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sábado, 27 de outubro de 2007

Realidade momentânea

Sempre parece real, sempre parece perfeito.
Sempre parece que não acaba.
Sempre parecemos melhores.
Tudo sempre parece posssível.
Não devíamos abrir os olhos...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O super-HD

Esta lá no sub-consciente, como um hd que perdeu dados depois de uma formatação, mas ainda os têm gravados porque não é possível apagar algo em definitivo. Memórias quase secretas, que acham sua brecha quando o corpo repousa. Saem, passam seu recado e retornam pro hd. E nos deixa o ponto de interrogação na testa quando acordamos. Por que aquilo apareceu? Por que sonhei isso?

É incrível o fato de conhecer cada vez mais sobre tudo. Incrível, e ainda um pouco assustador. Claro, porque dar um passo no escuro é um tanto assustador.
Então, eventualmente, os dados e memórias do hd ainda aparecem para atormentar, ou para simplesmente avisarem 'eu existo, você não vai conseguir me deletar, aceite'. E temos que aceitar, ou então os dados se rebelam, passam a fazer com que você sonhe coisas ilícitas, se drogue nos seus próprios sonhos, cometa delitos e coisas do tipo. É culpa do id, maldito!

Melhor não falar mal dele...

Mas então, aquelas coisas que você fala que esqueceu, que superou, que tocou em frente. Claro, pode muito ser bem verdade, mas elas estão ali, e não sairão. E quanto mais se empurra-as pra fora, mais pra fundo elas vão, aí ferrou.
Em alguns casos, pessoas associam músicas a pessoas. Outras pessoas associam épocas a pessoas. E algumas outras pessoas associam cheiros, cores e outros tipos de lembranças e sensações a outras pessoas, e tudo isso se manifesta naqueles sonhos 'mais bizarros' que temos, que todos têm!

No caso deste singelo narrador, a cor azul o persegue!
Por que acham que tenho mil e um motivos pra gostar de verde?...

terça-feira, 10 de julho de 2007

Um rosto e três folhas de papel

Um rosto. Um caminho que eu percorria num sábado ensolarado [ou em qualquer dia de semana, mas estes mais corridos]. A espera pelo ônibus na avenida larga e feliz.
Em mim, várias expressões de esperança, felicidade, apreço. Os dias começavam frios e iam se acalorando, e eu ainda não tomava café a seco.
O sol, a calça dobrada até quase os joelhos, como era 'moda' se fazer na época. Tudo por um rosto, uma companhia, hoje mais do que nunca, uma lembrança.
Um telefonema, a expectativa. Vou correndo o quanto dá. O caminho já quase decorado, tudo familiar e agradável já a esta altura.
E então, fragmentos perdidos, jogados para eu mesmo fazer a ligação, no mundo em que o diretor sou eu.
No rosto um sorriso, na memória a lembrança dos corredores que pareciam mágicos, pois meu mundo mudara.
Algumas palavras, o rosto me fitando, e aparecem 3 folhas de papel. Não eram minhas, decerto. Não costumo fazer isso, mas me chamaram a atenção. Verei o que é.

3 sulfites azuis, a sua cor, dobradas ao meio. As pontas um pouco dobradas, talvez por causa do tempo em que elas estão ali. As abro... E no cabeçalho está meu nome.
E nas laterais meus vários e-mails [à época] e meu nome escrito em pé, deitado e de ponta-cabeça... E no corpo do texto alguns escritos perdidos, de um pra outro, de outro pra um. E mais anotações nas bordas. Sem dúvida, a sua letra.
E nas outras folhas, telefones, pequenos versos talvez, e dois nomes escritos. Eram, sem dúvida, os nossos.

Um rosto. Que não sai da cabeça porque talvez esteja mais fundo, em outro lugar. Um sorriso que não foi esquecido. Será que aqueles sonhos que trouxeram outrora a insônia voltaram?
Se for, desta vez não preciso mais não querer dormir. Vou me deixar sonhar...
Com a pretensão de quem já foi causa e efeito de outras confusões, sonhar que se lembre, ainda, de mim.

sábado, 30 de junho de 2007

Rumo ao sul

post scriptum...
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[diário de viagem de um louco]...
Epílogo


