Mostrando postagens com marcador Verborragia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Verborragia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de março de 2009

You Affect Me

You pull me down and lift me up
Carry me with you and leave me by myself
You take everything that's good in me
And save it all for yourself
You mistreat me, you sing along with me
You affect me

You meet me up and keep me waiting
You say you love me, you forget our date
You say goodbye with a smile and makes me crumble
You disrespect me, you say you're sorry
You affect me

You call me at night, you hang up on me
You say you need me and you abandon me
You got me loving you
You got me suffering for you
You affect me
You complete me
You affect me

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Adeus às máquinas

E então, houve a indefinição -mais uma- e a máquina parou no tempo -outra vez.
O operador já havia perdido a conta de quantas houveram. E também sabia que neste ritmo de operação viriam outras.
Com seus leds mais novos, ultramodernos, e com mais capacidade de processar informações valiosas.
Porém, o operador se estafou de deixá-las a cargo de uma máquina tão complexa, e que nos momentos de dúvida agora simplesmente entrava em stand-by.
Ele precisava de uma nova máquina, mas não uma que apenas substituisse aquela denominada 'coração'. [nome deveras estranho].
Passou a usar uma muito mais avançada, e com prazo de validade ligeiramente mais longo [embora fosse mais misteriosa e difícil de se operar].
A nova máquina chamava-se 'cérebro'. Era realmente mais estranha. Muito mais protegida por causa de uma tal 'caixa craniana'. "Só algo muito valioso seria protegido assim", pensou, e por fim decidiu arriscar-se a desvendar seu funcionamento.
Com o passar do tempo o operador notou que ela era o exato oposto da máquina antiga. Era fria e extremamente minuciosa nos seus cálculos [ao contrário da outra máquina que necessitava de calor, pff!].
Suas decisões eram baseadas não no feedback de outros[as] operadores[as], mas sim pela sua própria lógica. Poderia se dizer que era uma máquina 'egoísta'. Não importa, o operador se deu muito bem com ela, e era isso que importava afinal.
Porém, como toda decisão importante sempre leva um lado em consideração [em detrimento do outro lado], a máquina nova em seu egoísmo prezava muito mais pelo bom-funcionamento do operador. Sendo assim, outros operadores e operadoras com suas respectivas máquinas [das antigas, movidas a calor] entravam em ligeira discordância com vosso operador sobre diversos temas. Pior, os principais eram justamente temas referentes ao princípio básico de funcionamento das máquinas antigas: o calor.
Vosso operador [e sua respectiva máquina multi-funções] discordava de todos os outros. Por um motivo claro, sua máquina era diferente. Mas nem todos entendiam assim...
Embora não fosse ele, de longe, o primeiro a usar esta nova máquina [muitos outros antes dele a usaram para diversos fins e outros continuam a usá-la], ele foi audacioso em usá-la para um fim que originalmente não lhe era designado [tomada de decisões importantes em relação ao lado pessoal]. "Pois bem, se a máquina utilizada para isso é alimentada por calor, ele interfere nas decisões!", pensou. E por que não utilizar uma máquina que, ao invés dessa, se utilizasse da lógica [e da frieza]?..
Porém, nem tudo são flores para o operador e sua máquina. O fato dele utilizá-la para esses fins realmente incomodava diversas pessoas, entre as quais, amizades dele. "Como pode alguém ignorar a máquina coração?", perguntavam. "Máquinas são máquinas" -respondia ele- "Cada uma puxa a resposta para o seu lado".
A máquina nova -muito mais capacitada e com áreas de atuação diversas- também dava problemas maiores: constantes dores de cabeça para o operador. Tinha que ser desligada e reparada com mais constância do que a outra [apesar de funcionar melhor sob o efeito do que chamam os humanos de 'alcool']. E para completar, o constante uso da máquina mais fria tornou também o operador mais frio. Algo lógico, evidentemente, já que se trata de uma troca de calores.
E os operadores e operadoras não gostavam muito desse jeito frio de ser do vosso operador. Ou seja, por mais que resolvesse problemas antigos, a adoção da máquina nova também trouxe novos para serem eqüacionados. Diante disso, o operador enxergou mais um dilema. "O que fazer?" -perguntou-se, ao invés de perguntar à máquina.
E então decidiu-se pela mais absurda das decisões, visto que é um humano: abandonou as máquinas. Por mais difícil de entender que isso seja, e confesso, não consigo processar essa informação, o operador livrou-se de todas elas, diz agora tomar decisões por algo chamado 'impulso', o que parece-me algo deveras perigoso, devo acrescentar.
E é por isso que as máquinas, lentamente, uma a uma, vão perdendo popularidade entre os operadores. Esta que vos fala é mais uma que está a mercê de algum operador[a] que esteja buscando processamento de informações com velocidade e agilidade. Estranhamente, parece-me que os humanos buscam cada vez menos isso para suas decisões pessoais e cada vez mais para suas decisões profissionais. Assim, convenhamos, não há máquina que resista. Afinal, é para isso mesmo que existem duas: uma movida a calor e outra a frieza.
Entendê-los é por demais complicado. Espero que eles não temam por uma revolução nossa. Eles não teriam chance alguma...

