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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Adeus às máquinas

E então, houve a indefinição -mais uma- e a máquina parou no tempo -outra vez.
O operador já havia perdido a conta de quantas houveram. E também sabia que neste ritmo de operação viriam outras.
Com seus leds mais novos, ultramodernos, e com mais capacidade de processar informações valiosas.
Porém, o operador se estafou de deixá-las a cargo de uma máquina tão complexa, e que nos momentos de dúvida agora simplesmente entrava em stand-by.
Ele precisava de uma nova máquina, mas não uma que apenas substituisse aquela denominada 'coração'. [nome deveras estranho].
Passou a usar uma muito mais avançada, e com prazo de validade ligeiramente mais longo [embora fosse mais misteriosa e difícil de se operar].
A nova máquina chamava-se 'cérebro'. Era realmente mais estranha. Muito mais protegida por causa de uma tal 'caixa craniana'. "Só algo muito valioso seria protegido assim", pensou, e por fim decidiu arriscar-se a desvendar seu funcionamento.
Com o passar do tempo o operador notou que ela era o exato oposto da máquina antiga. Era fria e extremamente minuciosa nos seus cálculos [ao contrário da outra máquina que necessitava de calor, pff!].
Suas decisões eram baseadas não no feedback de outros[as] operadores[as], mas sim pela sua própria lógica. Poderia se dizer que era uma máquina 'egoísta'. Não importa, o operador se deu muito bem com ela, e era isso que importava afinal.
Porém, como toda decisão importante sempre leva um lado em consideração [em detrimento do outro lado], a máquina nova em seu egoísmo prezava muito mais pelo bom-funcionamento do operador. Sendo assim, outros operadores e operadoras com suas respectivas máquinas [das antigas, movidas a calor] entravam em ligeira discordância com vosso operador sobre diversos temas. Pior, os principais eram justamente temas referentes ao princípio básico de funcionamento das máquinas antigas: o calor.
Vosso operador [e sua respectiva máquina multi-funções] discordava de todos os outros. Por um motivo claro, sua máquina era diferente. Mas nem todos entendiam assim...
Embora não fosse ele, de longe, o primeiro a usar esta nova máquina [muitos outros antes dele a usaram para diversos fins e outros continuam a usá-la], ele foi audacioso em usá-la para um fim que originalmente não lhe era designado [tomada de decisões importantes em relação ao lado pessoal]. "Pois bem, se a máquina utilizada para isso é alimentada por calor, ele interfere nas decisões!", pensou. E por que não utilizar uma máquina que, ao invés dessa, se utilizasse da lógica [e da frieza]?..
Porém, nem tudo são flores para o operador e sua máquina. O fato dele utilizá-la para esses fins realmente incomodava diversas pessoas, entre as quais, amizades dele. "Como pode alguém ignorar a máquina coração?", perguntavam. "Máquinas são máquinas" -respondia ele- "Cada uma puxa a resposta para o seu lado".
A máquina nova -muito mais capacitada e com áreas de atuação diversas- também dava problemas maiores: constantes dores de cabeça para o operador. Tinha que ser desligada e reparada com mais constância do que a outra [apesar de funcionar melhor sob o efeito do que chamam os humanos de 'alcool']. E para completar, o constante uso da máquina mais fria tornou também o operador mais frio. Algo lógico, evidentemente, já que se trata de uma troca de calores.
E os operadores e operadoras não gostavam muito desse jeito frio de ser do vosso operador. Ou seja, por mais que resolvesse problemas antigos, a adoção da máquina nova também trouxe novos para serem eqüacionados. Diante disso, o operador enxergou mais um dilema. "O que fazer?" -perguntou-se, ao invés de perguntar à máquina.
E então decidiu-se pela mais absurda das decisões, visto que é um humano: abandonou as máquinas. Por mais difícil de entender que isso seja, e confesso, não consigo processar essa informação, o operador livrou-se de todas elas, diz agora tomar decisões por algo chamado 'impulso', o que parece-me algo deveras perigoso, devo acrescentar.
E é por isso que as máquinas, lentamente, uma a uma, vão perdendo popularidade entre os operadores. Esta que vos fala é mais uma que está a mercê de algum operador[a] que esteja buscando processamento de informações com velocidade e agilidade. Estranhamente, parece-me que os humanos buscam cada vez menos isso para suas decisões pessoais e cada vez mais para suas decisões profissionais. Assim, convenhamos, não há máquina que resista. Afinal, é para isso mesmo que existem duas: uma movida a calor e outra a frieza.
Entendê-los é por demais complicado. Espero que eles não temam por uma revolução nossa. Eles não teriam chance alguma...