E o que ficou? Esta seria a pergunta que ficava martelando na cabeça nos meses seguintes, pelo menos nos quatro ou cinco... Logo depois da volta tudo mudou, virou de pernas para o ar. Os dias que se seguiram passaram penosos, o aniversário chegou, a sensação de ficar mais velho só piorou as coisas... Encontrando-se em uma encruzilhada a solução é tomar o caminho mais lógico, e seguir...
E seguindo os dias foram passando, as semanas, os meses... Os estudos voltaram a ser importantes, ocupando o tempo e até mesmo divertindo. Mais tempo passando, mais amizades, mais distração... A cura se faz por si próprio.
Muitas das palavras que seguiram de ambos os lados seriam motivo de arrependimento depois, mas nessas situações o melhor é falar, gritar, brigar com o mundo para pedir desculpas depois. É assim que as coisas funcionam e as relações se fortalecem. Agora eu sei bem...
E mais meses se passando, chega o momento de expor as idéias, transmitir os pensamentos pra que, quem sabe, eles semeiem algo em alguém. E que idéia melhor que um diário de viagem?!
Então dedos no teclado, vasculhando a mente [as vezes com ajuda do I-doser] para lembrar de cada detalhe de cada dia... E tudo foi fluindo... E a aprovação que eu mais precisava, eu tive... Ótimo, tenho que fazer disto o melhor possível!
E passados todos os sentimentos que prejudicariam minhas conclusões, o que posso lembrar, e dizer, são as memórias de um jogo do México deitado numa cama com pessoas rindo ao meu lado, das mãos dadas o tempo todo, das dezenas de amigos e pessoas inesquecíveis que pude conhecer, quando cheguei a pensar um dia que nunca chegaria até lá, do frio diferente do daqui, das longas caminhadas e do conhecimento que tudo aquilo me trouxe, da independência de estar, pela primeira vez, andando com as próprias pernas, lembranças de um jogo do Brasil acompanhado de pizza e muita zoação, das diversas casas que conheci e me receberam como se eu fosse dali, do nascer do sol refletido no Guaíba no dia da chegada, bem como os pilares da ponte que denuncia a chegada a Porto Alegre se aproximando na chegada e ficando pequenas e distantes na partida...

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Rumo ao sul

Antes, a madrugada que apenas começava...
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[diário de viagem de um louco]...
parte 7


O frio era de gelar os ossos. As dezenas de cartazes nas mãos indicavam que viriam boas horas pela frente, e o melhor a fazer era espalhá-los nos pontos onde mais chamassem a atenção. Então quase todo poste de quase toda esquina da cidade naquela noite tinha o cartaz da festa do dia seguinte colado. Ao longo do caminho muita conversa e risada pra espantar o frio. Até luva nas mãos era necessário. E as horas iam passando lentamente, ao contrário dos nossos passos rápidos e apertados. Madrugada adentro, por mais fria que fosse era mais uma das inesquecíveis...
E novamente já passava das 5 da manhã. Dia amanhecendo, hora mais fria! Ao término, as tradicionais caminhadas até o Q.G. mais decisões acertadas para o dia seguinte, o dia D.
Volta para o hotel congelando de frio e umidade... Acordar, só lá pra Dez.. Digo, 2 ou 3 da tarde!
Feito então, acordar, almoçar, ir para o Q.G. ajudar a opinar [leia-se 'dar palpite'] na playlist dos dj's e donos da festa... Então tudo quase pronto, levam os equipamentos pro local, cada um pra suas casas se arrumar, e eu para o hotel ver se as pilhas carregaram, escolher o casaco da noite e sair. Acho que escolhi uma blusa muito fina...
Passando pela porta, algumas pessoas bebendo antes de entrar, dou um pulo lá dentro pra ver como estão as coisas. Dali um pouco as músicas começam a tocar e todos entram. Música boa faz isso sozinha! Que comece então, a festa tão esperada!
A partir daí os tragos ajudam a entrar em transe e todos se animam, o local se torna quente, alguém me revela uma agradável surpresa... Tudo vai maravilhosamente bem.
E as horas passam, os dj's se alternam e mesmo com algumas pessoas mugrando no meio da madrugada, a chuva torrencial chega lá fora, trás todos novamente pra dentro e aquilo tudo se infla novamente. No meio de tudo os flashes registram tudo o que for possível e as pilhas que não carregaram deixarem. Pausas pra descansar, beber um gole, e recomeçar. Madrugada adentro...
Tão adentro que o dono do local quer fechar. Um desentendimento que quase acaba com a noite e muda os planos para as festas futuras. Talvez mudar seja bom, mesmo eu não estando mais aqui...
Na saída, um pouco de nervosismo, natural pelos acontecimentos. Devia estar uns 3 graus, mais a garoa fina, imaginem a sensação... No meu corpo uma camisa de gola e uma blusa tão fina quanto café mal feito! Isso porque o casaco eu tive que passar a outra pessoa, tremendo ao mesmo tempo de frio e de nervosa. E apesar de congelar novamente ali, estranhamente eu não tremia. Até hoje não sei dizer porque...
Mas, para fechar a noite, a devolução do casaco, e algumas palavras balbuciadas no calor da noite fria e da emoção... Talvez certas, talvez na hora errada. Só o tempo diria. E disse. Demorou, claro, mas este diário não existiria se aquelas palavras naquele momento fossem completamente nulas...
Volta pro hotel então. Agora sinto realmente que as horas passam rápido e que o fim da viagem está perto. Apenas mais uma noite e dois dias...


