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domingo, 30 de março de 2008

Rascunho

[ou rabiscos...]


-

Como seria a forma certa de começar?
Poderia eu falar de seu olhar
Ou da sua destacada brancura
Ou então de sua doçura, que tão rápido a alguém faz conquistar

Seria um desfile de adjetivos
Que até, talvez, se tornariam repetitivos
Pois não seria a primeira musa
Também não seria você homenageada pela primeira vez

Escrevo, então, por este bloco de recados apertado
Letras tortas de uma caligrafia destreinada
Iluminada por uma luz apenas, e distante da vista
Sentado à cama, pois é sempre a esta hora
[para não falar das outras]
Que me tomas os pensamentos
Me roubas o sono
E me deixa os sonhos

Só me resta falar, então
Sobre os sonhos que me aparecem -no sono ou não-
Farei portanto um apanhado deles

Da pele branca levemente fria -mas viva-
Juntamente com seus olhos e coração, que aquecem
Se tornando tensas a um toque meu, muito ansiado
E ganhas rubor e calor, o demonstrando com seu sorriso

E sinto comigo que o sonho, de tão bom
Está para acabar
Adormeço, ou então o sol vem me acordar
Até a noite seguinte -e volta e meia durante o dia-
Tornas a voltar...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Como a saudade

É como ficar sem tocar o piano. Ele acumula poeira, você acumula desculpas.
A corda se rompe, as teclas desafinam, o pedal se solta, a banqueta fica dura.
Você se esquece de como poderia ser simples tocar uma mulher.
Seu piano fica insensível, os sons graves mais agudos e os agudos mais graves.
Seu tato parece um cactus e seus modos mais defensivos.
De Bolero você se torna um Tango.
Do suave ao seco, você se inspira no vinho, e espera que o tempo corrija tudo.
Esqueceste as curvas do piano bem como as de uma bela mulher.
Trocaste o som das teclas ecoando e também o sorriso retribuído.
Você se tornou um ser puro.
Puro como a saudade...

domingo, 21 de outubro de 2007

Reflexo

O sol bateu ainda fraco e sem força no vidro fosco
Primeiras horas do dia, silencioso
O vento calmo ainda dispersava as nuvens
Quando o reflexo da manhã traçou suas linhas no chão
O que aconteceu nesse tempo
Ínfimo e ao mesmo tempo interminável
Que pensamentos aconteceram
Neste tempo?

A música acompanhava meus pensamentos
O café já veia adentro como combustível
Queimando minutos
Coração a mil
O que aconteceu neste momento?

Foi o tempo que passou
Ou eu voei?
Não fôra, ao certo, um sonho
Eu surfava o mar de prédios
Com a mesma paixão adormecida pelo verdadeiro

Lapsos de microsegundos
Que povoaram minhas idéias
Como relâmpagos
Tentei acompanhá-los
Me perdi no meio do caminho
Quando o pensamento parou em você

E então os microsegundos se tornaram infinitos
Como ficção científica nonsense dos anos 60's

E eu desisti de contar os pensamentos
Pois me perder no meio do caminho
Me perder e me encontrar sozinho
Se tornou um vício

Quando naquele reflexo que bateu no chão
Eu só pude pensar em uma coisa

O sol que batia no vidro ganhou calor
Por alguns momentos me senti auto-suficiente
Em sorrisos indecifráveis

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Fade-out

Take 1

Passos.
Em qualquer lugar, em qualquer ocasião.
Passos e pensamentos.
Decisões, perdas e ganhos.
Daqui pra frente nada é cem por cento.
Para chegar à fruta madura, há de se provar as que não tem gosto.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Fade-out

Introdução

Passos.
Podem ser silenciosos sobre um carpete
Intermináveis contra o granito de um corredor imenso
Ou abafados contra um gramado.
Mãos nos bolsos.
Ombros largos.

Vento nas costas se a grama é o cenário.
Cabelo contra o vento
Pensamentos contra o tempo.

Passos ecoados se o corredor é o seu estar.
Sapatos contra as paredes que ressonam seu andar
Conspirando com o acaso ao acreditar que fôra melhor assim.

Ou então silenciados pelo carpete.
Pés descalços se iludem julgando que o chão é de veludo
Na cabeça, monta-se o final de uma tragédia grega.

