes, ele mostra que o seu interior é acomodado e permissivo. E planta uma idéia de revolução, que depende de cada hospedeiro para crescer ou não. Para ter entre os favoritos, sem dúvida!



Difícil escolher um trecho do filme, mas este é um bom deles. Abaixo, a transcrição:

"Man, I see in fight club the strongest and smartest men who've ever lived. I see all this potential, and I see squandering. God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off."

Tributo: café



Ao ler 1984, obra magnífica de George Orwell, muitas assombrações podem passar pela nossa mente. Entre tantas outras, uma específica me toma os pensamentos no momento. Claro, num mundo totalitário ao extremo onde apenas o Governo controla tudo o que acontece, é natural que não só o café, como qualquer alimento seja racionado e manipulado para ser servido à população como uma vasta lembrança do que fora este produto, mantendo apenas para poucos privilegiados o verdadeiro produto, o verdadeiro prazer.
A comparação com o livro para por aqui, outra hora haverá um comentário sobre ele.
Parando pra pensar, aqueles que gostam do café, evidentemente, é assombroso imaginar o líquido sem o prazer de degustá-lo.
Quente, frio, com sorvete, acompanhado ou não, com música ou não, incrementado ou não. É um prazer somente conhecido para aqueles que o apreciam, naturalmente. Quem não o gosta nunca saberá o prazer que é sentir as papilas saboreando o líquido, amargo ou não, e poder pensar apenas nisso.
Pode ser só invenção de um pseudo-escritor blasé e metido a cult, mas o café é algo inspirador. Ao meu gosto, puro, forte e com pouco açúcar. E no frio extremo, com canela e alguma bebida, conhaque de preferência. A mente viaja, imaginando som de piano, um bar com vista para a rua, pessoas conversando, boa companhia ao lado e muito café. Risadas, boas conversas. Um desvio da rotina, talvez.
Um líquido é capaz disso? Talvez sim, talvez não. O certo é que é um complemento, e um belo complemento. Faz querer viver melhor, aquece e abranda. Desde lugares gelados até os calorosos demais, será sempre boa pedida. Café é vida noir, boêmia e cult ao mesmo tempo.
[E pode-se tomar fazendo caretas sem ser mal-interpretado!]

Palavreado

Gosto da palavra “fornida”. É uma palavra que diz tudo o que quer dizer. Se você lê que uma mulher é “bem fornida”, sabe exatamente como ela é. Não gorda mas cheia, roliça, carnuda. E quente. Talvez seja a semelhança com “forno”. Talvez seja apenas o tipo de mente que eu tenho.

Não posso ver a palavra “lascívia” sem pensar numa mulher, não fornida mas magra e comprida. Lascívia, imperatriz de Cântaro, filha de Pundonor. Imagino-a atraindo todos os jovens do reino para a cama real, decapitando os incapazes pelo fracasso e os capazes pela ousadia.

Um dia chega a Cântaro um jovem trovador, Lipídio de Albornoz. Ele cruza a Ponte de Safena e entra na cidade montado no seu cavalo Escarcéu. Avista uma mulher vestindo uma bandalheira preta que lhe lança um olhar cheio de betume e cabriolé. Segue-a através dos becos de Cântaro até um sumário - uma espécie de jardim enclausurado -, onde ela deixa cair a bandalheira. É Lascívia. Ela sobe por um escrutínio, pequena escada estreita, e desaparece por uma porciúncula. Lipídio a segue. Vê-se num longo conluio que leva a uma prótese entreaberta. Ele entra. Lascívia está sentada num trunfo em frente ao seu pinochet, penteando-se. Lipídio, que sempre carrega consigo um fanfarrão (instrumento primitivo de sete cordas), começa a cantar uma balada. Lascívia bate palmas e chama:
- Cisterna! Vanglória!

São suas escravas que vêm prepará-la para os ritos do amor. Lipídio desfaz-se de suas roupas - o sátrapa, o lúmpen, os dois fátuos - até ficar só de reles. Dirige-se para a cama cantando uma antiga minarete. Lascívia diz:
- Cala-te, sândalo. Quero sentir o seu vespúcio junto ao meu passe-partout.

Atrás de uma cortina, Muxoxo, o algoz, prepara seu longo cadastro para cortar a cabeça do trovador.

A história só não acaba mal porque o cavalo de Lipídio, Escarcéu, espia pela janela na hora em que Muxoxo vai decapitar seu dono, no momento entregue aos sassafrás, e dá o alarme. Lipídio pula da cama, veste seu reles rapidamente e sai pela janela, onde Escarcéu o espera.

Lascívia manda levantarem a Ponte de Safena, mas tarde demais. Lipídio e Escarcéu já galopam por motins e valiums, longe da vingança de Lascívia.


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[Trecho extraído da crônica 'Palavreado', de Luis Fernando Veríssimo.]


comentário: crônica sensacional, estava procurando há tempos!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Acerca do tempo

Pra quem cresceu com a chamada Síndrome do Patinho Feio, é uma virada e tanto se descobrir no lado oposto. Nem Cisne, nem Patinho Feio. O processo, é verdade, é longo e caminha junto com o amadurecimento [se bem que este acho que nunca cessa], e pelo menos no caso desse humilde narrador, não foi forçado.
Fluiu com os anos, pós-colegial, faculdade, viagens da faculdade, estágio, grupos sociais, primeiro emprego, etc... E com as fases muitas mudanças de visual e de caráter. Forçadas ou não, mudanças são mudanças e são sempre para melhor. Caso contrário, era só voltar até a anterior, como se retorna um jogo salvo após morrer, e fazer o certo desta vez. E assim fui levando os meses.

Pois quando se pára pra pensar, não é que agora estou no olho do furacão?

Claro que não era só coisa da minha cabeça, coisas de adolescente. Era um todo, acho que todos passam um dia pela fase de 'rejeição', tentam ingressar em certos grupos sociais para ter aceitação, e assim conseguir um reconhecimento. No meu caso tudo foi mais difícil, sem fazer drama de Cinderela no porão, por motivos que não vou dizer agora.
Mas sempre havia mais expectativas sobre mim do que eu mesmo podia captar [e olha que inteligência é algo que se desenvolve plenamente apenas depois do colegial, tenho certeza disso!]

Pois então, depois de conseguir a aceitação o próximo passo seria o mais difícil. O de ser querido dentro do grupo. Ser aceito é uma coisa, qualquer um pode ser aceito em qualquer grupo, desde que saiba o que está fazendo e se sujeite a isso. Ser querido não, é algo mais profundo, que envolve X questões muito mais profundas e difíceis de se debater!
Já que a tal Síndrome do Patinho Feio era algo que sempre perseguia, não era nada fácil ser querido por um grupo, por alguém. E de tanto martelar isso acaba entrando na cabeça. E cresci, então, admirando ideais românticos da turma de Álvares de Azevedo, com seus ultra-romantismos exagerados [não é redundância do texto, eles eram demasiado exagerados mesmo nos seus delírios românticos] ou então das Novelas de Cavalaria, em que os heróis cavaleiros sempre tinham uma milady Guinevere para salvar.

Portanto, além das síndromes e das idéias 'embutidas' pelos comentários alheios, pesava também o fato de crescer acreditando em algo que de fato não existe, a não ser em delírios de poetas bêbados que não gostavam das suas aulas de Direito...
Realmente muita coisa para a pobre mente de um jovem confuso e magricelo. Ainda bem que essa era a fase de se perder por aí até descobrir de fato quem se é. E isso ainda demorou a ocorrer.

Pois bem, as únicas coisas certas na vida são que o tempo passa e a morte chega. E o tempo passou, naturalmente, oferecendo experiências completamente diferentes das vividas antes da 'maioridade', digamos assim. Foi a época de conhecer o máximo possível no menor tempo possível. E, de fato, deve ser por isso que a maioria dos jovens sente falta dessa exata fase assim que ela é superada.
E foi superada. Começaram a aparecer responsabilidades, com elas a esperança de ingressar num mundo novo de pessoas flertando sem se importar em serem mal-entendidas, trocas de números de celular e promessas de romance surgindo. Nesta fase, então, adentra-se à 'pós-adolescência', a vida pré-adulta. E para algumas pessoas o hiato entre uma fase e outra dura bastante tempo...