Ass.: Uma máquina evoluída [e desempregada].

domingo, 7 de dezembro de 2008

Coração Stand-by

Há bastante tempo atrás havia uma máquina, e um operador. A máquina sempre funcionou bem, e o operador sempre a operou da maneira correta.
Há algum tempo
atrás um led foi acionado. Ele entraria em funcionamento toda vez que o operador gostasse -demais- de uma operadora, serviria como um 'alerta'. Servia também para seu propósito inicial: proteção.
Sim, proteção, pois ele surgiu após uma revolução, que, como sugere o nome, devastou. Trouxe muita coisa boa também, antes que se pense o contrário. Porém, inevitavelmente o led foi acionado -para melhor funcionamento da máquina, que passou a trabalhar sob baixo consumo de energia. Ou seja: estava menos quente, ou mais fria se preferir.
Não é um daqueles casos de ficção da máquina que se volta contra os humanos. Na verdade pode até ser, mas isso ficará a cargo do seu julgamento ao final deste relatório, se é que a complexidade dele não será tamanha que impossibilitará isto.
Antes do led a máquina funcionava bem, porém consumia muita energia. Para alimentá-la eram necessárias doses diárias de adrenalina e relacionamentos -diversos, por sinal. Mas o operador conseguiu mantê-la nessas condições, talvez até conseguisse continuar se não houvesse a revolução.
Mas, ela veio.
E então no começo o led parecia incômodo. Era estranho deixar a máquina 'meio ligada' e 'meio desacordada', mas o operador percebeu uma notável diferença nos anos seguintes: a máquina não dava problemas, não se envolvia em questões que não lhe fossem determinadas pelo operador e, sendo menos quente, não necessitava tanta alimentação, deixava o operador com tempo livre para procurar outros gostos, conhecer mais pessoas. Porém, a máquina não lhe deixava conhecê-las a fundo, pois aquele led sempre piscava quando algo assim perigava acontecer, lhe tirando a atenção e tendo que deixar as pessoas com a impressão de que ele ficara dias, semanas sumido, quando na verdade estava 'discutindo' com a máquina se o fato de acender o led sozinha era ou não sua função.
Ali já se percebia que a máquina interagiu tão bem com o operador nos primeiros anos de vida que já podia tomar decisões antecipadamente sem que ele lhe ordenasse. Ótimo por um lado, pois ela repelia quaisquer acontecimentos que ele outrora lhe havia ordenado, criando um padrão. Porém, este padrão não poderia ser aplicado à todas as pessoas, pois cada uma tinha uma máquina diferente, e pensamentos e interações diferentes.
Com isso o relacionamento do operador com a máquina já não era 100%. Tudo bem, ainda conviveram perfeitamente por mais alguns anos, algumas vezes o operador se cansava da máquina, e a máquina não se cansava do operador, pois ela era máquina.
E o led sempre acionava-se sozinho quando o operador quase conhecia a fundo outras máquinas de outros operadores [as]. Isso gerou um certo desconforto no operador, pois mesmo que ele outrora ordenasse a máquina a acender o led de atenção, algumas vezes ele realmente gostaria de saber o que se passava em outras máquinas de outras operadoras. Queria saber se alguma operadora passava dados dele para sua própria máquina. Ele [o operador], precisava saber disso, pois ele era um humano e tinha as inseguranças e necessidades de um humano, ainda que mais controlado que os outros porque a sua máquina era teoricamente mais inteligente que as outras devido ao baixo consumo de energia, entre outros fatores.
Era um humano operando uma máquina. Já a máquina, mesmo 'quase metade' humana, não precisava saber de outras máquinas, pois máquinas avulsas não conseguiriam trocar informações sobre elas mesmas. Precisavam de operadores [as] para isso. E cada máquina era 'parte' de cada operador [a], se bem que alguns operadores a tiram da tomada e saem conhecendo outras máquinas como se diz 'bom-dia', e outros ainda a deixam ligada direto, o que provoca sérios riscos de mal-funcionamento em virtude de um problema classificado pelos humanos operadores como tédio.
Mas voltemos então. O operador queria saber se outras operadoras passavam às suas respectivas máquinas informações sobre ele [e sua máquina também, claro]. Então ele combinou com sua máquina de tentar ir um passo mais adiante no relacionamento com as pessoas, e a máquina concordou sob a seguinte condição: se o led piscasse, era sinal de que ele estava correndo muitos riscos, e teria que se retirar -ou sumir, como entendem os outros operadores [as].
Pois então o operador tomou esse passo a frente, mas sempre voltava porque tinha a certeza de que o led piscaria se ele continuasse a trocar informações com outras operadoras. Ficara refém de sua própria máquina, mesmo ela não tendo culpa, afinal, era uma máquina.
O led já não havia sido acionado há um tempo, pois para o operador o tal 'pisca-pisca' havia se tornado uma mania. Sozinho, sem a interferência da máquina [que não podia aconselhar o operador, pois era uma máquina] ele mesmo acionava o led 'mentalmente' antes de trocar informações relevantes sobre ele -e sua máquina- com outras operadoras e suas respectivas máquinas.
Bom, a história parece confusa e cheia de reviravoltas, mas na verdade não é. Se chegou até aqui, tenha a certeza de que lendo mais uma vez -ou mais algumas, pois alguns operadores [as] e suas respectivas máquinas são mais lentas que as outras- você entenderá. De fato, a própria máquina em questão é lenta, pois acompanha o ritmo de seu operador.
A máquina -contando o período a partir do surgimento do led- já tinha uns cinco anos. Não era velha, longe disso, mas passou a precisar de mais calor gradativamente. E para buscar mais calor era necessário o operador ir buscar mais informações de outras operadoras e suas respectivas máquinas [algo que os humanos gostam de chamar de afeto]. Estava desenhado ali um caminho que colocaria em risco o bom funcionamento da máquina, do led e do operador: ele buscou mais e mais informações, e sem notar [pois é para isso que existia a máquina] o led deixou de acender uma única vez. Foi o bastante para ele colocar a máquina e a si próprio numa situação embaraçosa, pois as informações conquistadas davam a entender que uma operadora [e sua respectiva máquina] gostariam de ter a companhia dele [e, claro, da sua máquina e talvez até do led]. Neste momento a máquina, inábil nos assuntos particulares dos humanos operadores, disse que não poderia ajudar o operador neste caso, e ele ficou no que chamam os humanos numa sinuca de bico. Caberia a ele então resolver sua pendência com a operadora, e ela por sua vez com sua máquina.
E então o operador fez uma última pergunta para sua máquina: "Você acha que eu devo fazer com que eu e ela -e você e a máquina dela- trabalhemos juntos?"

