terça-feira, 25 de setembro de 2007

Anti-síndrome de Estocolmo

Outrora as assombrações eram penosas. Perseguiam em sonhos, datas, devaneios. Quando o consciente não lhes dava atenção, buscava as armas do sub-consciente, que era bem mais cruel.
Mas mesmo as piores assombrações deixam de assustar, e eventualmente, acabou de fato acontecendo. Os fantasmas perdem força com o tempo, com os novos olhares, com as novas chances que o pensarpositivamente traz.
E, com o tempo, novos fantasmas podem surgir. Talvez menos cruéis, que não nos deixe tão paranóicos, insones, auto-destrutivos... E coisas do gênero.
Talvez assombrações viciantes. Que você teme, mas não pode ficar sem. Que se tortura quando te rodeiam, mas se sente melhor ao seu lado, quando te assombram, do que nas horas ou dias restantes em que não se manifestam.
E qual não é a dúvida do ser em questão assombrado em fazer algo mais para fazer parte da vida dos fantasmas... Mas fazer o que, e como? Fantasmas servem para isso mesmo, qualquer aproximação terá suas conseqüências, e estas indagações são uma tortura psicológica enorme.

Enfim, fantasmas já foram amedrontadores e torturadores... Hoje são um vício inexplicável.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Sumido!


- Oi! Tudo bem com você?.. Ta sumido!...

- Pois é. Estou sim.

- E o que tem feito?


- Nada.





[É assim que um desocupado se sente...]

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Review: 'Dolls'

Dolls, 2002. De Takeshi Kitano, aclamado diretor japonês. Um filme que foi premiado por sua direção de arte, iluminação e fotografia, mas seu principal triunfo foi o Leão de Ouro em Veneza, 2002. [cartazes abaixo]

 cartaz internacional



Faz quase um ano que eu vi o filme pela primeira vez, não sei por quê só fui ver de novo agora, mas isso me fez ver alguns detalhes que passam despercebidos quando se vê um filme cheio de beleza visual pela primeira vez.
E é isso que o filme tem. Detalhes maravilhosos, fotografia muito bela [comum em filmes orientais].
O título se explica no começo do filme, ao exibir um teatro de bonecos japoneses. Este teatro, muito tradicional por lá, sempre apresenta tragédias envolvendo os personagens, manipulados sempre por pessoas na frente do público.
É uma introdução para as três belas e tristes histórias de amor que o filme conta. Não recomendado para quem tem peso no coração, pois o filme é mesmo triste. E maravilhoso.

Abaixo, o trailer

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Desmemórias- capítulo 04

Ele esperava pela consulta no oculista. Vez ou outra sempre encontrava uma desculpa para ver o ex amigo de colégio, lhe perguntar sobre as cirurgias corretivas, os óculos novos... Mas na verdade eram mesmo desculpas. Ele ia lá, já há alguns meses, apenas para olhar a recepcionista/secretária. Tinha desenvolvido uma certa admiração por ela, bonita, de olhar bonito, mas com um algo mais indecifrável, engimático. E quão frustrante era algum desses dias em que passava por lá e não a encontrava, até decorar seu horário de trabalho. E ao cansarem, ambos, de trocas de olhares que eram como pontadas no coração, decidiu-se por esperá-la sair do consultório um certo dia.
A feição dela não era de surpresa. Talvez esperasse por isso, talvez quisesse ter feito algo mais para que ele entendesse sua mensagem. Mas não podia mais do que lançar seu olhar fixo e profundo, esperando dele uma palavra, uma atitude.
O rosto dela lhe povoou a mente por alguns dia. Aqueles cabelos caídos minuciosamente sobre os olhos, a pele branca, alva. Alguns dias com o cabelo solto, era a visão de seu dia.
Pensava nisso enquanto a esperava em frente ao estacionamento da clínica. Abordou-a, conversaram. Veio a carona, o café no barzinho, o jantar. E então, as baladas, as trocas de confidências, o 'relacionamento' estava montado. Tudo ao longo de vários meses, muito bem aproveitados por ambos. Se davam bem, viam-se duas ou três vezes por semana, dependendo de suas ocupações. Ele um freelancer em fotojornalismo, ela fazendo faculdade e trabalhando para pagá-la. Era o 'começo' de algo, nenhum dos dois se preocupava em aonde iria dar.