Já nesta fase as síndromes parecem não importar tanto. Afinal, quem não tenta 'não pontua', como se diz nessa idade. Experiências negativas aqui e ali, sofrimento causado e sofrido, aprende-se bastante. Infelizmente esse é o único meio.
A Síndrome do Patinho Feio começa a se transformar, internamente, na do Cisne que fora pato e que jamais quer voltar a sê-lo. Pois então ele investe em si próprio, no caso deste narrador, mais em auto-propaganda propriamente dita, e pensa que agora sim está pronto, que aprendeu de tudo.

Mas ora, quem acha que aprendeu de tudo é porque não viu nada ainda! E então seguem mais desastres, que impõem lições a serem aprendidas. O jeito é aprender para não repetir.
E o cisne que fora pato vai fazendo uso de suas asas. Adquire novos conhecimentos, agora não só em vivência como também em cultura. Deve ser normal da idade ou do amadurecimento fugir do comum para buscar o prazer em pequenas coisas. E aquilo que até 3 ou 4 anos antes era diversão agora se traduz em martírio! Por isso, então, jamais amaldiçoe algo, pode virar-se para você quando menos se espera.

Agora o cisne é pesado demais para voar, e suas responsabilidades pesam em suas costas, não lhe permitindo vôos longos. Já não era, por dentro, um cisne, muito menos um pato. Agora então, um pássaro?
Sim, aprendera a se desprender do peso, manipulando-o. Se as responsabilidades são pesadas demais, dá-se total atenção a elas, abdicando do resto. Se não, pode-se exercer o tempo vago para refletir e reavaliar os conceitos acerca de suas 'ex-síndromes'.
E o que vosso narrador fizera?

Bem, não mais pato, nem cisne, mas pássaro. E agora sem síndromes. Nada de achar que tudo antes fora inválido ou inverdade. Tudo fora um caminho para que hoje o pássaro se tornasse admirado, querido. De fato, conseguiu, em algumas doses.
Mas agora esse pássaro aprendeu a voar, tomou gosto pela coisa, e já não pertence a mais ninguém, apenas se pertence. E justamente agora que poderia tomar proveito dos benefícios que ser um querido pássaro proporcionam é que ele quer voar, ser livre, não estar amarrado nem [pelamor!] engaiolado. O pássaro agora quer apenas voar tranquilo e só, consciente dos seus erros e percalços e sabendo que é até cruel ignorar a natureza, que lhe ordena fazer o que é normal, procurar membros femininos da sua espécie.

Este pássaro aprendeu a se soltar das síndromes e dos rótulos, e quer apenas voar.


[Nota do E.]: Este texto explica o novo título do blog... Inteligente sim, pseudo-cult e esnobe talvez. Um tanto blasé... Pero no mucho!

domingo, 29 de julho de 2007

Mais 'Trainspotting'

Foi necessário, essa cena é brilhante... E podem confiar em mim, a trilha sonora do filme é fantástica, album duplo com direito a David Bowie, Lou Reed [que está nesse trecho abaixo], Iggy Pop, New Order... Enfim, o melhor dos 80's e 90's, como bem retrata o filme.

E pra amanhã prometo posts novos. Sabem como é, o frio...





[o personagem 'Renton', de Ewan McGregor tem uma overdose de heroína]

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Blasé?

Como sempre estou mudando, cambiando, algumas coisas... Uma delas é o título do blog. Era necessário. Francês é uma língua que eu adoro, naturalmente. Línguas latinas são lindas, tem boa sonoridade e até mesmo suas complexidades são interessantes. Só que o título anterior, tenho que admitir, estava muito blasé! E aliás, blasé é algo que me define... Não é a toa que nasci no dia da Queda da Bastilha, sou meio francês sim... Hahahah
Nariz um pouco empinado [sem ter motivo], com aversão a muitas coisas, isolado... Enfim, agora está mais correto. Pero no mucho!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Textos antigos: 'sem nome'

Time goes by, slowly
How slowly?
Like a big city
Like those people you'll never know
And you only care about in the news
But how many asks the same questions I do?
I believe that those sky can change
But what it mented, never will be forgotten
Could that orange thing far away from us
-but yet so close-
Change our lives?
Or that was supposed to happen anyway?
A little things that I can look at it now
And they mean much more than anything that went wrong

Now I can only remember the good things
Am I wrong or am I old?
Or still... Am I missing being missed?
I couldn't, and I wouldn't ask for anyone else
Like i won't ask for you again

Time goes by
And ours was that one
If I'm right then
It's not any wrong to feel that kind of feelings
It's only good thoughts about good times
And like I've never knew, but now I should say
Best time's are always now

If, and only if
We ever meet again, no matter when
I'll just want it
To look. Being looked
And then look again...
I'll be happy for everything back then


-
[escrito em Inglês pra dificultar o entendimento...]

terça-feira, 17 de julho de 2007

Era folha de papel...

Era inverno, era o presente
Era o futuro, era vislumbre
Eram os anos, eram os planos
Era o momento, era o acontecimento
Era o começo, era o fim
Era papel rasgado, era o papel picado
Era juntar os cacos, era colar as partes
Era apagar os traços, era reescrever os fatos
Era pegar uma folha nova
Era fazer do papel uma vida nova
Eram memórias, pra sempre serão.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Felicidade Hollywoodiana

É aquele tipo de felicidade nonsense, mas nonsense no sentido de não haver razão para tal. É o mocinho cantando e dançando na chuva porque a mocinha lhe deu um beijo de boa noite... É a formatura dos adolescentes achando que as coisas boas da vida apenas começaram [quando na verdade dali pra frente a coisa só tende a engrossar!]. É o torcedor de tal time pulando feito louco e pegando cervejas na geladeira pra comemorar a vitória do seu time, como se todo jogo fosse a final!

Enfim, é toda e qualquer felicidade desacompanhada de sentimento de culpa por estar feliz. Ou seja, a felicidade plena. [Deve ser por isso que foi inventada por ianques...]
Enquanto nos filmes europeus os personagens são andarilhos confusos, que têm em seus raros motivos para sorrir lembranças de coisas simples, a felicidade hollywoodiana é aquela de ganhar na lottery, atravessar de costa a costa num perfeito roadmovie por causa de uma garota [ou rapaz], com muitas confusões no caminho. Ou seja, a felicidade provinda de atos 'impossíveis', numa tentativa de lotar cinemas com uma bela história repleta de sentimentos mascarada pela 'vontade de inspirar as pessoas'.

Trocando em miúdos, particularmente prefiro a felicidade européia de ser. Primeiro porque tem muita 'latinidade' no jeito dos europeus demonstrarem sentimentos através do cinema. Segundo porque eles acertam nas coisas simples, e não nos efeitos especiais e atores consagrados...
E terceiro porque felicidade hollywoodiana sempre existiu e sempre existirá apenas em Hollywood.
[Graças a Deus...]


N.E.: agradecimentos à tal pessoa que me acendeu essa fagulha....

terça-feira, 10 de julho de 2007

Um rosto e três folhas de papel

Um rosto. Um caminho que eu percorria num sábado ensolarado [ou em qualquer dia de semana, mas estes mais corridos]. A espera pelo ônibus na avenida larga e feliz.
Em mim, várias expressões de esperança, felicidade, apreço. Os dias começavam frios e iam se acalorando, e eu ainda não tomava café a seco.
O sol, a calça dobrada até quase os joelhos, como era 'moda' se fazer na época. Tudo por um rosto, uma companhia, hoje mais do que nunca, uma lembrança.
Um telefonema, a expectativa. Vou correndo o quanto dá. O caminho já quase decorado, tudo familiar e agradável já a esta altura.
E então, fragmentos perdidos, jogados para eu mesmo fazer a ligação, no mundo em que o diretor sou eu.
No rosto um sorriso, na memória a lembrança dos corredores que pareciam mágicos, pois meu mundo mudara.
Algumas palavras, o rosto me fitando, e aparecem 3 folhas de papel. Não eram minhas, decerto. Não costumo fazer isso, mas me chamaram a atenção. Verei o que é.

