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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Idéia

Não duvidar.
Agarrar-se às idéias como se fossem a própria musa.
Deixar o mundo se mover, insano
Perder-se pelas janelas
E encontrar as palavras na roleta.
Deixar que olhem estranho
E estranhar a falta de interesse de todos.
Decorar o ritmo que imprimem
E destoar do mesmo apenas por transgredir.

Anotar na memória não as palavras
Mas as impressões.
Usá-las como o pintor com a tela em branco.
Lembrar, sempre, o que se quer contar.

Querer construir o mártir
E se contentar com o fora do comum.
Querer construir a musa
Achar a perfeição em cada uma delas
E querer morrer por ela, se existir.

Juntar tudo na mente
Que registra milhares de informações.
Esperar então que saia algo disso
Registrar finalmente as idéias
E corrigí-las, pouco a pouco
Fazendo das idéias, arestas.
Aparando e criando
Destruindo e desistindo

E ao final
Não querer mudar uma vírgula.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Alergia

É como se mesmo as melhores pessoas do mundo não fossem capazes de serem boas companhias.
Tem dias que simplesmente bate uma alergia a seres humanos. Tudo é ruim, quase nada se aproveita.
Eventualmente, claro, passa.
E volta de novo depois.

domingo, 21 de outubro de 2007

Reflexo

O sol bateu ainda fraco e sem força no vidro fosco
Primeiras horas do dia, silencioso
O vento calmo ainda dispersava as nuvens
Quando o reflexo da manhã traçou suas linhas no chão
O que aconteceu nesse tempo
Ínfimo e ao mesmo tempo interminável
Que pensamentos aconteceram
Neste tempo?

A música acompanhava meus pensamentos
O café já veia adentro como combustível
Queimando minutos
Coração a mil
O que aconteceu neste momento?

Foi o tempo que passou
Ou eu voei?
Não fôra, ao certo, um sonho
Eu surfava o mar de prédios
Com a mesma paixão adormecida pelo verdadeiro

Lapsos de microsegundos
Que povoaram minhas idéias
Como relâmpagos
Tentei acompanhá-los
Me perdi no meio do caminho
Quando o pensamento parou em você

E então os microsegundos se tornaram infinitos
Como ficção científica nonsense dos anos 60's

E eu desisti de contar os pensamentos
Pois me perder no meio do caminho
Me perder e me encontrar sozinho
Se tornou um vício

Quando naquele reflexo que bateu no chão
Eu só pude pensar em uma coisa

O sol que batia no vidro ganhou calor
Por alguns momentos me senti auto-suficiente
Em sorrisos indecifráveis

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Fagulha

Substantivo


fa.gu.lha feminino

1. centelha
2. faísca




Uma centelha, algo a ser descrito, porém é apenas uma levíssima sugestão.
Uma faísca, como a que sai do isqueiro por raros segundos e desaparece como se não tivesse existido.
Fagulha, substantivo feminino. Representa uma inspiração, uma sugestão, algo pelo qual se deve buscar o melhor das palavras para descrever as idéias plantadas.
A própria fagulha tem singela beleza, rápida, não se mostra a todos. Ilumina rapidamente e torna ao seu repouso, deixando no seu alvo a admiração e o agradecimento.
Então, cabe a este alvo de uma certa bela fagulha o agradecimento, e a promessa de ser sempre alvo!

Suspiro

É aquilo que acontece quando você se desliga do que se passa ao redor e solta um ligeiro escape de respiração...
Chamaram de suspiro, que de tão calmo e sublime, virou doce.
Alguns supersticiosos dizem que suspirar é deixar a felicidade escapar, e que salvando os suspiros e colocando a mesma energia em outras tarefas, elas se realizam plenamente, e em desejos, que eles se cumprem.
Mas, quem nunca suspirou não sabe o quanto é bom!
Ali, deitado numa rede, ou encostado numa árvore, ouvindo pássaros cantar e se concentrando em não fazer nada, soltar um singelo suspiro...
Pode alguma felicidade escapar nisso?

domingo, 26 de agosto de 2007

Fôra

No começo era tudo métrica, era tudo rima
Perfeccionismo na escrita, dicionário na mão
Procurando o sinônimo mais bonito, o decassílabo mais arrebatador
As duas quadras e os dois tercetos que melhor expressassem o sentimento

Antes era tudo obrigação, era tudo motivo
Forçava-se os acontecimentos para deles discorrer
Forjava-se o impossível para dele delirar
Exibia-se o projeto com o orgulho de um troféu

Fôra noutros tempos tudo muito cômodo
Perfeitamente arranjado para depois vangloriar-se
E tomar parte da criação, fazendo-se dela causa e conseqüência

Hoje porém se comemora o rompimento com a métrica
A livre escrita sobre o que paira na cabeça a qualquer hora
E a eternização de singelos momentos nunca d'antes relevados!