Ass.: Uma máquina evoluída [e desempregada].

domingo, 7 de dezembro de 2008

Coração Stand-by

Há bastante tempo atrás havia uma máquina, e um operador. A máquina sempre funcionou bem, e o operador sempre a operou da maneira correta.
Há algum tempo
atrás um led foi acionado. Ele entraria em funcionamento toda vez que o operador gostasse -demais- de uma operadora, serviria como um 'alerta'. Servia também para seu propósito inicial: proteção.
Sim, proteção, pois ele surgiu após uma revolução, que, como sugere o nome, devastou. Trouxe muita coisa boa também, antes que se pense o contrário. Porém, inevitavelmente o led foi acionado -para melhor funcionamento da máquina, que passou a trabalhar sob baixo consumo de energia. Ou seja: estava menos quente, ou mais fria se preferir.
Não é um daqueles casos de ficção da máquina que se volta contra os humanos. Na verdade pode até ser, mas isso ficará a cargo do seu julgamento ao final deste relatório, se é que a complexidade dele não será tamanha que impossibilitará isto.
Antes do led a máquina funcionava bem, porém consumia muita energia. Para alimentá-la eram necessárias doses diárias de adrenalina e relacionamentos -diversos, por sinal. Mas o operador conseguiu mantê-la nessas condições, talvez até conseguisse continuar se não houvesse a revolução.
Mas, ela veio.
E então no começo o led parecia incômodo. Era estranho deixar a máquina 'meio ligada' e 'meio desacordada', mas o operador percebeu uma notável diferença nos anos seguintes: a máquina não dava problemas, não se envolvia em questões que não lhe fossem determinadas pelo operador e, sendo menos quente, não necessitava tanta alimentação, deixava o operador com tempo livre para procurar outros gostos, conhecer mais pessoas. Porém, a máquina não lhe deixava conhecê-las a fundo, pois aquele led sempre piscava quando algo assim perigava acontecer, lhe tirando a atenção e tendo que deixar as pessoas com a impressão de que ele ficara dias, semanas sumido, quando na verdade estava 'discutindo' com a máquina se o fato de acender o led sozinha era ou não sua função.
Ali já se percebia que a máquina interagiu tão bem com o operador nos primeiros anos de vida que já podia tomar decisões antecipadamente sem que ele lhe ordenasse. Ótimo por um lado, pois ela repelia quaisquer acontecimentos que ele outrora lhe havia ordenado, criando um padrão. Porém, este padrão não poderia ser aplicado à todas as pessoas, pois cada uma tinha uma máquina diferente, e pensamentos e interações diferentes.
Com isso o relacionamento do operador com a máquina já não era 100%. Tudo bem, ainda conviveram perfeitamente por mais alguns anos, algumas vezes o operador se cansava da máquina, e a máquina não se cansava do operador, pois ela era máquina.
E o led sempre acionava-se sozinho quando o operador quase conhecia a fundo outras máquinas de outros operadores [as]. Isso gerou um certo desconforto no operador, pois mesmo que ele outrora ordenasse a máquina a acender o led de atenção, algumas vezes ele realmente gostaria de saber o que se passava em outras máquinas de outras operadoras. Queria saber se alguma operadora passava dados dele para sua própria máquina. Ele [o operador], precisava saber disso, pois ele era um humano e tinha as inseguranças e necessidades de um humano, ainda que mais controlado que os outros porque a sua máquina era teoricamente mais inteligente que as outras devido ao baixo consumo de energia, entre outros fatores.