Céu, terra e mar.
Os cinco elementos, as quatro estações.
O ano novo, o aniversário, os feriados.
Os números.

Os olhos vão adiante da linha do horizonte.
Sem focalizar nada e ao mesmo tempo registrando tudo
Fade-out, focando e desfocando conforme sua vontade débil
Enxergam a tudo, e ao mesmo tempo a nada.
Contabilizam mil pensamentos, e os descartam com velocidade ainda maior.

T. 03/09/2007


-
Fade-out,
descrição em inglês;

domingo, 26 de agosto de 2007

Fôra

No começo era tudo métrica, era tudo rima
Perfeccionismo na escrita, dicionário na mão
Procurando o sinônimo mais bonito, o decassílabo mais arrebatador
As duas quadras e os dois tercetos que melhor expressassem o sentimento

Antes era tudo obrigação, era tudo motivo
Forçava-se os acontecimentos para deles discorrer
Forjava-se o impossível para dele delirar
Exibia-se o projeto com o orgulho de um troféu

Fôra noutros tempos tudo muito cômodo
Perfeitamente arranjado para depois vangloriar-se
E tomar parte da criação, fazendo-se dela causa e conseqüência

Hoje porém se comemora o rompimento com a métrica
A livre escrita sobre o que paira na cabeça a qualquer hora
E a eternização de singelos momentos nunca d'antes relevados!

T. 26/08/2007

Poeira e sangue seco

É como tentar evitar o inevitável
Acreditar que irá aproveitar o tempo
Que o relógio irá andar pra trás
Que a poeira não irá se acumular
É como acreditar que o sangue não irá derramar
Que a dor não irá doer, ou que vontade irá agüentar
Como acreditar que o sangue não irá secar
E que remover não irá machucar
É pensar que o tempo não irá passar
A poeira irá cessar
E a vida não irá mudar.

Ao fim, seremos só e apenas só
Poeira e sangue seco
E um punhado de memórias jogadas ao vento

T. 26/08/2007

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Alva

Ela é lívida como um sorriso que arrebata
Ela é alva como a neve, macia como o algodão
Pintada como respingos de aquarela num quadro
Ela dorme como repousam os filhotes junto à mãe
Ela anda como se os quadris cantassem uma ópera
Fala como se a voz fosse uma sinfonia à luz do dia
Ela tateia como se não tivesse nenhum outro sentido
Ela respira como se o ar existisse para contemplá-la
E olha como se armas ou amores não fossem capazes de se equiparar a seu olhar.

T. 17/08/2007

terça-feira, 17 de julho de 2007

Era folha de papel...

Era inverno, era o presente
Era o futuro, era vislumbre
Eram os anos, eram os planos
Era o momento, era o acontecimento
Era o começo, era o fim
Era papel rasgado, era o papel picado
Era juntar os cacos, era colar as partes
Era apagar os traços, era reescrever os fatos
Era pegar uma folha nova
Era fazer do papel uma vida nova
Eram memórias, pra sempre serão.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Um post 'Ludovico' !

Sabemos que tendo boas influências musicais e literárias fica bem mais fácil escrever algo. E não a toa, desde cedo eu fui rodeado de boa música e literatura. Família rica em todos os sentidos. Da música clássica ao Vinicius de Moraes, do Drummond a Bossa Nova. Só não tive aulas de 'Mutantes' porque eles eram demasiado loucos para os gostos da minha famiglia. E nisso havemos de convir, eles eram mesmo! Mas estou chegando neles através de seus 'influenciados', digamos assim.
Que Engenheiros do Hawaii, através de Humberto Gessinger, são minha influência-mor, isso todos sabem... MAS, desde que conheci esta banda, mais ou menos em 2004, minha vida mudou. Essa banda se chama LUDOV.
Não seria útil eu descrever a história da banda, afinal a mudernidade ta aí pra quem quiser... Agora, que banda do caralho!
Foram ganhando admiradores no underground paulistano. Quando lançaram o 2º cd foi algo arrebatador. É daquelas bandas que se você perguntar pra várias pessoas muitas não conhecerão. Mas se você perguntar pra quem conhece, com certeza essa pessoa te dirá que a banda é sensacional.
E por que arrebatam tanto? É simples. Letras muito bem construídas, poesia, prosa ou verso, com melodias agradáveis pra qualquer momento, e logo se tornam viciantes. A vocalista Vanessa Krongold tem um talento vocal e de simpatia comparáveis a sua beleza... E os letristas Mauro Motoki e Habacuque Lima fazem cada vez músicas melhores, as vezes junto da vocalista. O resultado é algo que te deixa flutuando, perdido nos pensamentos que as letras trazem. Letras muito bem escritas, mas ao mesmo tempo simples.
Ludov é daquelas bandas de você querer parar o mundo pra ouvir. E se você não puder parar o mundo, vai conseguir, no mínimo, abrir um sorriso aberto no rosto enquanto ouve. Se o mundo estiver frenético você terá a sensação de flutuar, sentirá vontade de cantar a plenos pulmões esteja onde estiver. E se estiver no sossego, terá vontade de deitar olhando pro teto e imaginando mil situações, acontecidas ou não.