3 sulfites azuis, a sua cor, dobradas ao meio. As pontas um pouco dobradas, talvez por causa do tempo em que elas estão ali. As abro... E no cabeçalho está meu nome.
E nas laterais meus vários e-mails [à época] e meu nome escrito em pé, deitado e de ponta-cabeça... E no corpo do texto alguns escritos perdidos, de um pra outro, de outro pra um. E mais anotações nas bordas. Sem dúvida, a sua letra.
E nas outras folhas, telefones, pequenos versos talvez, e dois nomes escritos. Eram, sem dúvida, os nossos.

Um rosto. Que não sai da cabeça porque talvez esteja mais fundo, em outro lugar. Um sorriso que não foi esquecido. Será que aqueles sonhos que trouxeram outrora a insônia voltaram?
Se for, desta vez não preciso mais não querer dormir. Vou me deixar sonhar...
Com a pretensão de quem já foi causa e efeito de outras confusões, sonhar que se lembre, ainda, de mim.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Barbarella

Como puderam perceber pelo post anterior eu agora vou postar também trechos e críticas de filmes que gosto... Agora vem Barbarella, que é uma mistura de ficção científica dos anos 60's, aventura e comédia com pitadas de erotismo, algo que era um enorme tabu à época, ainda mais tendo no papel principal uma atriz que era filha do lendário Henry Fonda, um ator que dificilmente errava na escolha dos seus papéis. E Jane Fonda acertou em cheio nesse filme. Está maravilhosa!


Confiram a cena inicial:

Trainspotting

"So why did I do it? I could offer a million answers - all false. The truth is that I'm a bad person. But, that's gonna change - I'm going to change. This is the last of that sort of thing. Now I'm cleaning up and I'm moving on, going straight and choosing life. I'm looking forward to it already. I'm gonna be just like you. The job, the family, the fucking big television. The washing machine, the car, the compact disc and electric tin opener, good health, low cholesterol, dental insurance, mortgage, starter home, leisure wear, luggage, three piece suite, DIY, game shows, junk food, children, walks in the park, nine to five, good at golf, washing the car, choice of sweaters, family Christmas, indexed pension, tax exemption, clearing gutters, getting by, looking ahead, the day you die."






Mais sobre o filme




[sensacional]

domingo, 1 de julho de 2007

A casa da Vila Granada...

Era uma casa bem-habitada. Não tinha riqueza, mas não importava. Ninguém podia reclamar não, porque fora construído um lar naquele terrenão. Ninguém podia deitar na rede, porque não havia ganchos na parede. Ao invés disso sempre havia ali o barulho do piano, sabiás cantando concorrendo com o bem-te-vi. Era repleta de fraternidade, construída com suor e empenho para a posteridade...

Um sobrado diferente, que ficava abaixo do nível da rua e ia descendo. E descendo mais, até encontrar a rua debaixo. No jardim enorme havia galinhas, pés de frutas, plantas e flores e até uma singela estufa. Lugar perfeito para os netos correrem, brincarem, se esfolarem e aprontarem durante anos.
Os almoços de domingo reuniam a família toda para comer o macarrão e as bracholas da Dona Amneris [com direito a molho branco pra quem não gostasse...] A cozinha era tão aconchegante que no processo de fazer o almoço se tornava um forno, e com a mesa posta todos corriam para se acomodar à mesa pequena para se deliciar. Os que não cabiam comiam com o prato na mão, ou então na escada. Isso pra não falar dos aniversários, quando o parabéns era cantado com as luzes apagadas e uma interminável e indecifrável cantoria que terminava com os risos de todos.
Os Natais eram sempre com aquela mesma árvore que não tinha folhas verdes mas era muito bem iluminada, e os presentes do amigo secreto forravam o chão ali perto. Toda reunião era uma festa, uma celebração.
E os anos se passaram, a casa eventualmente deixou de ser o local de reunião, depois voltou a ser, e finalmente se desvinculou da família. Mas a família continua aqui, e sempre irá continuar. Hoje, no dia da demolição do que é 'sólido', resta apenas o que é intangível, mas nos motiva a nos reunirmos sempre que possível. A casa da Vila Granada se foi, mas nos deixou a lição de que um lar nunca se desfaz se a família que o compõe é mais sólida que suas frágeis paredes.

Um salve para aqueles que do lado de lá sempre nos acompanham e nos guiam, independente de onde estivermos!

Reinventar [?] -parte 2

No anterior eu terminei falando sobre reorganização alimentar e hábitos de reciclagem. Agora vem a parte que eu mais gosto!
Quando se fala de 'moral' muita coisa vem à mente. Tentarei sintetizar pra não ficar amplo demais.
As propagandas hoje estão em um nível péssimo, horroroso e de muito mal gosto. Ou os publicitários perderam de vez o juízo ou então os bons se aposentaram e deram lugar a esta nova geração de pseudo-intelectuais formados em faculdades pagas [pelos pais], onde perambulavam mais pelos botecos do que nas aulas de Ética e principalmente de Língua Portuguesa. Eu tentei acumular as piores que tenho visto para comentar aqui, mas está difícil, visto que a cada dia [e sem exageros] aparece uma pior do que a anterior. Só pra citar top of mind, digo: a do novo Ford Fiesta [que numa pretensão enorme sentencia que pessoas diferenciadas têm que dirigir tal carro], a do VW Fox [que numa pretensão mais ridícula ainda diz que todo o mundo, veja bem, o mundo todo, tem que comprar seu carro porque assim o mundo será melhor], a maioria das propagandas de cerveja [que ainda insistem em atrelar a imagem do líquido a mulheres boazudas/siliconadas e pessoas que não existem. Outro dia, não sem quem foi, me disse que nunca viu essa gente de propaganda num boteco, só tem gente feia e bizarra. É evidente]. Enfim, pra resumir, as propagandas de hoje abusam da falta de ética e da imposição do consumo nas pessoas. E de fato conseguem, quase tão brilhantemente quanto as antigas mensagem subliminares da Coca-Cola nos cinemas no tempo em que não havia televisão...
A ética da Publicidade e das Companhias foi-se pras cucuias... E esse povo ainda tem a enorme cara de pau de pregar a 'liberdade de imprensa e expressão' perante o povo brasileiro. É tudo tão asqueroso que me dá alergia. E nojo, muito nojo dessas pessoas que manipulam as mentes fracas.
O que este parágrafo verborrágico quis dizer? Bem, quis dizer que ética hoje é algo em extinção, que não se transmite mais como valor familiar e por isso está fadada ao esquecimento ou asilo tão logo essa geração play-station se tornar adulta. Calafrios só de pensar que os adolescentes bitolados de hoje serão o 'futuro do Brasil'!
E é por isso que deixei pra falar sobre estes assuntos neste post. Porque conceitos morais estão extremamente ligados à transmissão do conhecimento para as gerações futuras. E isso não diz respeito apenas a familiares, pois professores são transmissores incansáveis de cultura e valores. Pena que estão cada vez mais esquecidos...
E cada vez mais mal-formados, cada vez mais desinteressados lá na faculdade, quando deviam aprender não só o conteúdo a se ensinar, como também a importância de transmitir bom comportamento e solidariedade aos alunos. E quero lembrar que felizmente ainda há exceções. Mas infelizmente poucas.
A isso se junta o 'nível dos alunos', que vai de mal a pior. Estão cada vez mais 'marginalizados' [os de escolas públicas] e cada vez mais mal educados pelos pais [os de colégio particular].
Tudo isso só contribui pra extinção de uma sociedade com interesses comuns e para a criação de uma na qual as pessoas são egoístas, egocêntricas e ambiciosas ao extremo, em detrimento do livre-arbítrio de pessoas que nada tem a ver com a ambição de poder e consumismo plantada por aqueles de quem falei lá em cima...
Com tudo isso no caldeirão que se chama 'sociedade', é cada vez mais difícil, e corajoso, o ato de se reinventar. E quem o faz é taxado e colocado sob suspeita pela tal 'sociedade' tal como era a fogueira da inquisição para os hereges [exageros a parte...].
E pensando bem, se eu ligasse para o que um conjunto de pessoas alienadas pensam, eu estaria bem magrinho, literalmente. E muito mais burro.