E é por isso que este relatório de erro está tão extenso, caro "Criador", pois como pode perceber não sou eu que tenho a resposta para a pergunta de meu operador, e de fato ele deixou o meu led em um constante 'stand-by' porque até eu conseguir a resposta, nem eu poderei me reportar a ele, e nem ele poderá me passar outras funções.

P.S.: Este relatório poderá ser mostrado a quaisquer humanos [ou sobre-humanos] que o Senhor achar por bem, pois qualquer ajuda neste momento é bem-vinda, e as super-máquinas que aí estão com o Senhor talvez saibam a resposta que eu preciso dar a ele.

P.S.2.: Desculpe por reportar-me na terceira pessoa do singular, caro Criador, pois é delegado apenas aos humanos apresentar-se na primeira pessoa, algo que eles chamam relações pessoais.

P.S.Final.: O operador entrou em um estado de insônia, algo que -dizem os humanos- é causado por preocupações que lhe tiram o que chamam de sono, que é algo que eles fazem para descansar e repor as energias. Por isso, esta máquina que lhe fala está seriamente preocupada com a saúde física e mental do operador, pois me parece que para os humanos é extremamente necessário desligar-se de suas máquinas por algumas horas diárias.


Ass.: Uma máquina modelo 1984-14/07 em stand-by.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Sobre estufa, carnaval e hipocrisia

[Já faz tempo que não critico algo...]