Era um humano operando uma máquina. Já a máquina, mesmo 'quase metade' humana, não precisava saber de outras máquinas, pois máquinas avulsas não conseguiriam trocar informações sobre elas mesmas. Precisavam de operadores [as] para isso. E cada máquina era 'parte' de cada operador [a], se bem que alguns operadores a tiram da tomada e saem conhecendo outras máquinas como se diz 'bom-dia', e outros ainda a deixam ligada direto, o que provoca sérios riscos de mal-funcionamento em virtude de um problema classificado pelos humanos operadores como tédio.
Mas voltemos então. O operador queria saber se outras operadoras passavam às suas respectivas máquinas informações sobre ele [e sua máquina também, claro]. Então ele combinou com sua máquina de tentar ir um passo mais adiante no relacionamento com as pessoas, e a máquina concordou sob a seguinte condição: se o led piscasse, era sinal de que ele estava correndo muitos riscos, e teria que se retirar -ou sumir, como entendem os outros operadores [as].
Pois então o operador tomou esse passo a frente, mas sempre voltava porque tinha a certeza de que o led piscaria se ele continuasse a trocar informações com outras operadoras. Ficara refém de sua própria máquina, mesmo ela não tendo culpa, afinal, era uma máquina.
O led já não havia sido acionado há um tempo, pois para o operador o tal 'pisca-pisca' havia se tornado uma mania. Sozinho, sem a interferência da máquina [que não podia aconselhar o operador, pois era uma máquina] ele mesmo acionava o led 'mentalmente' antes de trocar informações relevantes sobre ele -e sua máquina- com outras operadoras e suas respectivas máquinas.
Bom, a história parece confusa e cheia de reviravoltas, mas na verdade não é. Se chegou até aqui, tenha a certeza de que lendo mais uma vez -ou mais algumas, pois alguns operadores [as] e suas respectivas máquinas são mais lentas que as outras- você entenderá. De fato, a própria máquina em questão é lenta, pois acompanha o ritmo de seu operador.
A máquina -contando o período a partir do surgimento do led- já tinha uns cinco anos. Não era velha, longe disso, mas passou a precisar de mais calor gradativamente. E para buscar mais calor era necessário o operador ir buscar mais informações de outras operadoras e suas respectivas máquinas [algo que os humanos gostam de chamar de afeto]. Estava desenhado ali um caminho que colocaria em risco o bom funcionamento da máquina, do led e do operador: ele buscou mais e mais informações, e sem notar [pois é para isso que existia a máquina] o led deixou de acender uma única vez. Foi o bastante para ele colocar a máquina e a si próprio numa situação embaraçosa, pois as informações conquistadas davam a entender que uma operadora [e sua respectiva máquina] gostariam de ter a companhia dele [e, claro, da sua máquina e talvez até do led]. Neste momento a máquina, inábil nos assuntos particulares dos humanos operadores, disse que não poderia ajudar o operador neste caso, e ele ficou no que chamam os humanos numa sinuca de bico. Caberia a ele então resolver sua pendência com a operadora, e ela por sua vez com sua máquina.
E então o operador fez uma última pergunta para sua máquina: "Você acha que eu devo fazer com que eu e ela -e você e a máquina dela- trabalhemos juntos?"