[continua...]

sábado, 9 de junho de 2007

Textos antigos: "Olhar"

Esse eu escrevi no metrô, na minha cabeça, e quando cheguei em casa passei pro 'papel'...
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Olhar

Queria ver as coisas
Pelos seus olhos...
Queria ver como você vê a todos
Ter novamente a esperança
De que tudo pode ser melhor
Como no mundo de uma criança
Queria eu estar presente
Nesse seu olhar
Queria fazer parte de seu mundo
Ter alguém como você para cuidar

Queria ter a energia
Desses seus olhos...
Queria eu novamente ter a alegria
De olhar para o céu sem me lamentar
Queria enxergar de novo
O que deixei de me importar...
Queria eu estar sempre perto
Desse teu olhar...

Mas de repente tudo muda...
Que tristeza é essa que invadiu seu olhar?
O que há de errado a te perturbar?
Pois nada nesse mundo devia
Ter força pra te derrubar...
E eu me pergunto...
Será que um dia
Novamente, vou poder te encontrar?

Será que um dia reencontrarei esse olhar?
Algum dia estarei com alguém como você?


T. Dezembro 2003

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Textos antigos: "Cidade Grande p.m."

Eis a segunda parte... Se completam...
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Cidade Grande p.m.

Não é o cansaço pós-almoço
É a tarde lenta, é o dia lento
Não é o sol descendo
Por trás dos prédios no fim da tarde
Não é voltar pra casa
E encontrar o silêncio
É a casa ficando escura
Um cd tocando solitário
A vontade de sair um pouco

Não é sair com alguns trocados no bolso
Até o bar da esquina mais próximo
É o gole de cerveja
Cada vez mais amargo sem o seu riso

É você não comentar
Do meu corte de cabelo a noite
As paredes não ecoando
Nossa conversa, cada um em um cômodo
É a gente não fazendo planos
De viagens, do casamento, dos filhos, do futuro
É a gente não se abraçar
Namorar por horas que são escassas demais
É a gente não olhar o outro
E não precisar dizer nada
Não irmos dormir juntos
Quando chegar a meia-noite
É a falta de você


T. 19/10/2004

Textos antigos: "Cidade Grande a.m."

Estes são meus 'bebês', os dois dos quais mais me orgulho de ter escrito...
E surgiram prontos, só transcrevi pro papel, sem computador, sem sono, sem muita coisa pra fazer na época...
Espero que gostem!
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Cidade Grande a.m.

Não é dia ainda
Tampouco é noite
Os pássaros vêm à janela
Para nos acordar
A cidade no seu movimento contínuo
Começa a se encher novamente
Um café forte, uma chuva fina
O céu escuro e cinzento
Numa manhã de Primavera que conserva
A tristeza do Inverno
Não fosse pelas árvores verdes
E flores que voltam a aparecer

Não é a casa vazia
É uma pessoa solitária
Olhando pelo vidro embaçado
O amanhecer frenético do mundo
Um mal necessário
É uma foto tirada
Com um fundo em movimento
Sem opção, apenas uma pessoa
É o meu lugar vazio, quase sem vida
Hora de cuidar das plantas, depois sair

Não é seu travesseiro intacto
No seu lado da cama
É a sua falta à esse lugar
A incerteza de que irá voltar
Não é a tv falando sozinha
É a poltrona sem vestígios de ser usada
Não é o ar poluído, não é o barulho
Entrando pelas janelas
É a sua voz que não se ouve mais
Por aqui, ultimamente

Não é a pressa de sairmos
Juntos, para ganhar o dia
É a lentidão com que tudo funciona
Não é a longa madrugada
É olhar para o teto e falar sozinho
Não é depressão
É só a tristeza de você não estar aqui
Não é o ritmo lento da manhã
É o pensamento em uma só coisa
Pessoa, tempo e lugar

T. 19/10/2004

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Textos antigos: "[doce] fantasma"

[doce] fantasma

Doce fantasma...
Me volta a assombrar os sonhos do nada?
Me faz pensar em coisas que não posso
Ao mesmo tempo que se mostra renovada
Quer me tirar da escuridão, essa que tanto aprecio
Ou quer o que?
Doce fantasma, bela como sempre
Vai voltar de vez pra minha vida
E mudá-la de novo?
Lá vamos nós, de novo!