-
Tenho no computador, bem separado como não pode deixar de ser para alguém metódico, matérias jornalísticas 'diversas'. Entre aspas porque a maioria delas é sobre um único tema: aquecimento global. Não sei porque ao certo, mesmo porque acho que não precisa de explicação.
Desde o nível de gelo na Groenlândia [que atualmente quase ninguém sabe onde fica] ao impacto da navegação nos oceanos, enfim, um material sempre crescente.
Talvez para alguém pouco observador os detalhes não sejam notados, mas está cada vez mais fácil: as tempestades de verão cada vez mais terríveis, as enchentes mais desastrosas, o granizo maior e mais pesado [e isso falando só de São Paulo, pois as conseqüências climáticas estão por todo lugar]. Nada disso acontecia até alguns anos atrás, ou até acontecia, mas não com tal fúria. É só ver a incidência de ciclones no sul do Brasil e a ressaca cada vez maior no sul e sudeste. E também o fato de várias baleias encalharem nas praias Brasileiras.
Tudo isso vem do aquecimento. Mas continuamos ignorando...
Quando uma tempestade cai, destrói barracos, inunda casas e causa inúmeras perdas, qual é nossa primeira reação? "Ahh, São Pedro exagerou!"
Estamos perdendo tempo demais com o plimplim e esquecendo do que realmente importa... Daqui cinqüenta anos não teremos mais um planeta 'harmônico' como é hoje. E infelizmente já temos que usar aspas.
Hoje no mundo globalizado das 'Nações Unidas' toda negociação é realizada a duras penas e com muita discussão, o que leva anos. É só ver o Protocolo de Kyoto e a Rodada de Doha. Quantos anos discutindo tratados que nascem com prazo de validade e quando entram em vigor já estão pela metade!
Se barganha tanto pela redução da redução de índices que tudo vira uma grande palhaçada. São os responsáveis pelas relações exteriores dos países que mais causam e mais sofrem com as conseqüências que estão reclamando uma revisão de meta aqui e ali, pois isso 'prejudica o crescimento do país'. São algumas dezenas de diplomatas enfadonhos com o fato de terem que estar ali que estão protelando mais e mais as curas para o planeta. Devem achar que há bastante tempo para salvá-lo [talvez eles sejam apenas 'grandes otimistas']!
Ou hipócritas, o que parece mais cabível. Como se fosse possível escolher 'salvar um pouco e consumir um pouco', em detrimento de encarar a realidade, diminuir emissões, quebrar barreiras protecionistas e perdoar dívidas de países miseráveis. E ainda são capazes de dizer que tudo isso é demagogia, impossível de se realizar.
Dei-me conta de que não só as cidades, os estados, o país está na mão de pessoas pouco preocupadas em mantê-lo, achando que será sempre renovável. Mas não, o mundo todo está, na realidade. Começo a descrer perigosamente na ONU, que foi idealizada pelos EUA, é verdade, mas sempre procurou ser correta. Estão todos emperrados sem saber como avançar um passo sem retroceder dois. E lá estão algumas das mentes mais inteligentes de cada país, o que torna mais incrível o atraso mundial em relação aos próprios recursos.
Apenas para quem está muito fora de órbita, preocupado com o Big Brother [não o de George Orwell] não liga para isso. E pior, esses são a maioria.
Aliás, sem saber dos números é certo falar que quase todo mundo que você perguntar nem faça idéia de quem é Orwell. E a tendência é só piorar, se quiser encarar a realidade.
Mas voltando para a hipocrisia. Sim, hoje é ela que governa a ONU, o Brasil, os estados e por aí vai. Aliás ela não é exclusiva dos três poderes. Em todos os setores da Economia e camadas da Sociedade ela está lá, enrustida nas palavras e ações de cada um, mas vem à tona facilmente numa simples conversa.
E claro, o Brasil também é o país do Carnaval. Mas está sendo dominado pela hipocrisia também. Cada vez mais difícil de notar as belezas de alegorias e adereços que só o Brasil é capaz de produzir, porque por trás disso há um negócio milionário. Sim, negócio e milionário, tendo em vista as cifras de patrocínio de escolas e valores de transmissão e intervalos comerciais. Alguma empresa investir em determinada escola nem é condenável, dependendo do caso, agora o perigo está se espalhando...
Uns anos atrás uma escola do Rio teve o patrocínio de ninguém menos que a estatal brasileira do petróleo, para mostrar na avenida um enredo sobre nada menos que... Energia!
O resultado desastroso na apuração talvez tenha sido um alento para nós que reparamos nessas faltas de senso.
Mas esse ano a coisa foi elevada a outro nível. A prefeitura [?!] de Recife doou alguns milhões para essa mesma escola falar sobre... Recife e o frevo!
Enquanto as próprias escolas de samba de Recife receberam algo próximo de 20 mil reais cada, menos ou mais.
Mas claro, o carnaval do Rio é visto pelo mundo todo, é justificável...
E outra escola, aliás, a atual campeã, e que tem faturado tudo nos últimos anos com ajudas no mínimo questionáveis de patrocínio venceu esse ano falando sobre outra cidade... A longínqua Macapá, que para quem é do eixo centro-sul é um grande mistério, assim como os outros estados do norte e até mesmo alguns do nordeste [já que para a imprensa daqui costuma considerar que o Brasil é aqui e apenas aqui].
E falaram de Macapá porque querem mostrá-la para o Brasil e/ou o mundo?
Alguns, até quero crer, talvez sim. Mas não quem idealiza o show. A hipocrisia está aí de novo, mostrar preocupação com pessoas que vivem dentro do nosso próprio país e que por falta de espaço não podem mostrar as belezas e costumes de sua terra. Na teoria é tudo muito singelo, mas francamente, vindo de onde vem não há como concluir outra coisa.
E esses mil e um pensamentos lhe passam pela cabeça quando você tenta se concentrar no que as escolas estão mostrando de bom na avenida, porque de fato ainda há muitas coisas boas, graças a Deus e aos carnavalescos humildes e sem mania de querer conquistar o mundo!
E uma pessoa que não consegue simplesmente organizar os pensamentos e tem comichões para colocar tudo no papel tem que se perguntar... "Eu sou crítico demais ou isso é muito descarado?". Não há como fechar os pensamentos afirmando que o Brasil é o país da hipocrisia institucionalizada.
Mas 'felizmente' [utilizada nessa frase com o sentido mais bizarro que já vi] não é privilégio nosso. A ONU está aí para não nos deixar esquecer.
Quem sabe se minha carreira de cineasta vingar eu ainda farei um filme sobre um planeta com recursos abundantes, avançado em tecnologia e em material humano e que sabe cuidar muito bem do que sua natureza lhe oferece resolve fazer expedições para tentar descobrir outros planetas com vida semelhante, 'inteligente', e aportem na Terra...
Bem, se é que o Kubrick ainda não fez isso. Mas é assunto pra outras estórias...

sábado, 20 de outubro de 2007

Quem é você?..

Por onde você anda? O que você faz e com quem você faz? Sobre o que você conversa? Você conversa ou mata o tempo? Você aproveita o tempo? O que você vai deixar?..


Não se assuste com a[s] pergunta[s]. Quantas vezes você já parou pra pensar no que fala, no que faz, no que não faz?
Somos obrigados a quase tudo, obrigados a ver tv, obrigados a não pensar no que não devemos, obrigados a consumir... E então, quem somos nós?
Eu digo o verdadeiro ser de cada um. Estamos em extinção, essa é a verdade.
Os seres pensantes estão deixando de existir, amortizados por uma vida sufocante e torturadora. Sem pânico, é isso mesmo.
Não conseguimos mais nos dedicar ao que gostamos, e se o conseguimos, é um luxo!
Então fazemos coisas mecanicamente, sem parar pra pensar se gostamos ou se aquilo é realmente algo lúdico. Não mais nos dedicamos a conversas inteligentes [claro, salvo sob raras e felizes exceções], não falamos o que pensamos, não fazemos o que pensamos. Estamos nos acomodando, e isso é muito perigoso.
Lugares questionáveis, amizades questionáveis, atitudes, conversas etc... Deixamos escapar nossos verdadeiros pensamentos várias vezes por preguiça, cautela, etc etc. Estamos correndo sério risco de ficarmos atrofiados, indo no sentido contrário da evolução [alguns aliás já estão neste retrocesso há dezenas de anos].