E é por isso que este relatório de erro está tão extenso, caro "Criador", pois como pode perceber não sou eu que tenho a resposta para a pergunta de meu operador, e de fato ele deixou o meu led em um constante 'stand-by' porque até eu conseguir a resposta, nem eu poderei me reportar a ele, e nem ele poderá me passar outras funções.

P.S.: Este relatório poderá ser mostrado a quaisquer humanos [ou sobre-humanos] que o Senhor achar por bem, pois qualquer ajuda neste momento é bem-vinda, e as super-máquinas que aí estão com o Senhor talvez saibam a resposta que eu preciso dar a ele.

P.S.2.: Desculpe por reportar-me na terceira pessoa do singular, caro Criador, pois é delegado apenas aos humanos apresentar-se na primeira pessoa, algo que eles chamam relações pessoais.

P.S.Final.: O operador entrou em um estado de insônia, algo que -dizem os humanos- é causado por preocupações que lhe tiram o que chamam de sono, que é algo que eles fazem para descansar e repor as energias. Por isso, esta máquina que lhe fala está seriamente preocupada com a saúde física e mental do operador, pois me parece que para os humanos é extremamente necessário desligar-se de suas máquinas por algumas horas diárias.


Ass.: Uma máquina modelo 1984-14/07 em stand-by.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Forte Vício

Vicioso. Seja qual for a ocasião, o traje, a situação. Percebe-se um alvo em potencial, apenas para testar. Fixa o olhar no alvo, de óculos escuros ou não, cabelos curtos ou compridos, com uma certa preferência para as cores escuras,  é verdade. Contando os segundos, intermináveis e ao mesmo tempo escassos... Se não retribuem, é só mais um motivo para tentar outra vez, com outro alvo.
Não se faz uma estatística do tipo [apenas aqueles que gostam de se gabar], mas sempre há um olhar correspondido. Talvez melhor que muitos esportes. Mais satisfação por um olhar e um sorriso do que o gol do próprio time, sem dúvida!
E não que isso seja motivo para se considerar um galã, longe disso. É apenas algo prazeiroso, revitalizante. No meio da multidão, alguém pensa o mesmo que você. Quem sabe, talvez, o olhar e o sorriso queiram dizer "Eu também não sou desse mundo. A gente ainda se esbarra"

Pode até ser devaneio... Que seja!
Vale a pena ser louco e viciado!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Rumo ao sul

Antes, a madrugada que não acabou...
-


[diário de viagem de um louco]...
parte 6


E continuavam todos andando rumo a avenida. Conversas, risadas, bebidas... Tudo ali era embriagante e dava vontade de ficar por ali por mais tempo. No caminho iam se juntando mais pessoas ao grupo, que logo tinha mais de 10 pessoas. Até, então, pararem todos estrategicamente ao lado de um boteco, ficando alguns sentados perto pra esquecer do frio, e outros em pé, conversando e bolando teorias para também esquecê-lo...
E as teorias sobre o mundo e as músicas Gessingerianas também faziam mais sentido que nunca. Tudo fazia. O frio é apenas um mero detalhe, tudo aqui está agradando...
Cerveja pra uns, canha pra outros... Isso é forte pra mim, socorro! Dou umas bicadas e já me sinto mais quente, mas não posso continuar... Risos por toda a parte...
Então um beijo com gosto de cigarro, canha e refri... Isso eu jamais esquecerei....
Vida a fora, noite a dentro
, as horas vão passando, alguns mugrando, outros se animando ainda mais... O dia seguinte é dia de Formatura para uns, e divulgação da festa para outros... Mas ninguém pensa nisso agora, vamos deixar o dia amanhecer.
E de fato, amanhece... Então acompanhamos os que moram ali perto... E depois caminhada de volta ao hotel, já estou acostumado!
Mas no caminho temos que terminar essa canha... 6, 7 da manhã... Hoje nem vou pro café da manhã, é chegar no hotel e desabar na cama!
Feito isso, então, só acordo lá pra 1 da tarde... Mesma rotina de banho, arrumar, sair pra rua, almoçar... Depois uma passada na lan-house. [Sim, finalmente achei!]
Uma hora e meia depois, notícias dadas aos amigos de outras partes, volta ao hotel, telefonemas... Marcado então na casa dos amigos ali do lado. Hoje todos vão à tal formatura... Mas nós temos outros planos. Uma passada no 'Q.G.' para decidir e então vamos ao tal boteco em que todos se reúnem. Distribuir flyers, folhetos... Até eu vou entrar nessa, afinal estou aqui mesmo!
Mais tarde uma parada pra abastecer no Q.G. e então pé na rua até de manhã. Colar cartazes!
Cola caseira pronta, cartazes nas mãos... Bóra pra rua que a cidade tem muitas ruas a se percorrer. E essa noite seria mais uma das memoráveis...


[continua...]

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Um post 'Ludovico' !