T. 26/08/2007

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Zumbis

Enquanto isto está para acontecer, as pessoas que matam o trabalho na frente do pc o dia todo lêem [acento em processo de extinção] isto abaixo:


[Não destaquei a quarta notícia porque, de qualquer forma, não deixa de ser importante...]

Sentirei falta da trema e do acento circunflexo...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Alva

Ela é lívida como um sorriso que arrebata
Ela é alva como a neve, macia como o algodão
Pintada como respingos de aquarela num quadro
Ela dorme como repousam os filhotes junto à mãe
Ela anda como se os quadris cantassem uma ópera
Fala como se a voz fosse uma sinfonia à luz do dia
Ela tateia como se não tivesse nenhum outro sentido
Ela respira como se o ar existisse para contemplá-la
E olha como se armas ou amores não fossem capazes de se equiparar a seu olhar.

T. 17/08/2007

domingo, 1 de julho de 2007

Reinventar [?] -parte 2

No anterior eu terminei falando sobre reorganização alimentar e hábitos de reciclagem. Agora vem a parte que eu mais gosto!
Quando se fala de 'moral' muita coisa vem à mente. Tentarei sintetizar pra não ficar amplo demais.
As propagandas hoje estão em um nível péssimo, horroroso e de muito mal gosto. Ou os publicitários perderam de vez o juízo ou então os bons se aposentaram e deram lugar a esta nova geração de pseudo-intelectuais formados em faculdades pagas [pelos pais], onde perambulavam mais pelos botecos do que nas aulas de Ética e principalmente de Língua Portuguesa. Eu tentei acumular as piores que tenho visto para comentar aqui, mas está difícil, visto que a cada dia [e sem exageros] aparece uma pior do que a anterior. Só pra citar top of mind, digo: a do novo Ford Fiesta [que numa pretensão enorme sentencia que pessoas diferenciadas têm que dirigir tal carro], a do VW Fox [que numa pretensão mais ridícula ainda diz que todo o mundo, veja bem, o mundo todo, tem que comprar seu carro porque assim o mundo será melhor], a maioria das propagandas de cerveja [que ainda insistem em atrelar a imagem do líquido a mulheres boazudas/siliconadas e pessoas que não existem. Outro dia, não sem quem foi, me disse que nunca viu essa gente de propaganda num boteco, só tem gente feia e bizarra. É evidente]. Enfim, pra resumir, as propagandas de hoje abusam da falta de ética e da imposição do consumo nas pessoas. E de fato conseguem, quase tão brilhantemente quanto as antigas mensagem subliminares da Coca-Cola nos cinemas no tempo em que não havia televisão...
A ética da Publicidade e das Companhias foi-se pras cucuias... E esse povo ainda tem a enorme cara de pau de pregar a 'liberdade de imprensa e expressão' perante o povo brasileiro. É tudo tão asqueroso que me dá alergia. E nojo, muito nojo dessas pessoas que manipulam as mentes fracas.
O que este parágrafo verborrágico quis dizer? Bem, quis dizer que ética hoje é algo em extinção, que não se transmite mais como valor familiar e por isso está fadada ao esquecimento ou asilo tão logo essa geração play-station se tornar adulta. Calafrios só de pensar que os adolescentes bitolados de hoje serão o 'futuro do Brasil'!
E é por isso que deixei pra falar sobre estes assuntos neste post. Porque conceitos morais estão extremamente ligados à transmissão do conhecimento para as gerações futuras. E isso não diz respeito apenas a familiares, pois professores são transmissores incansáveis de cultura e valores. Pena que estão cada vez mais esquecidos...
E cada vez mais mal-formados, cada vez mais desinteressados lá na faculdade, quando deviam aprender não só o conteúdo a se ensinar, como também a importância de transmitir bom comportamento e solidariedade aos alunos. E quero lembrar que felizmente ainda há exceções. Mas infelizmente poucas.
A isso se junta o 'nível dos alunos', que vai de mal a pior. Estão cada vez mais 'marginalizados' [os de escolas públicas] e cada vez mais mal educados pelos pais [os de colégio particular].
Tudo isso só contribui pra extinção de uma sociedade com interesses comuns e para a criação de uma na qual as pessoas são egoístas, egocêntricas e ambiciosas ao extremo, em detrimento do livre-arbítrio de pessoas que nada tem a ver com a ambição de poder e consumismo plantada por aqueles de quem falei lá em cima...
Com tudo isso no caldeirão que se chama 'sociedade', é cada vez mais difícil, e corajoso, o ato de se reinventar. E quem o faz é taxado e colocado sob suspeita pela tal 'sociedade' tal como era a fogueira da inquisição para os hereges [exageros a parte...].
E pensando bem, se eu ligasse para o que um conjunto de pessoas alienadas pensam, eu estaria bem magrinho, literalmente. E muito mais burro.