P.S.: Passarei, ao invés de escrever mil e um marcadores, a escrever alguns que sintetizem a coisa toda. [Acho que to pegando o jeito...]

sábado, 30 de junho de 2007

Aversão a automóveis

O título acima sintetiza o que eu penso sobre carros. Veículos poluentes sobre 4 rodas que o homem julgou essencial ao longo do tempo. Tenho minhas dúvidas.
Sei que quem não vê os veículos como eu vejo vai arranjar mil motivos pra dizer que são úteis. E eu, como argumentador chato e persistente que sou, encontrarei mil e um!
Pelo menos nas grandes cidades hoje é cada vez mais fácil se locomover com transportes coletivos. É verdade que volta e meia são cheios e param no trânsito também. Mas veja bem, um ônibus polui bem menos que um carro e transporta dez vezes mais pessoas que um carro. Imaginem se todos largassem seus carros e trocassem por ônibus e metrô em São Paulo. Tenho certeza que aumentaria a frota de ônibus rapidinho e as linhas do metrô teriam financiamento bem mais rápido para serem ampliadas... E eu só usei dois argumentos até agora.
Então falemos dos carros: são tão vilões para o aquecimento global os carros Brasileiros quanto as indústrias chinesas. Tirando a poluição [para não dizerem que sou fanático por preservar o planeta, sou mesmo porra!], temos vários outros poréns. Trânsito é barulhento, só tem gente doida, estressada, intolerante e cada motorista se acha mais piloto que o próprio Michael Schumacher. E como eu tenho alergia a hipocrisia isso tudo me deixa muito puto da vida [resolvi falar português bem claro nesse texto, azar...]. E tem mais: as pessoas me estranham de uma maneira extraterrestre se eu falo que não gosto de carros, não tenho intenção de pegar um e muito menos de aprender mecânica [argh], pra não falar que perdi parente em acidente de carro e que sempre me virei com ônibus e metrô, e por isso mesmo dirigir é algo tão inútil pra mim quanto blockbusters hoolywoodianos [esperem que ainda vou falar sobre cinema em uma crítica próxima].
Agora a pressão é cada vez maior. A gente vai ficando mais velho, os parentes cada vez 'cobram' mais o fato de eu não saber dirigir, e tudo isso incomoda muito. Agora mais ainda depois do enfarte do pai, já me oferecem a carta e até aulas em auto-escola especializada pra pessoas com 'receio' de dirigir. Porra, eu não tenho receio, eu detesto carros mesmo!! Do fundo da alma, eu amaldiçôo o infeliz que inventou o automóvel. Blábláblá de progresso e desenvolvimento da indústria eu não engulo, o mundo seria um lugar muito melhor se não fosse esse cara. Aliás é melhor eu nem procurar saber quem é...
Tenho profundas esperanças que no futuro os carros não poluam mais. Sonho meu né?
E aliás, eu passei a adolescência toda [que é a época de frisson pra pegar o carro do pai ou da mãe] sem querer encostar nos mesmos, não vai ser agora que eu vou querer. Se um dia eu fizer isso, por favor anotem, será por obrigação e não por vontade. E eu admitirei eternamente que sou um e.t., e com orgulho! Ainda bem que as pessoas são diferentes, porque assim posso exercitar meus hábitos argumentativos [que me tornam persona non grata em vários círculos sociais]. Mas isso não muda o fato de que carros são malignos e dominarão o mundo. Anotem!

Rumo ao sul

post scriptum...
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[diário de viagem de um louco]...
Epílogo


E o que ficou? Esta seria a pergunta que ficava martelando na cabeça nos meses seguintes, pelo menos nos quatro ou cinco... Logo depois da volta tudo mudou, virou de pernas para o ar. Os dias que se seguiram passaram penosos, o aniversário chegou, a sensação de ficar mais velho só piorou as coisas... Encontrando-se em uma encruzilhada a solução é tomar o caminho mais lógico, e seguir...
E seguindo os dias foram passando, as semanas, os meses... Os estudos voltaram a ser importantes, ocupando o tempo e até mesmo divertindo. Mais tempo passando, mais amizades, mais distração... A cura se faz por si próprio.
Muitas das palavras que seguiram de ambos os lados seriam motivo de arrependimento depois, mas nessas situações o melhor é falar, gritar, brigar com o mundo para pedir desculpas depois. É assim que as coisas funcionam e as relações se fortalecem. Agora eu sei bem...
E mais meses se passando, chega o momento de expor as idéias, transmitir os pensamentos pra que, quem sabe, eles semeiem algo em alguém. E que idéia melhor que um diário de viagem?!
Então dedos no teclado, vasculhando a mente [as vezes com ajuda do I-doser] para lembrar de cada detalhe de cada dia... E tudo foi fluindo... E a aprovação que eu mais precisava, eu tive... Ótimo, tenho que fazer disto o melhor possível!
E passados todos os sentimentos que prejudicariam minhas conclusões, o que posso lembrar, e dizer, são as memórias de um jogo do México deitado numa cama com pessoas rindo ao meu lado, das mãos dadas o tempo todo, das dezenas de amigos e pessoas inesquecíveis que pude conhecer, quando cheguei a pensar um dia que nunca chegaria até lá, do frio diferente do daqui, das longas caminhadas e do conhecimento que tudo aquilo me trouxe, da independência de estar, pela primeira vez, andando com as próprias pernas, lembranças de um jogo do Brasil acompanhado de pizza e muita zoação, das diversas casas que conheci e me receberam como se eu fosse dali, do nascer do sol refletido no Guaíba no dia da chegada, bem como os pilares da ponte que denuncia a chegada a Porto Alegre se aproximando na chegada e ficando pequenas e distantes na partida...

Escrivaninha update




pedras novas: Amor, Boa sorte, Deus, Proteção, Saúde.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Reinventar [?] -parte 1