[postado originalmente em '¡Tchau Radar! em 18/04/2006]

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Vida [Su]real - Take 3

Talvez o mais difícil de se tirar conclusões... Fragmentos perdidos na memória, jogados aleatoriamente como um quebra-cabeça me esperando para juntar suas peças.
Unindo elementos comuns em vários dias [seguidos ou não], poderia chegar à conclusão de que o ambiente parecia sempre o mesmo. Alguns amigos ocasionalmente, algumas festas ocasionalmente. Mas, seguramente, aquele era o meu ambiente. E só meu.
Peças aleatórias do quebra-cabeça me apareciam a qualquer hora, como desafios a se investigar, como um autêntico detetive do século XX, ou, com um pouco mais de efeitos Hoolywoodianos, um 007 de Ian Fleming. 'Armado' com a minha astúcia e destemido com a minha liberdade, o ponto fraco era algo que nem a mente, em seu repouso de sono, pode controlar: hábitos desastrados.
A partir de então o filme policial ganhava tons de comédia, e as peças do quebra-cabeça, antes brancas e lívidas, iam ganhando pinceladas de tinta, formando então algo. Restava então encaixá-las para descobrir o que seria 'algo'....
Ora perseguidor, ora perseguido, as peças iam se encaixando lentamente, ao passo que dias se passavam. Pois bem, felizmente os 'hábitos desastrados' eram mais presentes nesses filmes surreais, pois antes de saber o final do quebra-cabeça eu já havia delineado minha conclusão.
E é por isso mesmo que eu não poderia descrevê-la aqui. Pois nos livros de Connan Doyle ou Ian Fleming, o bom mesmo é acompanhar a história do início ao fim, sem pular as páginas.....

Eram [talvez] alguns sonhos...

Vida [Su]real - Take 2

A primeira lembrança era o aeroporto, prestes a embarcar. Se houvera alguém ali antes comigo, isso não ficou guardado... Deixando pra trás todo um mundo para um lugar desconhecido, mas a ansiedade era algo bom.
Durante o vôo, poucas horas de sono e muitas de expectativa. Lá chegando, tudo era diferente de tudo que jamais conhecera. As pessoas, evidentemente, ainda mais. Frias, talvez. Algumas informações conseguidas com a língua mundial e me locomovia para o lugar onde todos estariam. Era um dia de festa, semanas de festa na verdade. Turistas de todos lugares me faziam companhia e ao mesmo tempo me confundiam os julgamentos. Talvez fosse bom...
Passados alguns percalços com pessoas bêbadas e efusistas ao extremo, novamente seguia em busca de outros lugares. Os ônibus já começavam a parecer comuns, escolhido o destino eu seguia. Rodei por muitos chãos diferentes, sempre tentando traçar, na minha cabeça, um perfil 'automático' das pessoas que ali estavam, bem como já tinha feito muitos anos antes aqui na terra-natal. Surpreendia-me a capacidade de me virar, sendo que nunca havia sido testado em condições tão... solitárias.
Buscando cada vez mais o lugar onde as pessoas estavam, cheguei ao lugar exato. A semelhança com a megalópole da paulicéia era notável, porém era como fosse centenas de anos mais antiga. E de fato, era.
Aquele lugar, sim, parecia ser o que procurava. O frio não se importava com isso e obrigava aqueles que lá desfilavam a usar todas as suas armas. Não poderia deixar por menos, mas de longe poderia notar que eu não era dali. E foi num lugar assim que parei, não saberia dizer por quê, mas ali se deu o clímax: um parque gelado, uma pista de patinação, e muita gente rindo e falando diversas línguas, que aos ouvidos misturavam-se como numa gigantesca Babel, ainda que o rinque não tivesse mais que alguns metros de diâmetro...
Alguns passos segurando-se para não cair, tirando ao máximo daquelas palavras estranhas um significado. E tudo ali se completou, o que havia passado era tão importante quanto aquele momento. Mas naquele momento, já não era mais tão cruel assim o que havia passado. Eu estava ali, no meio da confusão, no olho do furacão. E tudo terminou num êxtase silencioso, contido na euforia de falar sozinho na própria língua de origem...