-

Deitado na areia ele lembrava de quando haviam se conhecido, dos dias em que ele ia ao consultório apenas para vê-la, sem ao menos contar para o seu amigo, patrão dela.
Pensava, sem saber por quê, no começo deles. Incomodava-lhe o fato de terem brigado, mas ele tinha uma leve impressão de que ainda poderiam resgatar o que tiveram antes. Tentava imaginar como lembrando de quando se conheceram. Ao sair do apartamento dela, na noite anterior, pegou o carro e desceu logo em seguida para a praia. Um 'apertamento' que conservava lá a duras penas, e que fôra muito frequentado quando o romance ainda era novo, mesmo sendo eles 'liberais', como gostavam de chamar.
Tinha quase uma certeza de que qualquer relacionamento que tivesse seria assim, penoso, se perguntando freqüentemente se aquilo que eles tinham não seria, de fato, o melhor e mais verdadeiro posssível.
Cansara de pensar. Sabia que não poderia ligar, depois da discussão de ontem. Também não queria ligar. Resolveu ficar o dia na praia, tentar pegar algumas ondas, limpar a mente para voltar com o espírito renovado para a conversa que teriam. Seria a última?

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A madrugada é meu elemento

Hora de silêncio. Enqüanto [quase] todos descansam, só o ruído do computador ligado e das teclas batidas com afinco e calma, ao mesmo tempo.
Na rua o silêncio. A lua se o céu é claro, e se está nublado, não é de todo mal. Nos prédios quase nenhuma luz acesa, e as que persistem certamente pertencem a outros notívagos. Pessoas à parte do normal, transformam a noite em dia e dela aproveitam o máximo, ao custo de algumas horas de sono.
Um mundo paralelo que apenas se desenvolve enquanto a penumbra cobre as ruas. Os que em casa trabalham ou se divertem, os que do lado de fora preferem andar a pé, de preferência acompanhados de boas conversas e bebidas. Apenas o barulho profano de alguns carros e ônibus que insistem em dizer que a madrugada também tem vida.
A vida... Incrivelmente efervescente, abafada pelos clubes fechados de música absurdamente alta ou barzinhos de música ao vivo com pessoas que vivem da e para a madrugada;
Ou então reprimida pelos apelos dos que tentam dormir e se incomodam com o som dos passos e risadas daqueles que passeam pelas ruas. Aqueles que amam ainda mais a madrugada por ser transgressora, comportamental e moralmente horário de dormir, apenas.
Ser dela um amante não é tarefa fácil, e é recomendável aprender desde cedo, o que reforça seu caráter 'transgressor', pois jovens andando pela madrugada, numa mistura comumente de drogas e álcool geralmente não resulta em boas conseqüências. Mas há os que, felizmente, não se deixam levar pelo seu breu acobertante. Aprendem a aproveitá-la, horas escassas que fazem falta no dia seguinte.
É a hora de libertação. Os escravos do horário comercial podem relaxar, beber alguma coisa [a quantidade ou o teor alcóolico depende de cada um], falar palavrões com amigos [não em caráter desrespeitoso, apenas extravasando], andar sem rumo definido, mas principalmente, conversar: é quando cada um pode falar o que quiser, assunto importante ou não, sem se sentir vigiado, avaliado, julgado.
Os que vivem da/para a noite geralmente já estão acostumados com tais acontecimentos, sabem o que esperar de uma noitada e principalmente sabem do que falar. É como uma sociedade, com todas as suas camadas, inteligente e próspera. Os que têm o discernimento de avaliar detalhe por detalhe dos assuntos mais difíceis ou aqueles que não tem tal cultura, mas entendem na pele tudo o que se discute. É uma população aberta ao diálogo, algo que se perde nas horas loucas do dia ensolarado, quando todos querem e são obrigados a se comunicar rápido, a trabalhar rápido, a ser sempre mais rápido que o colega ao lado, depreciando assim as relações pessoais. Os escravos do horário comercial não se conhecem, e a madrugada, ao contrário, proporciona exatamente isso.
Resta aos amantes da madrugada uma vida paralela à normal. Por causa das horas perdidas de sono, geralmente são amantes do café e das bebidas estimulantes, além do álcool. São comumente associados a pessoas que vivem fora da lei [pelo menos a lei que consta no papel], estão acostumados a batidas policiais e chamados de 'apelidos' nada animadores, as vezes visto como vagabundos que nada melhor têm a fazer. Muito pelo contrário, olhando de perto, nesse horário encontraremos algumas das pessoas e idéias mais facinantes, um mundo [pelo menos imaginário] mais próspero e possível de funcionar do que o iluminado pelo sol e regido pelo dinheiro.
Ahh sim, o dinheiro. Necessário dia e noite, como não poderia deixar de ser. Bancos 24 horas que não funcionam depois da meia noite, luminosos alucinantes piscando pela cidade, convidando os passantes noite adentro [felizmente não há mais luminosos e propaganda na cidade de São Paulo]. Necessário, sim, mas não fundamental. Com qualquer 5 ou 10 reais, juntando moedas entre amigos e guardando apenas o necessário para voltar pra casa, pode-se divertir e encontrar por aí inspiração para conter os bocejos até o dia amanhecer, seja qual for o gosto de cada um.
O único pesar dessa vida é que a outra vida, a que costumam chamar de 'importante', é opressora e não vê com bons olhos aqueles que apreciam a noite. Uma pena, pois essa vitalidade e essas idéias que surgem na madrugada, único horário livre que os escravos podem se dedicar ao que realmente lhes interessa, que movem a sociedade-diurna-capitalista-selvagem;
Tudo o que estes notívagos gostariam, e este singelo narrador endossa, é uma sociedade que não ficasse presa ao relógio e ao céu, escuro ou claro, e sim vivesse desse céu. Parasse por alguns minutos para pensar que nós vivemos do mundo, e não o mundo vive de nós. Nós passaremos, mas o que vamos deixar?..