Aparte da propaganda do banco que utiliza a palavra do título como um belo enfeite para seus propósitos mercantilistas, o ato de se reinventar hoje é mais que necessário, é vital. Reinventar hábitos, mudar velhos costumes, olhar pra frente com tons de preocupação sobre o que vamos deixar de herança pro nosso planeta e para nossos descendentes.
Explico: pode ser só eu [tomara que não], mas antes mesmo de ter um enfarte na família eu já me preocupava ligeiramente sobre hábitos alimentares, reciclagem de materiais [e ambos estão atrelados], transmissão de conceitos e hábitos de infância pra minha sobrinha, que vai encarar um planeta muito severo, sem demagogias.
Isso de se preocupar com alimentação, 'levar uma vida mais light', há pouco tempo era visto como uma grande frescura. Hoje ainda algumas pessoas insistem em pensar assim e ignorar os avisos que o nosso planeta "chapado e aquecido" nos manda. Eu quando parei de consumir carne vermelha tinha a intenção de me reeducar, e na época com meus 20 anos +/- eu sabia que isso seria muito difícil. Sempre achamos. Fui gradativamente cortando, me sentia melhor por não contribuir pro aumento de CO2 na atmosfera, além de evitar a morte de alguns bois...
Depois veio o leite. Dava azia, não me caia bem pela manhã. Foi duríssimo cortar isso pra quem chegou a beber 1 litro de leite por dia no fim da adolescência. Sem carne e sem leite, passei a tomar muito mais água. Resultado, esses dois não me fizeram falta e a água deu uma equilibrada no organismo. Aí começou o pensamento de 'reciclar'.
A prefeitura havia implantado a coleta de materiais recicláveis, alternando com os dias de coleta do lixo orgânico. Resultado?.. Acho que não muito bom, porque a coleta reciclável logo parou. Porque as pessoas não ligam de jogar no mesmo saco de lixo uma caixa de leite ou um bagaço de laranja. Todos pensam que lixo é lixo e isso não fará diferença.
Como somos tolos.
Então em casa começamos a separar o reciclável mesmo assim, pois sempre passam catadores de papel e objetos recicláveis antes da coleta passar. Estamos ajudando pessoas que vivem disso, ajudando a natureza e ajudando a colocar o devido lixo no devido lugar. Isso todos deviam fazer...
Ultimamente isso me veio a cabeça de uma outra forma. Quem passa e recolhe este lixo sabe dos hábitos alimentares de toda uma família. E deve pensar "como esse povo consome!" E é isso mesmo, somos consumistas ao extremo, frutos de nossa época.
Depois então da carne e do leite, o próximo passo... Gorduras. Uma parte fácil, pois cai mal no fígado. Troquei então por fibra alimentar. Muito pão integral, verduras, até legumes -que eu detestava- e meu organismo agradeceu e passou a ter, pela primeira vez, um relógio interno. Vejam bem, melhorias requerem esforços. E esforços dependem da força de vontade de cada um.
Passados então os alimentos gordurosos, algo que era inimaginável. Bebida alcoólica. Afinal, depois de alguns anos de exagero o organismo também dá seus sinais. Difícil, mas surpreendentemente... Nada impossível! E os meses vão passando, falta não faz, e quando houver alguma ocasião realmente especial, com muita moderação posso até provar.

E pra não perder o fio da meada dividi este texto em dois textos, na verdade. A dificuldade de formular um formato para algo que estava na minha cabeça há muitos dias é grande, e ainda não o encontrei. Portanto neste primeiro eu discuti alimentação e reciclagem. No próximo vem os conceitos morais e transmissão de experiências para a próxima geração. Se algo faltar eu faço um terceiro com a conclusão!

Rumo ao sul

Agora, os últimos dias...
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[diário de viagem de um louco]...
parte final


O domingo era dia de formatura de alguns conhecidos. Tarde cinzenta, talvez solidária aos meus sentimentos, agora que me acostumava e já teria que deixar tudo pra trás. Vestido mais formalmente, pé na rua até a casa dela para irmos juntos. Lá chegando, retoques finais em sua maquiagem e algumas fotos das quais me orgulho...
Para o teatro, aonde eu conhecia muito poucos dos que lá estavam. Mas era a hora de 'não agitar' tanto quanto nos últimos dias. Mais observei do que falei, tentei deixar todos o mínimo desconfortáveis possível, já que era um estranho no ninho. Acho que consegui.
Terminado aquele momento de alegria -que tenho de reconhecer, deve mesmo ser muito celebrado- andando então até o Q.G., ficando algumas horas por lá, na companhia de séries de tv e daquela certa melancolia de domingo a noite, agravada por ser a véspera da partida.
Horas passando. Agora eram escassas. Até chegar perto da meia noite e combinar o dia seguinte.
No hotel, recolher as coisas, arrumar a mala. Ligação pra casa. A gripe que me acompanhou a semana toda ainda é forte. Mas tudo agora são pormenores. A cabeça já pensa automaticamente no 'daqui pra frente'... Incerto, talvez. Esperança, muita!
E como um autêntico presente de despedida, o sol vem se despedir também. Brilha como em nenhum dos 8 dias anteriores. O dia é quente, isso ajuda.
Chegando lá para se despedir, uma surpresa. Um presente muito doce, literalmente. O gosto posso até esquecer, mas o gesto, as palavras e os votos... Jamais. Foi mais que uma peregrinação, foi auto-ajuda.
Até a cidade então para comprar a passagem de ônibus. No caminho, o presente da segunda-feira anterior veio como uma despedida. E como na segunda anterior, alguns momentos no banco da praça, pra dar uma vista geral daquilo.
Quase não consigo a passagem, que sorte. 19 horas parto, 23 horas o vôo... Dá tempo de voltar, comer algo rápido, passar no hotel, fazer check-out e pegar a carona até a Rodoviária. Tempo em cima.
E alguns breves momentos de despedida, agradecimentos por tudo. Um abraço, mais algumas curtas palavras, uma promessa que mesmo agora não perdeu o efeito e a janela do ônibus. A cabeça pensa "diga até mais, mesmo se for adeus..." mas o sentimento é o oposto. É a certeza de ter deixado algo por ali, ao passo que também levava comigo.
Estrada a noite, os pensamentos são leves, o sono chega. Logo é Porto Alegre e meu roadmovie está quase completo.
Aeroporto, check-in, telefonema pra cá, telefonema pra casa, pronto. Espera e embarque. Assento perto da turbina, dor de cabeça, aterrissagem, Guarulhos. Taxi, casa, 2 a.m, banho e cama. Fim.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Rumo ao sul

Antes, a madrugada que apenas começava...
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[diário de viagem de um louco]...
parte 7


O frio era de gelar os ossos. As dezenas de cartazes nas mãos indicavam que viriam boas horas pela frente, e o melhor a fazer era espalhá-los nos pontos onde mais chamassem a atenção. Então quase todo poste de quase toda esquina da cidade naquela noite tinha o cartaz da festa do dia seguinte colado. Ao longo do caminho muita conversa e risada pra espantar o frio. Até luva nas mãos era necessário. E as horas iam passando lentamente, ao contrário dos nossos passos rápidos e apertados. Madrugada adentro, por mais fria que fosse era mais uma das inesquecíveis...
E novamente já passava das 5 da manhã. Dia amanhecendo, hora mais fria! Ao término, as tradicionais caminhadas até o Q.G. mais decisões acertadas para o dia seguinte, o dia D.
Volta para o hotel congelando de frio e umidade... Acordar, só lá pra Dez.. Digo, 2 ou 3 da tarde!
Feito então, acordar, almoçar, ir para o Q.G. ajudar a opinar [leia-se 'dar palpite'] na playlist dos dj's e donos da festa... Então tudo quase pronto, levam os equipamentos pro local, cada um pra suas casas se arrumar, e eu para o hotel ver se as pilhas carregaram, escolher o casaco da noite e sair. Acho que escolhi uma blusa muito fina...
Passando pela porta, algumas pessoas bebendo antes de entrar, dou um pulo lá dentro pra ver como estão as coisas. Dali um pouco as músicas começam a tocar e todos entram. Música boa faz isso sozinha! Que comece então, a festa tão esperada!
A partir daí os tragos ajudam a entrar em transe e todos se animam, o local se torna quente, alguém me revela uma agradável surpresa... Tudo vai maravilhosamente bem.
E as horas passam, os dj's se alternam e mesmo com algumas pessoas mugrando no meio da madrugada, a chuva torrencial chega lá fora, trás todos novamente pra dentro e aquilo tudo se infla novamente. No meio de tudo os flashes registram tudo o que for possível e as pilhas que não carregaram deixarem. Pausas pra descansar, beber um gole, e recomeçar. Madrugada adentro...
Tão adentro que o dono do local quer fechar. Um desentendimento que quase acaba com a noite e muda os planos para as festas futuras. Talvez mudar seja bom, mesmo eu não estando mais aqui...
Na saída, um pouco de nervosismo, natural pelos acontecimentos. Devia estar uns 3 graus, mais a garoa fina, imaginem a sensação... No meu corpo uma camisa de gola e uma blusa tão fina quanto café mal feito! Isso porque o casaco eu tive que passar a outra pessoa, tremendo ao mesmo tempo de frio e de nervosa. E apesar de congelar novamente ali, estranhamente eu não tremia. Até hoje não sei dizer porque...
Mas, para fechar a noite, a devolução do casaco, e algumas palavras balbuciadas no calor da noite fria e da emoção... Talvez certas, talvez na hora errada. Só o tempo diria. E disse. Demorou, claro, mas este diário não existiria se aquelas palavras naquele momento fossem completamente nulas...
Volta pro hotel então. Agora sinto realmente que as horas passam rápido e que o fim da viagem está perto. Apenas mais uma noite e dois dias...