Se não pararmos o mundo pra nos dedicar a transmitir o que nós somos, não vai mais haver mundo daqui um tempo. Ainda há esperança nas idéias de quem não aceita simplesmente tudo que é obrigado a engolir, nas idéias de quem contesta.
As famílias estão se extinguindo, e eu tenho pavor de colocar neste mundo mais uma vida condenada, como tantas outras pessoas que pensam o mesmo.
Então, cabe a nós pavorosos termos um pouco mais de pulso -e de estômago- pra reparar um pouco do mal que fazemos, e quem sabe [quem sabe], ainda deixar algo de bom pro futuro...

[falar que isso é utópico já é um péssimo entendimento...]

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A madrugada é meu elemento

Hora de silêncio. Enqüanto [quase] todos descansam, só o ruído do computador ligado e das teclas batidas com afinco e calma, ao mesmo tempo.
Na rua o silêncio. A lua se o céu é claro, e se está nublado, não é de todo mal. Nos prédios quase nenhuma luz acesa, e as que persistem certamente pertencem a outros notívagos. Pessoas à parte do normal, transformam a noite em dia e dela aproveitam o máximo, ao custo de algumas horas de sono.
Um mundo paralelo que apenas se desenvolve enquanto a penumbra cobre as ruas. Os que em casa trabalham ou se divertem, os que do lado de fora preferem andar a pé, de preferência acompanhados de boas conversas e bebidas. Apenas o barulho profano de alguns carros e ônibus que insistem em dizer que a madrugada também tem vida.
A vida... Incrivelmente efervescente, abafada pelos clubes fechados de música absurdamente alta ou barzinhos de música ao vivo com pessoas que vivem da e para a madrugada;
Ou então reprimida pelos apelos dos que tentam dormir e se incomodam com o som dos passos e risadas daqueles que passeam pelas ruas. Aqueles que amam ainda mais a madrugada por ser transgressora, comportamental e moralmente horário de dormir, apenas.
Ser dela um amante não é tarefa fácil, e é recomendável aprender desde cedo, o que reforça seu caráter 'transgressor', pois jovens andando pela madrugada, numa mistura comumente de drogas e álcool geralmente não resulta em boas conseqüências. Mas há os que, felizmente, não se deixam levar pelo seu breu acobertante. Aprendem a aproveitá-la, horas escassas que fazem falta no dia seguinte.
É a hora de libertação. Os escravos do horário comercial podem relaxar, beber alguma coisa [a quantidade ou o teor alcóolico depende de cada um], falar palavrões com amigos [não em caráter desrespeitoso, apenas extravasando], andar sem rumo definido, mas principalmente, conversar: é quando cada um pode falar o que quiser, assunto importante ou não, sem se sentir vigiado, avaliado, julgado.
Os que vivem da/para a noite geralmente já estão acostumados com tais acontecimentos, sabem o que esperar de uma noitada e principalmente sabem do que falar. É como uma sociedade, com todas as suas camadas, inteligente e próspera. Os que têm o discernimento de avaliar detalhe por detalhe dos assuntos mais difíceis ou aqueles que não tem tal cultura, mas entendem na pele tudo o que se discute. É uma população aberta ao diálogo, algo que se perde nas horas loucas do dia ensolarado, quando todos querem e são obrigados a se comunicar rápido, a trabalhar rápido, a ser sempre mais rápido que o colega ao lado, depreciando assim as relações pessoais. Os escravos do horário comercial não se conhecem, e a madrugada, ao contrário, proporciona exatamente isso.
Resta aos amantes da madrugada uma vida paralela à normal. Por causa das horas perdidas de sono, geralmente são amantes do café e das bebidas estimulantes, além do álcool. São comumente associados a pessoas que vivem fora da lei [pelo menos a lei que consta no papel], estão acostumados a batidas policiais e chamados de 'apelidos' nada animadores, as vezes visto como vagabundos que nada melhor têm a fazer. Muito pelo contrário, olhando de perto, nesse horário encontraremos algumas das pessoas e idéias mais facinantes, um mundo [pelo menos imaginário] mais próspero e possível de funcionar do que o iluminado pelo sol e regido pelo dinheiro.
Ahh sim, o dinheiro. Necessário dia e noite, como não poderia deixar de ser. Bancos 24 horas que não funcionam depois da meia noite, luminosos alucinantes piscando pela cidade, convidando os passantes noite adentro [felizmente não há mais luminosos e propaganda na cidade de São Paulo]. Necessário, sim, mas não fundamental. Com qualquer 5 ou 10 reais, juntando moedas entre amigos e guardando apenas o necessário para voltar pra casa, pode-se divertir e encontrar por aí inspiração para conter os bocejos até o dia amanhecer, seja qual for o gosto de cada um.
O único pesar dessa vida é que a outra vida, a que costumam chamar de 'importante', é opressora e não vê com bons olhos aqueles que apreciam a noite. Uma pena, pois essa vitalidade e essas idéias que surgem na madrugada, único horário livre que os escravos podem se dedicar ao que realmente lhes interessa, que movem a sociedade-diurna-capitalista-selvagem;
Tudo o que estes notívagos gostariam, e este singelo narrador endossa, é uma sociedade que não ficasse presa ao relógio e ao céu, escuro ou claro, e sim vivesse desse céu. Parasse por alguns minutos para pensar que nós vivemos do mundo, e não o mundo vive de nós. Nós passaremos, mas o que vamos deixar?..

