A janela aberta
Noite adentro
A rua acordada
Me chama, me atrai
Me condena
O retrato virado pra baixo
É o imã que me puxa
E me repele
A calçada que devora
A borracha do meu tênis
A mesma de ladrilhos
Que eu me fixo a olhar
Sem razão
Um café, dois cafés
Troco por um trago
E mais um trago, por favor
A fumaça que não é minha
Preenche o ar
Penso se não é melancolia
Ou ser patético
Aqui estar
Bobagem
Somos todos apreciadores das horas
Em que não se é preciso falar
Para querer dizer algo
E fadados às olheiras
À vontade de não dormir
E fazer desse escuro
E das luzes artificiais
Um refúgio
Imunes à banalidade do dia
Das conversas no celular
E das discussões de sentimentos
Por isso, por favor
Mais um trago
Enquanto a janela ainda está aberta
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quinta-feira, 5 de março de 2009
O trago/A janela
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sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Crônica de uma vida deturpada
Que E. Galeano me perdoe por ironizar seu título...
Uma sensação enorme de vazio. De perda de esperanças na raça humana, nos sonhos, no futuro... Embora sempre haja tempo e vontade de algumas pessoas. Descrença, desânimo, desgosto.
Talvez esta alergia demora um longo período a passar [se passar].
Outro dia vi um documentário sobre o Che. Pela primeira vez acho que consegui pensar o que ele pensou nos seus últimos minutos. É isso que estou sentindo.
Mas apesar da vontade de todo canceriano de morrer como mártir, me falta a aspiração a fazer algo de tamanha grandeza que mereça essa honrada morte. Não, a vontade é de partir desse mundo sem deixar nada pra trás, e de não levar nada comigo. Devaneio, talvez. Talvez os últimos devaneios que uma mente que vive a margem da insanidade e da criatividade consiga produzir. Tristeza, mesmo, e só.
Não aquela de chorar e de ficar se lamuriando sobre os porquês. Simplesmente o fim da linha, alguém que não consegue enxergar as lentas melhoras. Doce ironia, uma pessoa com sensibilidade tão aguçada desistindo de seus sentidos.
Cansei de ver pessoas insossas. De ver que as ruas têm movimento mas não têm vida. Talvez seja este meu problema também, e eu fujo. Talvez eu também não tenha vida, e inspiração para querê-la. E de fato, não gostaria mesmo. Seria bom que o mundo acabasse de sopetão, e no outro lado se resolvesse tudo. Ahh, mente egoísta!..
Feliz mesmo é imaginar que talvez a mesma decepção que ele teve eu tenha agora. Feliz sim, pois um admirador faz de tudo pra chegar perto de seus admirados, mudando até mesmo seu pensar.
Apenas decepção com tudo. Tentarei ouvir o que o silêncio me diz e averiguar se o ar puro já se tornou nocivo para mim.
Uma sensação enorme de vazio. De perda de esperanças na raça humana, nos sonhos, no futuro... Embora sempre haja tempo e vontade de algumas pessoas. Descrença, desânimo, desgosto.
Talvez esta alergia demora um longo período a passar [se passar].
Outro dia vi um documentário sobre o Che. Pela primeira vez acho que consegui pensar o que ele pensou nos seus últimos minutos. É isso que estou sentindo.
Mas apesar da vontade de todo canceriano de morrer como mártir, me falta a aspiração a fazer algo de tamanha grandeza que mereça essa honrada morte. Não, a vontade é de partir desse mundo sem deixar nada pra trás, e de não levar nada comigo. Devaneio, talvez. Talvez os últimos devaneios que uma mente que vive a margem da insanidade e da criatividade consiga produzir. Tristeza, mesmo, e só.
Não aquela de chorar e de ficar se lamuriando sobre os porquês. Simplesmente o fim da linha, alguém que não consegue enxergar as lentas melhoras. Doce ironia, uma pessoa com sensibilidade tão aguçada desistindo de seus sentidos.
Cansei de ver pessoas insossas. De ver que as ruas têm movimento mas não têm vida. Talvez seja este meu problema também, e eu fujo. Talvez eu também não tenha vida, e inspiração para querê-la. E de fato, não gostaria mesmo. Seria bom que o mundo acabasse de sopetão, e no outro lado se resolvesse tudo. Ahh, mente egoísta!..
Feliz mesmo é imaginar que talvez a mesma decepção que ele teve eu tenha agora. Feliz sim, pois um admirador faz de tudo pra chegar perto de seus admirados, mudando até mesmo seu pensar.
Apenas decepção com tudo. Tentarei ouvir o que o silêncio me diz e averiguar se o ar puro já se tornou nocivo para mim.
sábado, 20 de outubro de 2007
Quem é você?..
Por onde você anda? O que você faz e com quem você faz? Sobre o que você conversa? Você conversa ou mata o tempo? Você aproveita o tempo? O que você vai deixar?..
Não se assuste com a[s] pergunta[s]. Quantas vezes você já parou pra pensar no que fala, no que faz, no que não faz?
Somos obrigados a quase tudo, obrigados a ver tv, obrigados a não pensar no que não devemos, obrigados a consumir... E então, quem somos nós?
Eu digo o verdadeiro ser de cada um. Estamos em extinção, essa é a verdade.
Os seres pensantes estão deixando de existir, amortizados por uma vida sufocante e torturadora. Sem pânico, é isso mesmo.