Pode ser só a minha opinião, mas Ludov dá barato melhor que I-doser!
E melhor eu parar de falar e deixar a cargo de vocês ouvirem ou não...


site da banda: http://www.ludov.com.br/
letras: http://ludov.letras.terra.com.br/

sábado, 9 de junho de 2007

Textos antigos: "Olhar"

Esse eu escrevi no metrô, na minha cabeça, e quando cheguei em casa passei pro 'papel'...
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Olhar

Queria ver as coisas
Pelos seus olhos...
Queria ver como você vê a todos
Ter novamente a esperança
De que tudo pode ser melhor
Como no mundo de uma criança
Queria eu estar presente
Nesse seu olhar
Queria fazer parte de seu mundo
Ter alguém como você para cuidar

Queria ter a energia
Desses seus olhos...
Queria eu novamente ter a alegria
De olhar para o céu sem me lamentar
Queria enxergar de novo
O que deixei de me importar...
Queria eu estar sempre perto
Desse teu olhar...

Mas de repente tudo muda...
Que tristeza é essa que invadiu seu olhar?
O que há de errado a te perturbar?
Pois nada nesse mundo devia
Ter força pra te derrubar...
E eu me pergunto...
Será que um dia
Novamente, vou poder te encontrar?

Será que um dia reencontrarei esse olhar?
Algum dia estarei com alguém como você?


T. Dezembro 2003

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Textos antigos: "Cidade Grande p.m."

Eis a segunda parte... Se completam...
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Cidade Grande p.m.

Não é o cansaço pós-almoço
É a tarde lenta, é o dia lento
Não é o sol descendo
Por trás dos prédios no fim da tarde
Não é voltar pra casa
E encontrar o silêncio
É a casa ficando escura
Um cd tocando solitário
A vontade de sair um pouco

Não é sair com alguns trocados no bolso
Até o bar da esquina mais próximo
É o gole de cerveja
Cada vez mais amargo sem o seu riso

É você não comentar
Do meu corte de cabelo a noite
As paredes não ecoando
Nossa conversa, cada um em um cômodo
É a gente não fazendo planos
De viagens, do casamento, dos filhos, do futuro
É a gente não se abraçar
Namorar por horas que são escassas demais
É a gente não olhar o outro
E não precisar dizer nada
Não irmos dormir juntos
Quando chegar a meia-noite
É a falta de você


T. 19/10/2004

Textos antigos: "Cidade Grande a.m."

Estes são meus 'bebês', os dois dos quais mais me orgulho de ter escrito...
E surgiram prontos, só transcrevi pro papel, sem computador, sem sono, sem muita coisa pra fazer na época...
Espero que gostem!
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Cidade Grande a.m.