T. 14/09/2007

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Urbanos pero no mucho inteligentes

Padrões de beleza questionáveis. Amizades eufóricas como uma noite na balada mais agitada e barulhenta. Dinheiro que não é problema. Casais se formando às dúzias. Egocentria, egoísmo, falsas sensações de felicidade, segurança, paixonite aguda e até mesmo amizade. Tudo isso me dá medo. E pena, muita pena.

Pintam os quadros de si próprios como fossem Monet ou Van Gogh. Se colocam inatingíveis, nas alturas, num padrão de vida ilusório e consumista.
Que nojo... Asco de pessoas com as quais eu convivi até bem pouco tempo.

Transformam-se em fantoches mais preocupados com o que o dinheiro pode trazer.
Hoje durmo com repulsa, mas um dia toda essa 'segurança' cairá por terra.
E nesse dia serei eu que darei risadas, essas de fato felizes, por provar que os castelos de areia são frágeis e a beleza é só torpor. Um plano impostor...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Acerca do tempo

Pra quem cresceu com a chamada Síndrome do Patinho Feio, é uma virada e tanto se descobrir no lado oposto. Nem Cisne, nem Patinho Feio. O processo, é verdade, é longo e caminha junto com o amadurecimento [se bem que este acho que nunca cessa], e pelo menos no caso desse humilde narrador, não foi forçado.
Fluiu com os anos, pós-colegial, faculdade, viagens da faculdade, estágio, grupos sociais, primeiro emprego, etc... E com as fases muitas mudanças de visual e de caráter. Forçadas ou não, mudanças são mudanças e são sempre para melhor. Caso contrário, era só voltar até a anterior, como se retorna um jogo salvo após morrer, e fazer o certo desta vez. E assim fui levando os meses.

Pois quando se pára pra pensar, não é que agora estou no olho do furacão?

Claro que não era só coisa da minha cabeça, coisas de adolescente. Era um todo, acho que todos passam um dia pela fase de 'rejeição', tentam ingressar em certos grupos sociais para ter aceitação, e assim conseguir um reconhecimento. No meu caso tudo foi mais difícil, sem fazer drama de Cinderela no porão, por motivos que não vou dizer agora.
Mas sempre havia mais expectativas sobre mim do que eu mesmo podia captar [e olha que inteligência é algo que se desenvolve plenamente apenas depois do colegial, tenho certeza disso!]

Pois então, depois de conseguir a aceitação o próximo passo seria o mais difícil. O de ser querido dentro do grupo. Ser aceito é uma coisa, qualquer um pode ser aceito em qualquer grupo, desde que saiba o que está fazendo e se sujeite a isso. Ser querido não, é algo mais profundo, que envolve X questões muito mais profundas e difíceis de se debater!
Já que a tal Síndrome do Patinho Feio era algo que sempre perseguia, não era nada fácil ser querido por um grupo, por alguém. E de tanto martelar isso acaba entrando na cabeça. E cresci, então, admirando ideais românticos da turma de Álvares de Azevedo, com seus ultra-romantismos exagerados [não é redundância do texto, eles eram demasiado exagerados mesmo nos seus delírios românticos] ou então das Novelas de Cavalaria, em que os heróis cavaleiros sempre tinham uma milady Guinevere para salvar.

Portanto, além das síndromes e das idéias 'embutidas' pelos comentários alheios, pesava também o fato de crescer acreditando em algo que de fato não existe, a não ser em delírios de poetas bêbados que não gostavam das suas aulas de Direito...
Realmente muita coisa para a pobre mente de um jovem confuso e magricelo. Ainda bem que essa era a fase de se perder por aí até descobrir de fato quem se é. E isso ainda demorou a ocorrer.

Pois bem, as únicas coisas certas na vida são que o tempo passa e a morte chega. E o tempo passou, naturalmente, oferecendo experiências completamente diferentes das vividas antes da 'maioridade', digamos assim. Foi a época de conhecer o máximo possível no menor tempo possível. E, de fato, deve ser por isso que a maioria dos jovens sente falta dessa exata fase assim que ela é superada.
E foi superada. Começaram a aparecer responsabilidades, com elas a esperança de ingressar num mundo novo de pessoas flertando sem se importar em serem mal-entendidas, trocas de números de celular e promessas de romance surgindo. Nesta fase, então, adentra-se à 'pós-adolescência', a vida pré-adulta. E para algumas pessoas o hiato entre uma fase e outra dura bastante tempo...