[continua...]

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Incursão Hospitalar

Não há escolha para estar neste lugar. As vezes as coisas acontecem pra nos lembrar de que nossos belos e singelos corpos também são ao mesmo tempo muito frágeis. Após o susto inicial de um enfarte, exames, mais exames, UTI, e finalmente o quarto. Segunda tem o cateterismo. Depois disso, se tudo estiver bem, observação, quarto normal e casa. E a partir daí, vida nova...
Primeira noite como acompanhante. Dormir é o de menos, existem outras preocupações em mente. Felizmente o pior passou e agora é esperar. Cochilo na poltrona, paciente tomando remédios, desço à lanchonete beirando 1 da manhã pra comer algo. Passeando novamente por corredores de hospital, não tem como não vincular as lembranças... Um lanche, água, e café. 1 da manhã e café?.. Ah, comigo não faz efeito mesmo!..
Então de volta ao quarto. Paciente com sono, ajudo a subir na cama, repouso. 1 da manhã e dormir?.. Não vou conseguir de jeito nenhum... Então livro debaixo do braço, garrafa d'água na mão e o sofá da Enfermaria está estrategicamente ali perto do quarto. Ficarei lá então. Sentado, livro em mãos... E os minutos passam até que rapidamente. Sono dá sinais, mas não suficientes pra uma noite. 2 horas de leitura, passear um pouco então?
Livro na mesinha, paciente dormindo bem. Pego a blusa e vou dar minhas voltas então.
Corredores de hospital. Quase sempre iguais, largos, com quartos dos dois lados e a Enfermaria no final do corredor. Tudo aqui tem tons de verde, deve ser por isso que gostei... Hospital agradável, bem construído, pessoal atencioso... Estamos tranqüilos quanto a isso, felizmente. Corredor vem, corredor vai, hospital é sempre frio de madrugada. Vestir a blusa então. Não há muita coisa pra se ver quando há muitas entradas 'restritas para funcionários' e você não é mais um funcionário... E as lembranças são das madrugadas voluntárias que passei em outro hospital, onde todas as entradas eram permitidas, os corredores todos conhecidos e o ambiente hospitalar era mais como uma casa do que trabalho, propriamente dito. Lembrança de tudo, dos óbitos, dos procedimentos... Saber o que vai acontecer em seguida nessas horas é muito bom.
Parando na recepção central, onde já estive naquele outro lugar, sento em uma das cadeiras vazias daquele horário. Por ali só 2 recepcionistas e um ou outro funcionário que passa pra espantar o sono da noite. Na tv um filme duvidoso mas interessante... Acompanhar até o fim, então...
Filme terminado, já passa das 4. Melhor tentar deitar.
E as 7 estamos de pé. Quem disse que era uma excursão?

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Rumo ao sul

Antes, a madrugada que não acabou...
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[diário de viagem de um louco]...
parte 6


E continuavam todos andando rumo a avenida. Conversas, risadas, bebidas... Tudo ali era embriagante e dava vontade de ficar por ali por mais tempo. No caminho iam se juntando mais pessoas ao grupo, que logo tinha mais de 10 pessoas. Até, então, pararem todos estrategicamente ao lado de um boteco, ficando alguns sentados perto pra esquecer do frio, e outros em pé, conversando e bolando teorias para também esquecê-lo...
E as teorias sobre o mundo e as músicas Gessingerianas também faziam mais sentido que nunca. Tudo fazia. O frio é apenas um mero detalhe, tudo aqui está agradando...
Cerveja pra uns, canha pra outros... Isso é forte pra mim, socorro! Dou umas bicadas e já me sinto mais quente, mas não posso continuar... Risos por toda a parte...
Então um beijo com gosto de cigarro, canha e refri... Isso eu jamais esquecerei....
Vida a fora, noite a dentro
, as horas vão passando, alguns mugrando, outros se animando ainda mais... O dia seguinte é dia de Formatura para uns, e divulgação da festa para outros... Mas ninguém pensa nisso agora, vamos deixar o dia amanhecer.
E de fato, amanhece... Então acompanhamos os que moram ali perto... E depois caminhada de volta ao hotel, já estou acostumado!
Mas no caminho temos que terminar essa canha... 6, 7 da manhã... Hoje nem vou pro café da manhã, é chegar no hotel e desabar na cama!
Feito isso, então, só acordo lá pra 1 da tarde... Mesma rotina de banho, arrumar, sair pra rua, almoçar... Depois uma passada na lan-house. [Sim, finalmente achei!]
Uma hora e meia depois, notícias dadas aos amigos de outras partes, volta ao hotel, telefonemas... Marcado então na casa dos amigos ali do lado. Hoje todos vão à tal formatura... Mas nós temos outros planos. Uma passada no 'Q.G.' para decidir e então vamos ao tal boteco em que todos se reúnem. Distribuir flyers, folhetos... Até eu vou entrar nessa, afinal estou aqui mesmo!
Mais tarde uma parada pra abastecer no Q.G. e então pé na rua até de manhã. Colar cartazes!
Cola caseira pronta, cartazes nas mãos... Bóra pra rua que a cidade tem muitas ruas a se percorrer. E essa noite seria mais uma das memoráveis...


[continua...]

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Um post 'Ludovico' !

Sabemos que tendo boas influências musicais e literárias fica bem mais fácil escrever algo. E não a toa, desde cedo eu fui rodeado de boa música e literatura. Família rica em todos os sentidos. Da música clássica ao Vinicius de Moraes, do Drummond a Bossa Nova. Só não tive aulas de 'Mutantes' porque eles eram demasiado loucos para os gostos da minha famiglia. E nisso havemos de convir, eles eram mesmo! Mas estou chegando neles através de seus 'influenciados', digamos assim.
Que Engenheiros do Hawaii, através de Humberto Gessinger, são minha influência-mor, isso todos sabem... MAS, desde que conheci esta banda, mais ou menos em 2004, minha vida mudou. Essa banda se chama LUDOV.
Não seria útil eu descrever a história da banda, afinal a mudernidade ta aí pra quem quiser... Agora, que banda do caralho!
Foram ganhando admiradores no underground paulistano. Quando lançaram o 2º cd foi algo arrebatador. É daquelas bandas que se você perguntar pra várias pessoas muitas não conhecerão. Mas se você perguntar pra quem conhece, com certeza essa pessoa te dirá que a banda é sensacional.
E por que arrebatam tanto? É simples. Letras muito bem construídas, poesia, prosa ou verso, com melodias agradáveis pra qualquer momento, e logo se tornam viciantes. A vocalista Vanessa Krongold tem um talento vocal e de simpatia comparáveis a sua beleza... E os letristas Mauro Motoki e Habacuque Lima fazem cada vez músicas melhores, as vezes junto da vocalista. O resultado é algo que te deixa flutuando, perdido nos pensamentos que as letras trazem. Letras muito bem escritas, mas ao mesmo tempo simples.
Ludov é daquelas bandas de você querer parar o mundo pra ouvir. E se você não puder parar o mundo, vai conseguir, no mínimo, abrir um sorriso aberto no rosto enquanto ouve. Se o mundo estiver frenético você terá a sensação de flutuar, sentirá vontade de cantar a plenos pulmões esteja onde estiver. E se estiver no sossego, terá vontade de deitar olhando pro teto e imaginando mil situações, acontecidas ou não.