Não é dia ainda
Tampouco é noite
Os pássaros vêm à janela
Para nos acordar
A cidade no seu movimento contínuo
Começa a se encher novamente
Um café forte, uma chuva fina
O céu escuro e cinzento
Numa manhã de Primavera que conserva
A tristeza do Inverno
Não fosse pelas árvores verdes
E flores que voltam a aparecer

Não é a casa vazia
É uma pessoa solitária
Olhando pelo vidro embaçado
O amanhecer frenético do mundo
Um mal necessário
É uma foto tirada
Com um fundo em movimento
Sem opção, apenas uma pessoa
É o meu lugar vazio, quase sem vida
Hora de cuidar das plantas, depois sair

Não é seu travesseiro intacto
No seu lado da cama
É a sua falta à esse lugar
A incerteza de que irá voltar
Não é a tv falando sozinha
É a poltrona sem vestígios de ser usada
Não é o ar poluído, não é o barulho
Entrando pelas janelas
É a sua voz que não se ouve mais
Por aqui, ultimamente

Não é a pressa de sairmos
Juntos, para ganhar o dia
É a lentidão com que tudo funciona
Não é a longa madrugada
É olhar para o teto e falar sozinho
Não é depressão
É só a tristeza de você não estar aqui
Não é o ritmo lento da manhã
É o pensamento em uma só coisa
Pessoa, tempo e lugar

T. 19/10/2004

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Textos antigos: "Heroína"

[tal qual uma droga causa dependência...]


Heroína

Quando tudo parece estar fora do lugar
Quando nove da noite parece ser três da manhã
Quando a tristeza toma conta do que devia ser felicidade
Me lembro de você
E a tristeza se dissipa na garoa
Meu relógio continua a discordar de mim
Tomando o tempo que gostaria que não terminasse
Que me afasta de você
Tudo continua bagunçado
Mas com você por perto, está no seu lugar...
E tudo parece perfeito

Entro num estado de quase-hipnose
Tão concentrado em meus pensamentos
Que me esqueço do que ocorre à nossa volta
E meu estado de transe parece não querer ter fim
Quando ao retornar pro meu canto
Ainda tenho suas imagens na minha memória

Você invade meu mundo com jeitinho
E aos poucos o conquista e dele faz parte
Se faz presente em metade dos dias da semana
E nos restantes me deixa a quase sensação
De um viciado que admite seu vício
E mesmo assim o ama e o carrega
Pelo resto de seus dias
Minha salvação;
Minha heroína...

T. 11/07/2004

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Quadrilha [Versão tempos pós-modernos]

Camila, Érika, Karina, Érika, Tássia, Ariane, Luciana, Ana Beatriz, Luciana, Fernanda, Dalila, Nara, Débora, Luciana, Daline, Camila.

Camila foi a primeira que ele apreciou. Depois veio Érika, com quem fazia dupla no colégio. Karina era a inalcançável. A outra Érika mudou de colégio e lhe bateu saudade. Tássia era uma novidade, todos cobiçaram. Ariane foi bem platônico, ele bem que tentou. Luciana foi a primeira a morar longe. Ana Beatriz foi a primeira a ser sério. Outra Luciana foi mais que inalcançável. Fernanda era uma boa amiga. Dalila foi a primeira a arrebatar. Nara era a melhor das amigas de todos os tempos. Débora era doce, mas um erro de execução. Última das Lucianas, acabou virando ótima amiga. Daline foi a que ele mais arriscou. E voltou para a mesma Camila do ponto de partida.

Camila foi pro interior. Érika virou uma amiga ao longo dos anos, e namorou sempre o mesmo. Karina mudou de colégio e de namorado[s]. A outra Érika mudou de namorados. Tássia mudou logo de colégio e de vida, virou uma linda e jovem mãe. Ariane conheceu um rapaz e com ele ficou durante todo esse tempo. Luciana se formou, ficou independente, quase casou mas está só. Ana Beatriz ficou noiva. A outra Luciana sumiu da face da Terra. Fernanda namorou, terminou, namorou, terminou e está só. Dalila noivou. Nara namorou, terminou, voltou, terminou, voltou, terminou... Débora encontrou alguém que lhe fez bem. A última Luciana, também. Daline tocou o barco e também encontrou seu alguém. E Camila... Parece que está melhorando... E vai mesmo!

E ele, disse que não faria mal a mais ninguém, ficou sozinho e bem. Até aparecer mais um nome na história...


[aos desinformados, a Quadrilha original e uma análise dela...]

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Textos antigos: "Por que será?"

Por que será?