Já nesta fase as síndromes parecem não importar tanto. Afinal, quem não tenta 'não pontua', como se diz nessa idade. Experiências negativas aqui e ali, sofrimento causado e sofrido, aprende-se bastante. Infelizmente esse é o único meio.
A Síndrome do Patinho Feio começa a se transformar, internamente, na do Cisne que fora pato e que jamais quer voltar a sê-lo. Pois então ele investe em si próprio, no caso deste narrador, mais em auto-propaganda propriamente dita, e pensa que agora sim está pronto, que aprendeu de tudo.

Mas ora, quem acha que aprendeu de tudo é porque não viu nada ainda! E então seguem mais desastres, que impõem lições a serem aprendidas. O jeito é aprender para não repetir.
E o cisne que fora pato vai fazendo uso de suas asas. Adquire novos conhecimentos, agora não só em vivência como também em cultura. Deve ser normal da idade ou do amadurecimento fugir do comum para buscar o prazer em pequenas coisas. E aquilo que até 3 ou 4 anos antes era diversão agora se traduz em martírio! Por isso, então, jamais amaldiçoe algo, pode virar-se para você quando menos se espera.

Agora o cisne é pesado demais para voar, e suas responsabilidades pesam em suas costas, não lhe permitindo vôos longos. Já não era, por dentro, um cisne, muito menos um pato. Agora então, um pássaro?
Sim, aprendera a se desprender do peso, manipulando-o. Se as responsabilidades são pesadas demais, dá-se total atenção a elas, abdicando do resto. Se não, pode-se exercer o tempo vago para refletir e reavaliar os conceitos acerca de suas 'ex-síndromes'.
E o que vosso narrador fizera?

Bem, não mais pato, nem cisne, mas pássaro. E agora sem síndromes. Nada de achar que tudo antes fora inválido ou inverdade. Tudo fora um caminho para que hoje o pássaro se tornasse admirado, querido. De fato, conseguiu, em algumas doses.
Mas agora esse pássaro aprendeu a voar, tomou gosto pela coisa, e já não pertence a mais ninguém, apenas se pertence. E justamente agora que poderia tomar proveito dos benefícios que ser um querido pássaro proporcionam é que ele quer voar, ser livre, não estar amarrado nem [pelamor!] engaiolado. O pássaro agora quer apenas voar tranquilo e só, consciente dos seus erros e percalços e sabendo que é até cruel ignorar a natureza, que lhe ordena fazer o que é normal, procurar membros femininos da sua espécie.

Este pássaro aprendeu a se soltar das síndromes e dos rótulos, e quer apenas voar.


[Nota do E.]: Este texto explica o novo título do blog... Inteligente sim, pseudo-cult e esnobe talvez. Um tanto blasé... Pero no mucho!

sábado, 30 de junho de 2007

Rumo ao sul

post scriptum...
-


[diário de viagem de um louco]...
Epílogo


E o que ficou? Esta seria a pergunta que ficava martelando na cabeça nos meses seguintes, pelo menos nos quatro ou cinco... Logo depois da volta tudo mudou, virou de pernas para o ar. Os dias que se seguiram passaram penosos, o aniversário chegou, a sensação de ficar mais velho só piorou as coisas... Encontrando-se em uma encruzilhada a solução é tomar o caminho mais lógico, e seguir...
E seguindo os dias foram passando, as semanas, os meses... Os estudos voltaram a ser importantes, ocupando o tempo e até mesmo divertindo. Mais tempo passando, mais amizades, mais distração... A cura se faz por si próprio.
Muitas das palavras que seguiram de ambos os lados seriam motivo de arrependimento depois, mas nessas situações o melhor é falar, gritar, brigar com o mundo para pedir desculpas depois. É assim que as coisas funcionam e as relações se fortalecem. Agora eu sei bem...
E mais meses se passando, chega o momento de expor as idéias, transmitir os pensamentos pra que, quem sabe, eles semeiem algo em alguém. E que idéia melhor que um diário de viagem?!
Então dedos no teclado, vasculhando a mente [as vezes com ajuda do I-doser] para lembrar de cada detalhe de cada dia... E tudo foi fluindo... E a aprovação que eu mais precisava, eu tive... Ótimo, tenho que fazer disto o melhor possível!
E passados todos os sentimentos que prejudicariam minhas conclusões, o que posso lembrar, e dizer, são as memórias de um jogo do México deitado numa cama com pessoas rindo ao meu lado, das mãos dadas o tempo todo, das dezenas de amigos e pessoas inesquecíveis que pude conhecer, quando cheguei a pensar um dia que nunca chegaria até lá, do frio diferente do daqui, das longas caminhadas e do conhecimento que tudo aquilo me trouxe, da independência de estar, pela primeira vez, andando com as próprias pernas, lembranças de um jogo do Brasil acompanhado de pizza e muita zoação, das diversas casas que conheci e me receberam como se eu fosse dali, do nascer do sol refletido no Guaíba no dia da chegada, bem como os pilares da ponte que denuncia a chegada a Porto Alegre se aproximando na chegada e ficando pequenas e distantes na partida...

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Mudernidade

[pedindo licença para a autora da interjeição do título]...

No dicionário, temos como mais perto de 'modernidade':


modernice s.f. 1 Apego exagerado a coisas ou idéias modernas. 2 Mania de querer passar por moderno.