Era [apenas] um sonho...

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Vida [Su]real - Take 1

Era um dia cinzento. Ao menos lá fora. Um dia importante que não podia ser postergado, uma data que não poderia ser trocada. Do lado de fora alguns amigos, aqui dentro também. O trânsito duraria quase um dia inteiro.
Essas poucas cinco ou seis pessoas compartilharam da nossa alegria durante o dia inteiro. Também cansados, talvez até mais que nós mesmos, pois afinal, tínhamos o nosso próprio deleite como forma de recarregar as energias. O ato de transportar coisas escada abaixo, elevador e rua certamente fora trabalhoso, mas o resultado aqui dentro era ótimo. Um lar...
Como aquele que eu idealizara para mim mesmo, ambientes brancos e espaçosos, bastante madeira, vidros, luz e... Havia um elemento que completava todos os outros. Você.
Deixei aos amigos a promessa de, no dia seguinte, reunir todos para 'estrear' o ambiente. Porque, naquela noite, eu só queria a tua presença, o silêncio, depois alguma música, e nada mais além disso.
Alguns retoques finais, arrasta um vaso aqui, puxa um tapete ali, e eu finalmente iria para o chuveiro. Lá fora o céu cinzento ganhava um tom mais escuro, anunciando que a noite logo cairia, e fria. Saindo do meu banho, estava lá você, observando, numa mistura de curtição do ambiente com o olhar de quem avalia para ver se nada falta ali.
Eu, já devidamente agasalhado, olhava os cantos para ver se de fato faltava algo. Chegando até você, um beijo no rosto e lhe perguntei se queria que eu trouxesse algo além dos pães [felizmente, nada de leite...] Dada a resposta, eu saí.
As esquinas pareciam mais vivas. As pessoas não. Percebi que o mundo não mudara a partir daquele momento, mas que daquele momento em diante eu mudara para o mundo. A vontade de ficar pelas ruas, por ora, era facilmente superada pela vontade de voltar para aquele pedaço de chão no ar, no qual alguém me esperava. E, para quem sempre idealizara esse mesmo tipo de espaço, mas sem alguém o esperando, esse era um dos tantos sentimentos novos que passara nos últimos meses. Ah, os últimos meses... Parecia vários anos, e ainda, tínhamos muito pela frente...
Pois me apressei em chegar. O seu café já estava pronto me esperando. A janela da varanda ainda aberta, pois observar a vida passando lá longe também lhe agradava. Larguei a caneca verde de lado, encostado no vidro, de frente para a saleta. O resto ficou para você completar. Ainda usando o top branco e a calça cinza escura, me abraçou como quem está prestes a repousar, e assim ficamos sabe-se lá quantos tiques do relógio. A última lembrança seria das minhas mãos também repousando em seus cabelos...

Era apenas um sonho..............................

terça-feira, 29 de maio de 2007

Sonhos podem ser distintos...

...[mas terem o mesmo significado!]




Ter sonhos seguidos, em dias seguidos é algum tipo de mensagem.. Creio eu. Mas e quando os sonhos seguidos tem todo o 'recheio' diferente, mas com as mesmas conclusões?.. Droga, queria dormir mais algumas horas pra saber o desfecho deles!

[Ou não.]


Um dia num lugar incomum, outro num lugar ainda mais incomum... Porém riquíssimo em detalhes. Acho que minha alma anda se soltando do corpo e indo passear longe...... Claro, pra quem acreditar em tal coisa!


Estranho como podem ser antíteses e ao mesmo tempo se completarem!.. Assustador, até... Se é assim tenho até medo de dormir hoje porque o próximo sonho deve ser ainda mais realista [seriam efeitos colaterais do I-doser?... Nahh, faz 1 semana que não uso, por aí...]

Mas a sensação é de um Lucid Dreams constante. Ir a lugares que eu nunca fui [pelo menos nessa vida] é algo que sempre aconteceu nos meus sonhos. De uns anos pra cá, raramente é verdade, sonhos premonitórios [sim, eu os tenho!] O que será que me falta?... To achando que a resposta está além-mar mesmo....



[e isso mataria dois coelhos, ou dois sonhos, com uma caixa d'água só... mataria literalmente as esperanças que tive de alguém, um dia...]




Nota do escritor: APOSTO que ninguém entendeu nada!.. Melhor assim, se fosse o contrário eu teria a impressão de que esse blog, como os tantos outros que já tive, não iria durar muito...