Sabemos que tendo boas influências musicais e literárias fica bem mais fácil escrever algo. E não a toa, desde cedo eu fui rodeado de boa música e literatura. Família rica em todos os sentidos. Da música clássica ao Vinicius de Moraes, do Drummond a Bossa Nova. Só não tive aulas de 'Mutantes' porque eles eram demasiado loucos para os gostos da minha famiglia. E nisso havemos de convir, eles eram mesmo! Mas estou chegando neles através de seus 'influenciados', digamos assim.
Que Engenheiros do Hawaii, através de Humberto Gessinger, são minha influência-mor, isso todos sabem... MAS, desde que conheci esta banda, mais ou menos em 2004, minha vida mudou. Essa banda se chama LUDOV.
Não seria útil eu descrever a história da banda, afinal a mudernidade ta aí pra quem quiser... Agora, que banda do caralho!
Foram ganhando admiradores no underground paulistano. Quando lançaram o 2º cd foi algo arrebatador. É daquelas bandas que se você perguntar pra várias pessoas muitas não conhecerão. Mas se você perguntar pra quem conhece, com certeza essa pessoa te dirá que a banda é sensacional.
E por que arrebatam tanto? É simples. Letras muito bem construídas, poesia, prosa ou verso, com melodias agradáveis pra qualquer momento, e logo se tornam viciantes. A vocalista Vanessa Krongold tem um talento vocal e de simpatia comparáveis a sua beleza... E os letristas Mauro Motoki e Habacuque Lima fazem cada vez músicas melhores, as vezes junto da vocalista. O resultado é algo que te deixa flutuando, perdido nos pensamentos que as letras trazem. Letras muito bem escritas, mas ao mesmo tempo simples.
Ludov é daquelas bandas de você querer parar o mundo pra ouvir. E se você não puder parar o mundo, vai conseguir, no mínimo, abrir um sorriso aberto no rosto enquanto ouve. Se o mundo estiver frenético você terá a sensação de flutuar, sentirá vontade de cantar a plenos pulmões esteja onde estiver. E se estiver no sossego, terá vontade de deitar olhando pro teto e imaginando mil situações, acontecidas ou não.

Pode ser só a minha opinião, mas Ludov dá barato melhor que I-doser!
E melhor eu parar de falar e deixar a cargo de vocês ouvirem ou não...


site da banda: http://www.ludov.com.br/
letras: http://ludov.letras.terra.com.br/

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Rumo ao sul

Na última parte, a hora do jogo...
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[diário de viagem de um louco]...
parte 5


Muita tensão e pouco futebol. Pelo menos a companhia era agradável. Se não valeu pelo jogo, valeu pela bagunça... E depois, mais alguns momentos tranqüilos, mp3 player compartilhado a dois até quase cochilar no sofá...
Depois, então, mais caminhadas até a casa de outros amigos. Parando pra ver tv, falar besteiras e comer mais um pouco... Haverá uma festa essa semana, então há várias reuniões pra definir as músicas e como será feita a propaganda.
Então sentam-se todos numa cama, outros na poltrona... A distração é Guitar Hero, viciante! Aquelas músicas já grudaram na cabeça, ajudando a formar a trilha sonora da viagem...
A despedida hoje é um pouco mais tarde. Amanhã é véspera de feriado, dia que todos ficam na rua... Até a manhã seguinte. Então uma caminhada tranqüila de volta ao hotel, e os planos pra longa noite de amanhã...
Dia seguinte, o sol da tarde ajuda no frio, mas as conseqüências daquele chuveiro frio e da umidade desse lugar já fizeram efeito... Gripe. Nem a rinite, nem a sinusite. É gripe mesmo, das fortes... Lenço no bolso e vamos pra rua então!
Mais uma reunião e fica decidido como serão os cartazes e flyers da festa. Divulgação só amanhã, porque hoje é dia de todos irem aos botecos beber e falar besteira. Já não era sem tempo!
A noite então, se encontram na casa de alguém e vão todos juntos. O lugar é famoso, há tanta gente que a maioria prefere ficar do lado de fora mesmo, em pé, encostados nos muros ou sentados nas altas calçadas. Conversando, me divertindo, e por que não, tomando uns tragos também!
Conhecendo mais gente, vendo quem eu não via desde a chegada, o frio já nem importa tanto assim! Vou lá dentro pegar mais cerveja pra todos então... Mas a cerveja acabou?.. 'Vamos comprar no bar ali do lado então', dizem os que estão habituados com o lugar... Eu concordo, compramos mais bebidas e continuamos as conversas. Mas, na falta do líquido dourado, o boteco fecha cedo... Que fazer?.. 'Bom, vamos dar umas bandas até a avenida', sugere alguém ali... Então vamos todos, um grupo de jovens 'pensando bobagens, bebendo besteiras', mas nem tão bobagens assim! Ali, talvez a experiência mais rica de intercâmbio com o pessoal de lá: enquanto seguem todos andando, bebendo [e alguns fumando] pra espantar o frio, discussões sobre a sociedade em geral, músicas, comportamento... E em especial o nosso ídolo em comum, Humberto Gessinger, que profetiza suas palavras na forma de músicas, e nós o seguimos, olhando o mundo de forma diferente do resto... Aquela noite pode ter acabado, mas aquele momento foi eterno. A leveza de se sentir em casa em ruas tão geladas, mas cheias de calor e companhias agradáveis. Tudo isso dava um gosto de 'quero mais' no meio da viagem, e ao mesmo tempo uma impressão do que seria deixar tudo isso pra trás...