Me diz por que será?
Que você chegou sem avisar
Que iria conquistar meu coração
Agora está tarde, já não tem mais jeito
Você tocou direto no meu defeito

Eu não quis estar lá de novo
Por diversas vezes me atrasei
Não sei se tenho certeza
Mas agora, eu sei,
Você chegou sem avisar
Bateu a porta ao entrar
E ao ver quem havia chegado
Me vi, num instante,
Ao seu lado

Me diz por que será?
Que você tocou em mim
Ao me ver chorar?
Por que será?
Que você me prendeu e eu
Não consigo escapar?

Se eu tivesse a força que um dia tive
Iria me mandar pra não ter que sofrer
Se eu fosse um cara diferente
Talvez não tivesse que te dizer
Que eu não quero sofrer
Mais uma vez
Mas talvez,
Agora seja diferente
Quem sabe se a gente
Tentar dá certo?

Então, por que será?
Que você veio de mansinho
E conseguiu me dominar?
Me diz por que será?
Que você me prendeu e eu
Não consigo escapar?
Por que será?
Que você sabe a resposta
Que eu penso em te dar?
Por que será?

T. 22/03/2002

Textos antigos: "[doce] fantasma"

[doce] fantasma

Doce fantasma...
Me volta a assombrar os sonhos do nada?
Me faz pensar em coisas que não posso
Ao mesmo tempo que se mostra renovada
Quer me tirar da escuridão, essa que tanto aprecio
Ou quer o que?
Doce fantasma, bela como sempre
Vai voltar de vez pra minha vida
E mudá-la de novo?
Lá vamos nós, de novo!

[postado originalmente em '¡Tchau Radar! em 18/04/2006]

sábado, 2 de junho de 2007

Textos antigos: "Outono"

Vou postar, gradativamente, alguns textos do meu último blog [e único que não apaguei...]
E alguns deixarei lá, pois é difícil não relacionar algo escrito a uma determinada época... Então postarei aqui apenas para demonstrar... Todos estarão lá no link que está aqui ao lado da página! ;]



Outono

Outono, folha caída no chão
Chuva caindo, flor secando
Outono, vento frio que já chega
Ano que demora a passar...

Outono, folha seca
Chão molhado, flor de inverno abrindo
Outono, hora sol hora dilúvio
Já é quase um terço de ano

Outono, inverno, primavera e verão
Quando vemos já foi mais um ano
É Páscoa, aniversário e Natal novamente
Hora de renovar o coração!

[postado originalmente em '
¡Tchau Radar! em 24/03/2005]

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Díspar

Díspar
Ímpar
Dispara um coração por causa de uma beleza desigual
Um, dois, cinco... Números primos, irmãos na admiração
Contemplam todos uma jóia lapidada
Uma raridade marcada, como toda preciosidade
Com suas marcas, feridas ainda abertas
Mas nem por isso, e muito pelo contrário, menos bela
Alguém que, como o mais belo pássaro
Por mais que seja admirado, merece voar
E escolher por si só seus próprios caminhos
Só quero estar perto de você para também voar
Quem sabe, ao seu lado...

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Magnífica

Um dia de sol, um dia tranqüilo
Você acorda com o verso na cabeça, 'ou isto ou aquilo'
Você é verso ao olhar o céu
E prosa ao dar bom dia ao mundo
É poesia em construção ao longo do dia
E vida em ebulição no calor da noite fria

É um nome em destaque na multidão de letras
Um rosto iluminado em meio a corpos em movimento
É um arco-íris de sentimento destoando do cinza habitual

É aquele poema do Vinícius que todos adoram
Duas quadras, dois tercetos
Decassílabos

É a crônica de Mário de Andrade
Que quebra as linhas, as formas, as métricas
Abusa suavemente e sem fazer alarde
Dos teus monossílabos e da tua natureza
E delineia sua beleza, tal qual duas árvores são belas
Sem serem, de longe, idênticas

É a conjunção de rimas perfeitas
Como fosse seu existir uma gramática aberta
Em qualquer página aleatória e incerta
Certamente esperando uma tradução
Uma resolução, uma revolução
Um reflexo de seu sorriso, que, preciso
Arrebata, aplaca, encanta, enquanto
Você o pratica

Magnífica...


-
T. 28/05/2007