E para nós, seres humanos do século XXI, dotados de polegares opositores e o chamado 'livre arbítrio', mudernidade vem a ser algo muito comum, caminhando próximo com a modernice.
Hoje tudo está na rede. Quer achar um endereço? Sites de mapas temos vários. Quer fazer uma pesquisa? Wikipedia está lá maravilhosamente nos esperando. Quer achar sites com conteúdos específicos, ou mesmo aquele poema que você não acha mais porque seu livro do colégio está perdido em algum lugar do passado, Google nele!
É tudo tão fácil que chega a ser ridiculamente preguiçoso. Graças ao bom Deus nos meus tempos de colégio o Google ainda caminhava, pois assim aprendi que trabalho escolar não é ctrl + c, ctrl + v e ctrl + p... Há até poucos anos atrás aprendíamos a pensar, hoje aprendemos a pesquisar e copiar, e os microssegundos que a pesquisa dura dão uma noção do 'orgasmo intelectual' que é procurar algo na rede... Hoje há de tudo, até em exagero. Muito exagero, por sinal. Nos meus tempos de colégio sofríamos de escassez de informações na rede, assim tínhamos o hábito de pegar livros na biblioteca [ah sim, na faculdade também, mas nela havia a desculpa dos conteúdos serem extremamente específicos...] Hoje não, sofremos sim pela superabundância de informações. É tanta coisa em tanto lugar que separar o joio do trigo não é pra qualquer um...
E isso se levarmos em conta apenas a esfera de conteúdo 'útil' da rede, pois o inútil é amplamente maior [redundantemente dizendo]. Programas dos mais diversos, cada um pra um tipo específico de ação. Quer baixar músicas ou vídeos? Há um programa. Quer proteger o computador? Existem vários tipos de programas, do antivírus ao firewall... Quer se comunicar? Nossa, programas de mensagens instantâneas são cada vez mais diversos e multifuncionais... Faz- se de tudo para que você não saia da frente da tela por um minuto. Jogos, conversas em vídeo, áudio, manuscrito, chats... Se duvidar logo vai ter como mandar sinal de fumaça por eles!
[E vejam bem, ainda nem falei dos sites...]
Ah sim, pois bem, os sites. Com a explosão da internet no nosso país, quando a internet gratuita surgiu, eles foram ficando cada vez mais aprimorados. Novas linguagens de programação eram dominadas pelos nossos amigos que identificaram nisso uma boa oportunidade pessoal, financeira, etc etc., com a contribuição, claro, da melhoria gradual nos hardwares dos usuários de computadores. Sites de jogos, enciclopédias virtuais, comunidades mundiais de pessoas, postagem de vídeos, blogs, fotos, etc etc...
Muito bonito e próspero, por sinal.
Mas aí há um pequeno problema, que começou como uma coceirinha de nada e foi crescendo... E crescendo... E logo se tornará um problema de âmbito nacional: nossas redes de telecomunicações, sob raras exceções, são velhas e desgastadas. Alguns muitos lugares do Brasil nem banda larga têm ainda [e vejam bem, nem são lugares isolados.] É no mínimo curioso que no país da urna eletrônica [que já deveria ter sido exportada] não haja uma rede de telecomunicações capaz de dar conta do fluxo de informação que rola na rede. Claro, por isso todos nós temos uma grande culpa, com nossa avidez por nos mudernizarmos...
E nos irritamos a ponto de querer descontar nos nossos 'pobres' hardwares, que nada têm a ver, estão ali se esforçando, como máquinas, para nos trazer tudo que os dedos clicam através do mouse e digitam pelo teclado. É tão engraçado que para dormirmos tranquilos temos que dar um alt + F4 na mente, senão ficamos pensando no que deixamos de fazer na rede no dia que passou...
Para terminar, um ótimo exemplo do que a mudernidade nos traz: o ato de emular [reproduzir com efeitos próximos] as coisas. Começou com jogos de videogames quase extintos, como nosso saudoso Atari, e hoje já emularam até as drogas. E com resultados muito próximos aos reais. [Aí os leitores vão me perdoar, mas eu como bom careta que sou, nunca experimentei drogas ilícitas...]
Mas confio, evidentemente, na descrição de quem já as tomou. E a emulação de sentimentos não parou com as drogas não. Estão indo cada vez mais longe, reproduzindo sensações do big-bang [sim, aquele mesmo que originou o Sistema Solar], de estar sonhando acordado [e eu realmente me senti levitando!], sensações de estar fisicamente com alguém que não está perto de você [e olha que os resultados são bons...], sensações de criatividade e inspiração, e, pasmem, até de orgasmos.
Ahh, essa mudernidade... Eu prefiro ser careta, baixar e-books pra ler, ter conversas com pessoas cults que tenham gostos que completem os meus, passar o tempo a toa pesquisando sobre filósofos dos quais eu ainda não li as obras, ver filmes que me deixem com cara-de-ponto-de-interrogação, e , principalmente, procurar nessas poucas pessoas algo que me inspire, que me incite. E consegui. Obrigado, Srta. autora do termo que eu tomei emprestado! Me deixaste com o ponto de interrogação na testa, hoje.
E, ao elaborar um texto capaz de descrever toda essa mudernização em minha mente, a sensação quando a conclusão deste texto pseudo-explicativo se aproxima, é a de um orgasmo intelectual. Desta vez sem aspas, porque essa é uma sensação que mesmo os brilhantes técnicos do I-doser devem demorar MUITO a conseguir reproduzir...

[Ah, como eu amo a metalinguagem.......]