P.S.: Passarei, ao invés de escrever mil e um marcadores, a escrever alguns que sintetizem a coisa toda. [Acho que to pegando o jeito...]

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Reinventar [?] -parte 1

Aparte da propaganda do banco que utiliza a palavra do título como um belo enfeite para seus propósitos mercantilistas, o ato de se reinventar hoje é mais que necessário, é vital. Reinventar hábitos, mudar velhos costumes, olhar pra frente com tons de preocupação sobre o que vamos deixar de herança pro nosso planeta e para nossos descendentes.
Explico: pode ser só eu [tomara que não], mas antes mesmo de ter um enfarte na família eu já me preocupava ligeiramente sobre hábitos alimentares, reciclagem de materiais [e ambos estão atrelados], transmissão de conceitos e hábitos de infância pra minha sobrinha, que vai encarar um planeta muito severo, sem demagogias.
Isso de se preocupar com alimentação, 'levar uma vida mais light', há pouco tempo era visto como uma grande frescura. Hoje ainda algumas pessoas insistem em pensar assim e ignorar os avisos que o nosso planeta "chapado e aquecido" nos manda. Eu quando parei de consumir carne vermelha tinha a intenção de me reeducar, e na época com meus 20 anos +/- eu sabia que isso seria muito difícil. Sempre achamos. Fui gradativamente cortando, me sentia melhor por não contribuir pro aumento de CO2 na atmosfera, além de evitar a morte de alguns bois...
Depois veio o leite. Dava azia, não me caia bem pela manhã. Foi duríssimo cortar isso pra quem chegou a beber 1 litro de leite por dia no fim da adolescência. Sem carne e sem leite, passei a tomar muito mais água. Resultado, esses dois não me fizeram falta e a água deu uma equilibrada no organismo. Aí começou o pensamento de 'reciclar'.
A prefeitura havia implantado a coleta de materiais recicláveis, alternando com os dias de coleta do lixo orgânico. Resultado?.. Acho que não muito bom, porque a coleta reciclável logo parou. Porque as pessoas não ligam de jogar no mesmo saco de lixo uma caixa de leite ou um bagaço de laranja. Todos pensam que lixo é lixo e isso não fará diferença.
Como somos tolos.
Então em casa começamos a separar o reciclável mesmo assim, pois sempre passam catadores de papel e objetos recicláveis antes da coleta passar. Estamos ajudando pessoas que vivem disso, ajudando a natureza e ajudando a colocar o devido lixo no devido lugar. Isso todos deviam fazer...
Ultimamente isso me veio a cabeça de uma outra forma. Quem passa e recolhe este lixo sabe dos hábitos alimentares de toda uma família. E deve pensar "como esse povo consome!" E é isso mesmo, somos consumistas ao extremo, frutos de nossa época.
Depois então da carne e do leite, o próximo passo... Gorduras. Uma parte fácil, pois cai mal no fígado. Troquei então por fibra alimentar. Muito pão integral, verduras, até legumes -que eu detestava- e meu organismo agradeceu e passou a ter, pela primeira vez, um relógio interno. Vejam bem, melhorias requerem esforços. E esforços dependem da força de vontade de cada um.
Passados então os alimentos gordurosos, algo que era inimaginável. Bebida alcoólica. Afinal, depois de alguns anos de exagero o organismo também dá seus sinais. Difícil, mas surpreendentemente... Nada impossível! E os meses vão passando, falta não faz, e quando houver alguma ocasião realmente especial, com muita moderação posso até provar.