Pode ser só a minha opinião, mas Ludov dá barato melhor que I-doser!
E melhor eu parar de falar e deixar a cargo de vocês ouvirem ou não...


site da banda: http://www.ludov.com.br/
letras: http://ludov.letras.terra.com.br/

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Rumo ao sul

Na última parte, a hora do jogo...
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[diário de viagem de um louco]...
parte 5


Muita tensão e pouco futebol. Pelo menos a companhia era agradável. Se não valeu pelo jogo, valeu pela bagunça... E depois, mais alguns momentos tranqüilos, mp3 player compartilhado a dois até quase cochilar no sofá...
Depois, então, mais caminhadas até a casa de outros amigos. Parando pra ver tv, falar besteiras e comer mais um pouco... Haverá uma festa essa semana, então há várias reuniões pra definir as músicas e como será feita a propaganda.
Então sentam-se todos numa cama, outros na poltrona... A distração é Guitar Hero, viciante! Aquelas músicas já grudaram na cabeça, ajudando a formar a trilha sonora da viagem...
A despedida hoje é um pouco mais tarde. Amanhã é véspera de feriado, dia que todos ficam na rua... Até a manhã seguinte. Então uma caminhada tranqüila de volta ao hotel, e os planos pra longa noite de amanhã...
Dia seguinte, o sol da tarde ajuda no frio, mas as conseqüências daquele chuveiro frio e da umidade desse lugar já fizeram efeito... Gripe. Nem a rinite, nem a sinusite. É gripe mesmo, das fortes... Lenço no bolso e vamos pra rua então!
Mais uma reunião e fica decidido como serão os cartazes e flyers da festa. Divulgação só amanhã, porque hoje é dia de todos irem aos botecos beber e falar besteira. Já não era sem tempo!
A noite então, se encontram na casa de alguém e vão todos juntos. O lugar é famoso, há tanta gente que a maioria prefere ficar do lado de fora mesmo, em pé, encostados nos muros ou sentados nas altas calçadas. Conversando, me divertindo, e por que não, tomando uns tragos também!
Conhecendo mais gente, vendo quem eu não via desde a chegada, o frio já nem importa tanto assim! Vou lá dentro pegar mais cerveja pra todos então... Mas a cerveja acabou?.. 'Vamos comprar no bar ali do lado então', dizem os que estão habituados com o lugar... Eu concordo, compramos mais bebidas e continuamos as conversas. Mas, na falta do líquido dourado, o boteco fecha cedo... Que fazer?.. 'Bom, vamos dar umas bandas até a avenida', sugere alguém ali... Então vamos todos, um grupo de jovens 'pensando bobagens, bebendo besteiras', mas nem tão bobagens assim! Ali, talvez a experiência mais rica de intercâmbio com o pessoal de lá: enquanto seguem todos andando, bebendo [e alguns fumando] pra espantar o frio, discussões sobre a sociedade em geral, músicas, comportamento... E em especial o nosso ídolo em comum, Humberto Gessinger, que profetiza suas palavras na forma de músicas, e nós o seguimos, olhando o mundo de forma diferente do resto... Aquela noite pode ter acabado, mas aquele momento foi eterno. A leveza de se sentir em casa em ruas tão geladas, mas cheias de calor e companhias agradáveis. Tudo isso dava um gosto de 'quero mais' no meio da viagem, e ao mesmo tempo uma impressão do que seria deixar tudo isso pra trás...


[continua...]

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Entenda meu canto...


Não sei se vai dar pra visualizar direito... Mas essa é uma parte da minha escrivaninha! ;]

Relógio [despertador], pedras com kanjis [que vou comprar mais essa semana], caneta, O Mundo de Sofia, dicionário de Italiano, dicionário de Português [que usei na 7ª série], a caixa do meu óculos, marca Playboy [é, com o coelhinho e tudo...], o Snoopy que comprei pra minha sobrinha e finalmente a capinha do meu cd de anime songs e de Asian Kung-fu Generation, que está no drive...

Ainda tem mais pra mostrar!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Rumo ao sul

Antes, um pequeno cochilo no hotel nas primeiras horas da manhã do dia 12/06...
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[diário de viagem de um louco]...
parte 4


Acordo com o telefone tocando. Alguém esperando na recepção. Presentes na mochila, desço, encontro... E saímos rumo à praça, ali pertinho. Lá chegando, sentamos num banco, olhamos ao redor... E logo chegam mais pessoas a conhecer. E o número aumenta... E logo várias pessoas estão ali reunidas, conversando, rindo e me apresentando as características daquele sotaque e as gírias que eu viria a gostar muito.
A tarde vai passando, a noite se aproximando, e com ela, mais frio. Já estou me acostumando, casacos servem pra isso!
A essa hora um café cai bem... Então até a cafeteria mais próxima... E lá, oras, mais amigos!
Não sei se pela viagem, pela companhia, pelo frio ou por tudo aquilo, mas o café era realmente delicioso ali, olhando a vida noturna passar... Acabando, uma caminhada até a casa dela. Conhecer os pais... Que frio na barriga...
Casa bonita, aconchegante, até quente... Vou tirar o casaco. Convidado pra jantar, já me sinto mais à vontade. Depois, sentados no sofá, conversas, noticiário na tv... Estou me sentindo em casa, mesmo tão longe de casa... Gostei daqui...
Ali mesmo, então, os presentes... Agradecimentos... E o convite pra almoçar no dia seguinte. Tudo perfeito... Assim posso dormir tranqüilo, ainda que pra mim seja difícil dormir...
E então, caminhada até o hotel, já estou dominando essas ruas... Muito bom conhecer os hábitos de todos, observando como um anônimo, ainda que turista... Já sei andar por essas ruas, me perder não me perco mais!
Então, mais uma noite assim... Leio algo, que perde rapidamente o interesse. Verifico as pilhas, tudo certo... Então, hora do banho. Ah, o chuveiro, esqueci!.. Vai ter que ser no frio, de novo!
Tremendo, busco novamente as roupas e os cobertores, até adormecer...
De madrugada o barulho da chuva é companheiro. De manhã, acordar cedo de novo, café da manhã, chave na recepção... Ah sim, o chuveiro está um pouco frio, podem ver pra mim?.. Obrigado!
Passear um pouco, conhecer mais, já que ainda é cedo!
Arriscar mais então, procurar ruas que não conheci... O Mercado dali, procurar uma lan-house e uma padaria para os almoços dos dias seguintes... Achei quase tudo, menos a lan... Bom, eu pergunto depois. Melhor voltar pro hotel, frio úmido vai me atacar a sinusite já já...
Sala de espera então... Hoje o Brasil estréia... Vou sair com a camisa da seleção pra ver se me olham estranho hahah :P
Subo pro quarto, o telefonema... Espera, cochilo... Acordo com o telefone. Hora de ir pra lá.
De camisa do Brasil, o sol colaborando hoje... Vou até tirar a jaqueta. No caminho, pessoas se organizando assim como eu... Parece que não são tão separatistas como se ouve falar. No caminho, algum desconhecido me cumprimenta e comenta positivamente sobre a camisa... O pessoal daqui é simpático...
Quase chegando lá, lembrei. Preciso levar flores! Que sorte a minha, tem uma floricultura na minha frente...
Então uma dúzia de rosas. Tradicionais e belas. Chegando, almoço, conversa com todos por ali, o sol dando um calor gostoso... E eu cara a cara com os famosos doces portugueses. Minha nossa, são maravilhosos... Ainda bem que não sou mais uma formiga, mas minha mãe ia adorar isso!
Chegada a hora de ir na casa de amigos ver o jogo. Um 'até breve' e uma pequena caminhada ao lado da minha guia naquela semana... Lá chegando, pipoca, refrigerante e aquelas tranqueiras que não podem faltar nessas reuniões... Vamos ao jogo, então!