[continua...]

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Textos antigos: "Cidade Grande p.m."

Eis a segunda parte... Se completam...
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Cidade Grande p.m.

Não é o cansaço pós-almoço
É a tarde lenta, é o dia lento
Não é o sol descendo
Por trás dos prédios no fim da tarde
Não é voltar pra casa
E encontrar o silêncio
É a casa ficando escura
Um cd tocando solitário
A vontade de sair um pouco

Não é sair com alguns trocados no bolso
Até o bar da esquina mais próximo
É o gole de cerveja
Cada vez mais amargo sem o seu riso

É você não comentar
Do meu corte de cabelo a noite
As paredes não ecoando
Nossa conversa, cada um em um cômodo
É a gente não fazendo planos
De viagens, do casamento, dos filhos, do futuro
É a gente não se abraçar
Namorar por horas que são escassas demais
É a gente não olhar o outro
E não precisar dizer nada
Não irmos dormir juntos
Quando chegar a meia-noite
É a falta de você


T. 19/10/2004

Textos antigos: "Cidade Grande a.m."

Estes são meus 'bebês', os dois dos quais mais me orgulho de ter escrito...
E surgiram prontos, só transcrevi pro papel, sem computador, sem sono, sem muita coisa pra fazer na época...
Espero que gostem!
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Cidade Grande a.m.

Não é dia ainda
Tampouco é noite
Os pássaros vêm à janela
Para nos acordar
A cidade no seu movimento contínuo
Começa a se encher novamente
Um café forte, uma chuva fina
O céu escuro e cinzento
Numa manhã de Primavera que conserva
A tristeza do Inverno
Não fosse pelas árvores verdes
E flores que voltam a aparecer

Não é a casa vazia
É uma pessoa solitária
Olhando pelo vidro embaçado
O amanhecer frenético do mundo
Um mal necessário
É uma foto tirada
Com um fundo em movimento
Sem opção, apenas uma pessoa
É o meu lugar vazio, quase sem vida
Hora de cuidar das plantas, depois sair

Não é seu travesseiro intacto
No seu lado da cama
É a sua falta à esse lugar
A incerteza de que irá voltar
Não é a tv falando sozinha
É a poltrona sem vestígios de ser usada
Não é o ar poluído, não é o barulho
Entrando pelas janelas
É a sua voz que não se ouve mais
Por aqui, ultimamente

Não é a pressa de sairmos
Juntos, para ganhar o dia
É a lentidão com que tudo funciona
Não é a longa madrugada
É olhar para o teto e falar sozinho
Não é depressão
É só a tristeza de você não estar aqui
Não é o ritmo lento da manhã
É o pensamento em uma só coisa
Pessoa, tempo e lugar