E pra não perder o fio da meada dividi este texto em dois textos, na verdade. A dificuldade de formular um formato para algo que estava na minha cabeça há muitos dias é grande, e ainda não o encontrei. Portanto neste primeiro eu discuti alimentação e reciclagem. No próximo vem os conceitos morais e transmissão de experiências para a próxima geração. Se algo faltar eu faço um terceiro com a conclusão!

sábado, 9 de junho de 2007

Textos antigos: "Olhar"

Esse eu escrevi no metrô, na minha cabeça, e quando cheguei em casa passei pro 'papel'...
-



Olhar

Queria ver as coisas
Pelos seus olhos...
Queria ver como você vê a todos
Ter novamente a esperança
De que tudo pode ser melhor
Como no mundo de uma criança
Queria eu estar presente
Nesse seu olhar
Queria fazer parte de seu mundo
Ter alguém como você para cuidar

Queria ter a energia
Desses seus olhos...
Queria eu novamente ter a alegria
De olhar para o céu sem me lamentar
Queria enxergar de novo
O que deixei de me importar...
Queria eu estar sempre perto
Desse teu olhar...

Mas de repente tudo muda...
Que tristeza é essa que invadiu seu olhar?
O que há de errado a te perturbar?
Pois nada nesse mundo devia
Ter força pra te derrubar...
E eu me pergunto...
Será que um dia
Novamente, vou poder te encontrar?

Será que um dia reencontrarei esse olhar?
Algum dia estarei com alguém como você?


T. Dezembro 2003

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Mudernidade

[pedindo licença para a autora da interjeição do título]...

No dicionário, temos como mais perto de 'modernidade':


modernice s.f. 1 Apego exagerado a coisas ou idéias modernas. 2 Mania de querer passar por moderno.


E para nós, seres humanos do século XXI, dotados de polegares opositores e o chamado 'livre arbítrio', mudernidade vem a ser algo muito comum, caminhando próximo com a modernice.
Hoje tudo está na rede. Quer achar um endereço? Sites de mapas temos vários. Quer fazer uma pesquisa? Wikipedia está lá maravilhosamente nos esperando. Quer achar sites com conteúdos específicos, ou mesmo aquele poema que você não acha mais porque seu livro do colégio está perdido em algum lugar do passado, Google nele!
É tudo tão fácil que chega a ser ridiculamente preguiçoso. Graças ao bom Deus nos meus tempos de colégio o Google ainda caminhava, pois assim aprendi que trabalho escolar não é ctrl + c, ctrl + v e ctrl + p... Há até poucos anos atrás aprendíamos a pensar, hoje aprendemos a pesquisar e copiar, e os microssegundos que a pesquisa dura dão uma noção do 'orgasmo intelectual' que é procurar algo na rede... Hoje há de tudo, até em exagero. Muito exagero, por sinal. Nos meus tempos de colégio sofríamos de escassez de informações na rede, assim tínhamos o hábito de pegar livros na biblioteca [ah sim, na faculdade também, mas nela havia a desculpa dos conteúdos serem extremamente específicos...] Hoje não, sofremos sim pela superabundância de informações. É tanta coisa em tanto lugar que separar o joio do trigo não é pra qualquer um...
E isso se levarmos em conta apenas a esfera de conteúdo 'útil' da rede, pois o inútil é amplamente maior [redundantemente dizendo]. Programas dos mais diversos, cada um pra um tipo específico de ação. Quer baixar músicas ou vídeos? Há um programa. Quer proteger o computador? Existem vários tipos de programas, do antivírus ao firewall... Quer se comunicar? Nossa, programas de mensagens instantâneas são cada vez mais diversos e multifuncionais... Faz- se de tudo para que você não saia da frente da tela por um minuto. Jogos, conversas em vídeo, áudio, manuscrito, chats... Se duvidar logo vai ter como mandar sinal de fumaça por eles!
[E vejam bem, ainda nem falei dos sites...]
Ah sim, pois bem, os sites. Com a explosão da internet no nosso país, quando a internet gratuita surgiu, eles foram ficando cada vez mais aprimorados. Novas linguagens de programação eram dominadas pelos nossos amigos que identificaram nisso uma boa oportunidade pessoal, financeira, etc etc., com a contribuição, claro, da melhoria gradual nos hardwares dos usuários de computadores. Sites de jogos, enciclopédias virtuais, comunidades mundiais de pessoas, postagem de vídeos, blogs, fotos, etc etc...
Muito bonito e próspero, por sinal.
Mas aí há um pequeno problema, que começou como uma coceirinha de nada e foi crescendo... E crescendo... E logo se tornará um problema de âmbito nacional: nossas redes de telecomunicações, sob raras exceções, são velhas e desgastadas. Alguns muitos lugares do Brasil nem banda larga têm ainda [e vejam bem, nem são lugares isolados.] É no mínimo curioso que no país da urna eletrônica [que já deveria ter sido exportada] não haja uma rede de telecomunicações capaz de dar conta do fluxo de informação que rola na rede. Claro, por isso todos nós temos uma grande culpa, com nossa avidez por nos mudernizarmos...
E nos irritamos a ponto de querer descontar nos nossos 'pobres' hardwares, que nada têm a ver, estão ali se esforçando, como máquinas, para nos trazer tudo que os dedos clicam através do mouse e digitam pelo teclado. É tão engraçado que para dormirmos tranquilos temos que dar um alt + F4 na mente, senão ficamos pensando no que deixamos de fazer na rede no dia que passou...
Para terminar, um ótimo exemplo do que a mudernidade nos traz: o ato de emular [reproduzir com efeitos próximos] as coisas. Começou com jogos de videogames quase extintos, como nosso saudoso Atari, e hoje já emularam até as drogas. E com resultados muito próximos aos reais. [Aí os leitores vão me perdoar, mas eu como bom careta que sou, nunca experimentei drogas ilícitas...]
Mas confio, evidentemente, na descrição de quem já as tomou. E a emulação de sentimentos não parou com as drogas não. Estão indo cada vez mais longe, reproduzindo sensações do big-bang [sim, aquele mesmo que originou o Sistema Solar], de estar sonhando acordado [e eu realmente me senti levitando!], sensações de estar fisicamente com alguém que não está perto de você [e olha que os resultados são bons...], sensações de criatividade e inspiração, e, pasmem, até de orgasmos.
Ahh, essa mudernidade... Eu prefiro ser careta, baixar e-books pra ler, ter conversas com pessoas cults que tenham gostos que completem os meus, passar o tempo a toa pesquisando sobre filósofos dos quais eu ainda não li as obras, ver filmes que me deixem com cara-de-ponto-de-interrogação, e , principalmente, procurar nessas poucas pessoas algo que me inspire, que me incite. E consegui. Obrigado, Srta. autora do termo que eu tomei emprestado! Me deixaste com o ponto de interrogação na testa, hoje.
E, ao elaborar um texto capaz de descrever toda essa mudernização em minha mente, a sensação quando a conclusão deste texto pseudo-explicativo se aproxima, é a de um orgasmo intelectual. Desta vez sem aspas, porque essa é uma sensação que mesmo os brilhantes técnicos do I-doser devem demorar MUITO a conseguir reproduzir...