[continua...]

domingo, 10 de junho de 2007

Rumo ao sul

No relato anterior, o primeiro dia e o começo da noite...
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[diário de viagem de um louco]...
parte 3


Aquela primeira noite realmente fora agradável. Ainda todos se conhecendo, ainda pouco tempo juntos. Tínhamos que nos separar um tanto cedo. Chegando ao hotel cerca de 22 horas, pude enfim abrir a mala, organizar o quarto que seria meu por aquela semana toda. Após tudo isso, uma tentativa de banho.
Tentativa, pois o chuveiro parecia ser o vilão da história. Naquele frio polar [isso pra um paulistano acostumado com o frio], a água era 'semi-fria', nem morna nem gelada, mas caía no corpo como cubos de gelo!
Depois da tentativa mal-sucedida, mas cumprida, me sequei e busquei o máximo de roupas possíveis para esquentar. Havia levado algumas coisas pra ler, e agora as pilhas já estavam carregando na tomada, mas o cansaço da viagem de cerca de 7 horas e vai-pra-lá-vem-pra-cá não me deixou pensar no assunto. Porém ainda era muito cedo pra dormir, quando se estava acostumado com as 3, 4, 5 da manhã...
A solução era a tv, um filme conhecido passando, mas sem muita paciência para ele. Meu pensamento estava em outros cantos, nas ruas, na ansiedade de conhecer tudo. Ali a música 'Quarto de Hotel' realmente fazia sentido...
O sono veio lá pelas 23 horas, algo que não acontecia desde muito tempo mesmo. Até na época de correria esse era o horário exato de chegar em casa. Um cochilo, acordo, desligo a tv, durmo de vez.
Com o dia quase clareando os olhos se abrem. Reconhecendo que aquele não era o quarto dos últimos meses, procuro um relógio. É, nessas horas que um relógio faz falta, droga! Não havia sequer um despertador no quarto, e eu, avesso a celulares, nem pensei que o aparelho faria falta...
Ligo a tv procurando um canal que traga algo, um jornal matutino, o canal do tempo... Até enfim resolverem colaborar comigo vejo que não passava das 6... Muito cedo, o café é só depois das 7. Bom, levante, tome um banho, se arrume e etc.
O banho, novamente frio, era um desafio. Nota mental: pedir pra darem uma olhada nele...
Feito isso restou esperar o horário. Subo, tomo bastante café, suco, etc... E estou pronto. Mas perai, são só 7:30 da manhã. E agora?
Bom, vou dar uma volta... Se eu seguir uma linha reta não vou me perder... E qualquer coisa já gravei o nome da rua do hotel, sempre consegue-se algo perguntando... Então vamos.
Chave na recepção, pé na rua, frio. Puta que pariu. Fecho o casaco, vamos lá, andar faz bem...
Primeiro uma linha reta. Calçadas diferentes... Rua bem larga, de paralelepípedo, calçadas altas demais para os padrões paulistanos... Interessante. Mais pra frente uma Igreja em estilo gótico [sei lá eu, to chutando, mas que é interessante, é] e comércio como os 'centrinhos' que existem por aqui. Mais pra frente, mais pessoas saindo nas ruas. Lembrei, hoje é segunda... Estão indo trabalhar, e eu com essa cara de turista... Oras, também trabalhei um bom tempo pra poder fazer turismo! Bola pra frente então...
Já andei bastante, que avenidas simétricas... Algo assim eu só vi no lado ímpar da Av. Paulista. Quarteirões perfeitamente do mesmo tamanho, 'quadras' que são realmente quadras. Se é assim, vou virar a esquerda nessa rua aqui, já que é fácil de voltar mesmo...
Outra avenida larga, que coisa... Isso em São Paulo daria umas 3 ruas com estacionamento permitido em apenas um dos lados, com direito a Zona Azul...
Bom, além disso que mais posso reparar?... Hum, arquitetura diferente... Me lembra Itú, por que será?...
Já sei, estilo colonial! Casas de desenho arquitetônico antigo, como os poucos que ainda restam no centro de São Paulo, perto do Mercado da Cantareira... Gostei!
Bom, continue a andar em linha reta... Vou virar aqui, já que é tudo quadrado é só eu pegar a esquerda depois e chegarei na rua do hotel. Uma passada na farmácia, e estou em um calçadão. Já tem bastante gente nas ruas... Termômetro marcando... 5 graus! E eu aqui tirando minha jaqueta por causa dessa alergia ao suor... com tudo isso e tomando banho frio eu vou pegar uma gripe bem logo...
Bom, já andei bastante... Hora de voltar, ta cedo pra ligar ainda, 9 e pouco... Vou só voltar e ver o que faço.
Chegando... Quarto em arrumação, tv na sala de espera, subo, telefono... Ainda é cedo, está dormindo... Tenho que esperar. Vou deitar um pouco então...
Data: 12/06/2006.

[continua...]

sábado, 9 de junho de 2007

Textos antigos: "Olhar"

Esse eu escrevi no metrô, na minha cabeça, e quando cheguei em casa passei pro 'papel'...
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Olhar

Queria ver as coisas
Pelos seus olhos...
Queria ver como você vê a todos
Ter novamente a esperança
De que tudo pode ser melhor
Como no mundo de uma criança
Queria eu estar presente
Nesse seu olhar
Queria fazer parte de seu mundo
Ter alguém como você para cuidar

Queria ter a energia
Desses seus olhos...
Queria eu novamente ter a alegria
De olhar para o céu sem me lamentar
Queria enxergar de novo
O que deixei de me importar...
Queria eu estar sempre perto
Desse teu olhar...

Mas de repente tudo muda...
Que tristeza é essa que invadiu seu olhar?
O que há de errado a te perturbar?
Pois nada nesse mundo devia
Ter força pra te derrubar...
E eu me pergunto...
Será que um dia
Novamente, vou poder te encontrar?

Será que um dia reencontrarei esse olhar?
Algum dia estarei com alguém como você?


T. Dezembro 2003

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Textos antigos: "Cidade Grande p.m."

Eis a segunda parte... Se completam...
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Cidade Grande p.m.

Não é o cansaço pós-almoço
É a tarde lenta, é o dia lento
Não é o sol descendo
Por trás dos prédios no fim da tarde
Não é voltar pra casa
E encontrar o silêncio
É a casa ficando escura
Um cd tocando solitário
A vontade de sair um pouco

Não é sair com alguns trocados no bolso
Até o bar da esquina mais próximo
É o gole de cerveja
Cada vez mais amargo sem o seu riso

É você não comentar
Do meu corte de cabelo a noite
As paredes não ecoando
Nossa conversa, cada um em um cômodo
É a gente não fazendo planos
De viagens, do casamento, dos filhos, do futuro
É a gente não se abraçar
Namorar por horas que são escassas demais
É a gente não olhar o outro
E não precisar dizer nada
Não irmos dormir juntos
Quando chegar a meia-noite
É a falta de você


T. 19/10/2004

Textos antigos: "Cidade Grande a.m."

Estes são meus 'bebês', os dois dos quais mais me orgulho de ter escrito...
E surgiram prontos, só transcrevi pro papel, sem computador, sem sono, sem muita coisa pra fazer na época...
Espero que gostem!
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Cidade Grande a.m.

Não é dia ainda
Tampouco é noite
Os pássaros vêm à janela
Para nos acordar
A cidade no seu movimento contínuo
Começa a se encher novamente
Um café forte, uma chuva fina
O céu escuro e cinzento
Numa manhã de Primavera que conserva
A tristeza do Inverno
Não fosse pelas árvores verdes
E flores que voltam a aparecer

Não é a casa vazia
É uma pessoa solitária
Olhando pelo vidro embaçado
O amanhecer frenético do mundo
Um mal necessário
É uma foto tirada
Com um fundo em movimento
Sem opção, apenas uma pessoa
É o meu lugar vazio, quase sem vida
Hora de cuidar das plantas, depois sair

Não é seu travesseiro intacto
No seu lado da cama
É a sua falta à esse lugar
A incerteza de que irá voltar
Não é a tv falando sozinha
É a poltrona sem vestígios de ser usada
Não é o ar poluído, não é o barulho
Entrando pelas janelas
É a sua voz que não se ouve mais
Por aqui, ultimamente

Não é a pressa de sairmos
Juntos, para ganhar o dia
É a lentidão com que tudo funciona
Não é a longa madrugada
É olhar para o teto e falar sozinho
Não é depressão
É só a tristeza de você não estar aqui
Não é o ritmo lento da manhã
É o pensamento em uma só coisa
Pessoa, tempo e lugar

T. 19/10/2004