T. 19/10/2004

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Vida [Su]real - Take 3

Talvez o mais difícil de se tirar conclusões... Fragmentos perdidos na memória, jogados aleatoriamente como um quebra-cabeça me esperando para juntar suas peças.
Unindo elementos comuns em vários dias [seguidos ou não], poderia chegar à conclusão de que o ambiente parecia sempre o mesmo. Alguns amigos ocasionalmente, algumas festas ocasionalmente. Mas, seguramente, aquele era o meu ambiente. E só meu.
Peças aleatórias do quebra-cabeça me apareciam a qualquer hora, como desafios a se investigar, como um autêntico detetive do século XX, ou, com um pouco mais de efeitos Hoolywoodianos, um 007 de Ian Fleming. 'Armado' com a minha astúcia e destemido com a minha liberdade, o ponto fraco era algo que nem a mente, em seu repouso de sono, pode controlar: hábitos desastrados.
A partir de então o filme policial ganhava tons de comédia, e as peças do quebra-cabeça, antes brancas e lívidas, iam ganhando pinceladas de tinta, formando então algo. Restava então encaixá-las para descobrir o que seria 'algo'....
Ora perseguidor, ora perseguido, as peças iam se encaixando lentamente, ao passo que dias se passavam. Pois bem, felizmente os 'hábitos desastrados' eram mais presentes nesses filmes surreais, pois antes de saber o final do quebra-cabeça eu já havia delineado minha conclusão.
E é por isso mesmo que eu não poderia descrevê-la aqui. Pois nos livros de Connan Doyle ou Ian Fleming, o bom mesmo é acompanhar a história do início ao fim, sem pular as páginas.....

Eram [talvez] alguns sonhos...

Vida [Su]real - Take 2

A primeira lembrança era o aeroporto, prestes a embarcar. Se houvera alguém ali antes comigo, isso não ficou guardado... Deixando pra trás todo um mundo para um lugar desconhecido, mas a ansiedade era algo bom.
Durante o vôo, poucas horas de sono e muitas de expectativa. Lá chegando, tudo era diferente de tudo que jamais conhecera. As pessoas, evidentemente, ainda mais. Frias, talvez. Algumas informações conseguidas com a língua mundial e me locomovia para o lugar onde todos estariam. Era um dia de festa, semanas de festa na verdade. Turistas de todos lugares me faziam companhia e ao mesmo tempo me confundiam os julgamentos. Talvez fosse bom...
Passados alguns percalços com pessoas bêbadas e efusistas ao extremo, novamente seguia em busca de outros lugares. Os ônibus já começavam a parecer comuns, escolhido o destino eu seguia. Rodei por muitos chãos diferentes, sempre tentando traçar, na minha cabeça, um perfil 'automático' das pessoas que ali estavam, bem como já tinha feito muitos anos antes aqui na terra-natal. Surpreendia-me a capacidade de me virar, sendo que nunca havia sido testado em condições tão... solitárias.
Buscando cada vez mais o lugar onde as pessoas estavam, cheguei ao lugar exato. A semelhança com a megalópole da paulicéia era notável, porém era como fosse centenas de anos mais antiga. E de fato, era.
Aquele lugar, sim, parecia ser o que procurava. O frio não se importava com isso e obrigava aqueles que lá desfilavam a usar todas as suas armas. Não poderia deixar por menos, mas de longe poderia notar que eu não era dali. E foi num lugar assim que parei, não saberia dizer por quê, mas ali se deu o clímax: um parque gelado, uma pista de patinação, e muita gente rindo e falando diversas línguas, que aos ouvidos misturavam-se como numa gigantesca Babel, ainda que o rinque não tivesse mais que alguns metros de diâmetro...
Alguns passos segurando-se para não cair, tirando ao máximo daquelas palavras estranhas um significado. E tudo ali se completou, o que havia passado era tão importante quanto aquele momento. Mas naquele momento, já não era mais tão cruel assim o que havia passado. Eu estava ali, no meio da confusão, no olho do furacão. E tudo terminou num êxtase silencioso, contido na euforia de falar sozinho na própria língua de origem...

Era [apenas] um sonho...