Não conseguimos mais nos dedicar ao que gostamos, e se o conseguimos, é um luxo!
Então fazemos coisas mecanicamente, sem parar pra pensar se gostamos ou se aquilo é realmente algo lúdico. Não mais nos dedicamos a conversas inteligentes [claro, salvo sob raras e felizes exceções], não falamos o que pensamos, não fazemos o que pensamos. Estamos nos acomodando, e isso é muito perigoso.
Lugares questionáveis, amizades questionáveis, atitudes, conversas etc... Deixamos escapar nossos verdadeiros pensamentos várias vezes por preguiça, cautela, etc etc. Estamos correndo sério risco de ficarmos atrofiados, indo no sentido contrário da evolução [alguns aliás já estão neste retrocesso há dezenas de anos].
Se não pararmos o mundo pra nos dedicar a transmitir o que nós somos, não vai mais haver mundo daqui um tempo. Ainda há esperança nas idéias de quem não aceita simplesmente tudo que é obrigado a engolir, nas idéias de quem contesta.
As famílias estão se extinguindo, e eu tenho pavor de colocar neste mundo mais uma vida condenada, como tantas outras pessoas que pensam o mesmo.
Então, cabe a nós pavorosos termos um pouco mais de pulso -e de estômago- pra reparar um pouco do mal que fazemos, e quem sabe [quem sabe], ainda deixar algo de bom pro futuro...
[falar que isso é utópico já é um péssimo entendimento...]
Não se assuste com a[s] pergunta[s]. Quantas vezes você já parou pra pensar no que fala, no que faz, no que não faz?
Somos obrigados a quase tudo, obrigados a ver tv, obrigados a não pensar no que não devemos, obrigados a consumir... E então, quem somos nós?
Eu digo o verdadeiro ser de cada um. Estamos em extinção, essa é a verdade.
Os seres pensantes estão deixando de existir, amortizados por uma vida sufocante e torturadora. Sem pânico, é isso mesmo.
Não conseguimos mais nos dedicar ao que gostamos, e se o conseguimos, é um luxo!
Então fazemos coisas mecanicamente, sem parar pra pensar se gostamos ou se aquilo é realmente algo lúdico. Não mais nos dedicamos a conversas inteligentes [claro, salvo sob raras e felizes exceções], não falamos o que pensamos, não fazemos o que pensamos. Estamos nos acomodando, e isso é muito perigoso.
Lugares questionáveis, amizades questionáveis, atitudes, conversas etc... Deixamos escapar nossos verdadeiros pensamentos várias vezes por preguiça, cautela, etc etc. Estamos correndo sério risco de ficarmos atrofiados, indo no sentido contrário da evolução [alguns aliás já estão neste retrocesso há dezenas de anos].
Se não pararmos o mundo pra nos dedicar a transmitir o que nós somos, não vai mais haver mundo daqui um tempo. Ainda há esperança nas idéias de quem não aceita simplesmente tudo que é obrigado a engolir, nas idéias de quem contesta.
As famílias estão se extinguindo, e eu tenho pavor de colocar neste mundo mais uma vida condenada, como tantas outras pessoas que pensam o mesmo.
Então, cabe a nós pavorosos termos um pouco mais de pulso -e de estômago- pra reparar um pouco do mal que fazemos, e quem sabe [quem sabe], ainda deixar algo de bom pro futuro...
[falar que isso é utópico já é um péssimo entendimento...]
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Zumbis
Enquanto isto está para acontecer, as pessoas que matam o trabalho na frente do pc o dia todo lêem [acento em processo de extinção] isto abaixo:
[Não destaquei a quarta notícia porque, de qualquer forma, não deixa de ser importante...]
Sentirei falta da trema e do acento circunflexo...
[Não destaquei a quarta notícia porque, de qualquer forma, não deixa de ser importante...]
Sentirei falta da trema e do acento circunflexo...
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quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Urbanos pero no mucho inteligentes
Padrões de beleza questionáveis. Amizades eufóricas como uma noite na balada mais agitada e barulhenta. Dinheiro que não é problema. Casais se formando às dúzias. Egocentria, egoísmo, falsas sensações de felicidade, segurança, paixonite aguda e até mesmo amizade. Tudo isso me dá medo. E pena, muita pena.
Pintam os quadros de si próprios como fossem Monet ou Van Gogh. Se colocam inatingíveis, nas alturas, num padrão de vida ilusório e consumista.
Que nojo... Asco de pessoas com as quais eu convivi até bem pouco tempo.
Transformam-se em fantoches mais preocupados com o que o dinheiro pode trazer.
Hoje durmo com repulsa, mas um dia toda essa 'segurança' cairá por terra.
E nesse dia serei eu que darei risadas, essas de fato felizes, por provar que os castelos de areia são frágeis e a beleza é só torpor. Um plano impostor...
Pintam os quadros de si próprios como fossem Monet ou Van Gogh. Se colocam inatingíveis, nas alturas, num padrão de vida ilusório e consumista.
Que nojo... Asco de pessoas com as quais eu convivi até bem pouco tempo.
Transformam-se em fantoches mais preocupados com o que o dinheiro pode trazer.
Hoje durmo com repulsa, mas um dia toda essa 'segurança' cairá por terra.
E nesse dia serei eu que darei risadas, essas de fato felizes, por provar que os castelos de areia são frágeis e a beleza é só torpor. Um plano impostor...
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