[Ah, como eu amo a metalinguagem.......]

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Díspar

Díspar
Ímpar
Dispara um coração por causa de uma beleza desigual
Um, dois, cinco... Números primos, irmãos na admiração
Contemplam todos uma jóia lapidada
Uma raridade marcada, como toda preciosidade
Com suas marcas, feridas ainda abertas
Mas nem por isso, e muito pelo contrário, menos bela
Alguém que, como o mais belo pássaro
Por mais que seja admirado, merece voar
E escolher por si só seus próprios caminhos
Só quero estar perto de você para também voar
Quem sabe, ao seu lado...

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Magnífica

Um dia de sol, um dia tranqüilo
Você acorda com o verso na cabeça, 'ou isto ou aquilo'
Você é verso ao olhar o céu
E prosa ao dar bom dia ao mundo
É poesia em construção ao longo do dia
E vida em ebulição no calor da noite fria

É um nome em destaque na multidão de letras
Um rosto iluminado em meio a corpos em movimento
É um arco-íris de sentimento destoando do cinza habitual

É aquele poema do Vinícius que todos adoram
Duas quadras, dois tercetos
Decassílabos

É a crônica de Mário de Andrade
Que quebra as linhas, as formas, as métricas
Abusa suavemente e sem fazer alarde
Dos teus monossílabos e da tua natureza
E delineia sua beleza, tal qual duas árvores são belas
Sem serem, de longe, idênticas

É a conjunção de rimas perfeitas
Como fosse seu existir uma gramática aberta
Em qualquer página aleatória e incerta
Certamente esperando uma tradução
Uma resolução, uma revolução
Um reflexo de seu sorriso, que, preciso
Arrebata, aplaca, encanta, enquanto
Você o pratica

Magnífica...


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T. 28/05/2007