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Vida [Su]real - Take 1

Era um dia cinzento. Ao menos lá fora. Um dia importante que não podia ser postergado, uma data que não poderia ser trocada. Do lado de fora alguns amigos, aqui dentro também. O trânsito duraria quase um dia inteiro.
Essas poucas cinco ou seis pessoas compartilharam da nossa alegria durante o dia inteiro. Também cansados, talvez até mais que nós mesmos, pois afinal, tínhamos o nosso próprio deleite como forma de recarregar as energias. O ato de transportar coisas escada abaixo, elevador e rua certamente fora trabalhoso, mas o resultado aqui dentro era ótimo. Um lar...
Como aquele que eu idealizara para mim mesmo, ambientes brancos e espaçosos, bastante madeira, vidros, luz e... Havia um elemento que completava todos os outros. Você.
Deixei aos amigos a promessa de, no dia seguinte, reunir todos para 'estrear' o ambiente. Porque, naquela noite, eu só queria a tua presença, o silêncio, depois alguma música, e nada mais além disso.
Alguns retoques finais, arrasta um vaso aqui, puxa um tapete ali, e eu finalmente iria para o chuveiro. Lá fora o céu cinzento ganhava um tom mais escuro, anunciando que a noite logo cairia, e fria. Saindo do meu banho, estava lá você, observando, numa mistura de curtição do ambiente com o olhar de quem avalia para ver se nada falta ali.
Eu, já devidamente agasalhado, olhava os cantos para ver se de fato faltava algo. Chegando até você, um beijo no rosto e lhe perguntei se queria que eu trouxesse algo além dos pães [felizmente, nada de leite...] Dada a resposta, eu saí.
As esquinas pareciam mais vivas. As pessoas não. Percebi que o mundo não mudara a partir daquele momento, mas que daquele momento em diante eu mudara para o mundo. A vontade de ficar pelas ruas, por ora, era facilmente superada pela vontade de voltar para aquele pedaço de chão no ar, no qual alguém me esperava. E, para quem sempre idealizara esse mesmo tipo de espaço, mas sem alguém o esperando, esse era um dos tantos sentimentos novos que passara nos últimos meses. Ah, os últimos meses... Parecia vários anos, e ainda, tínhamos muito pela frente...
Pois me apressei em chegar. O seu café já estava pronto me esperando. A janela da varanda ainda aberta, pois observar a vida passando lá longe também lhe agradava. Larguei a caneca verde de lado, encostado no vidro, de frente para a saleta. O resto ficou para você completar. Ainda usando o top branco e a calça cinza escura, me abraçou como quem está prestes a repousar, e assim ficamos sabe-se lá quantos tiques do relógio. A última lembrança seria das minhas mãos também repousando em seus cabelos...

Era apenas um sonho..............................

terça-feira, 29 de maio de 2007

Sonhos podem ser distintos...

...[mas terem o mesmo significado!]




Ter sonhos seguidos, em dias seguidos é algum tipo de mensagem.. Creio eu. Mas e quando os sonhos seguidos tem todo o 'recheio' diferente, mas com as mesmas conclusões?.. Droga, queria dormir mais algumas horas pra saber o desfecho deles!

[Ou não.]


Um dia num lugar incomum, outro num lugar ainda mais incomum... Porém riquíssimo em detalhes. Acho que minha alma anda se soltando do corpo e indo passear longe...... Claro, pra quem acreditar em tal coisa!


Estranho como podem ser antíteses e ao mesmo tempo se completarem!.. Assustador, até... Se é assim tenho até medo de dormir hoje porque o próximo sonho deve ser ainda mais realista [seriam efeitos colaterais do I-doser?... Nahh, faz 1 semana que não uso, por aí...]

Mas a sensação é de um Lucid Dreams constante. Ir a lugares que eu nunca fui [pelo menos nessa vida] é algo que sempre aconteceu nos meus sonhos. De uns anos pra cá, raramente é verdade, sonhos premonitórios [sim, eu os tenho!] O que será que me falta?... To achando que a resposta está além-mar mesmo....



[e isso mataria dois coelhos, ou dois sonhos, com uma caixa d'água só... mataria literalmente as esperanças que tive de alguém, um dia...]




Nota do escritor: APOSTO que ninguém entendeu nada!.. Melhor assim, se fosse o contrário eu teria a impressão de que esse blog, como os tantos outros que já tive, não iria durar muito...