T. 14/09/2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Every Little Thing- 'Yura Yura"

Sem muita enrolação, mais uma bela música japonesa...
Enquanto eu não aprender a colocar apenas a música, vou postando os vídeos...

São duas versões, uma montagem que alguém fez, e a do encerramento do 2o filme de Inuyasha, aí a música não é completa... Espero que alguém goste!




terça-feira, 11 de setembro de 2007

Forte Vício

Vicioso. Seja qual for a ocasião, o traje, a situação. Percebe-se um alvo em potencial, apenas para testar. Fixa o olhar no alvo, de óculos escuros ou não, cabelos curtos ou compridos, com uma certa preferência para as cores escuras,  é verdade. Contando os segundos, intermináveis e ao mesmo tempo escassos... Se não retribuem, é só mais um motivo para tentar outra vez, com outro alvo.
Não se faz uma estatística do tipo [apenas aqueles que gostam de se gabar], mas sempre há um olhar correspondido. Talvez melhor que muitos esportes. Mais satisfação por um olhar e um sorriso do que o gol do próprio time, sem dúvida!
E não que isso seja motivo para se considerar um galã, longe disso. É apenas algo prazeiroso, revitalizante. No meio da multidão, alguém pensa o mesmo que você. Quem sabe, talvez, o olhar e o sorriso queiram dizer "Eu também não sou desse mundo. A gente ainda se esbarra"

Pode até ser devaneio... Que seja!
Vale a pena ser louco e viciado!

Fade-out

Take 1

Passos.
Em qualquer lugar, em qualquer ocasião.
Passos e pensamentos.
Decisões, perdas e ganhos.
Daqui pra frente nada é cem por cento.
Para chegar à fruta madura, há de se provar as que não tem gosto.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Review 'Closer'

Closer, 2004. De Mike Nichols, baseado numa peça de Patrick Marber, que assina também o roteiro. Com Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen.

Para quem tem interesse em ver os percalços que qualquer relacionamento pode passar, independente do que a pessoa vive, se suas atitudes amorosas são corretas ou não. O trunfo do filme é mostrar que só o amor pode não bastar, e consegue fazer isso sem julgar as atitudes dos personagens, deixando isso para quem assiste. Além disso tudo, o elenco é sensacional. Não se pode deixar de ver!

Então, separei duas cenas que são aulas de cinema, a inicial e a final [quem não viu não se preocupe, não muda em nada saber esta cena].
Um exemplo de que uma bela música e um slow-motion combinam perfeitamente!



a música: Damien Rice- The Blower's Daghter

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...

Did I say that I love you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new


quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Fagulha

Substantivo


fa.gu.lha feminino

1. centelha
2. faísca




Uma centelha, algo a ser descrito, porém é apenas uma levíssima sugestão.
Uma faísca, como a que sai do isqueiro por raros segundos e desaparece como se não tivesse existido.
Fagulha, substantivo feminino. Representa uma inspiração, uma sugestão, algo pelo qual se deve buscar o melhor das palavras para descrever as idéias plantadas.
A própria fagulha tem singela beleza, rápida, não se mostra a todos. Ilumina rapidamente e torna ao seu repouso, deixando no seu alvo a admiração e o agradecimento.
Então, cabe a este alvo de uma certa bela fagulha o agradecimento, e a promessa de ser sempre alvo!

Suspiro

É aquilo que acontece quando você se desliga do que se passa ao redor e solta um ligeiro escape de respiração...
Chamaram de suspiro, que de tão calmo e sublime, virou doce.
Alguns supersticiosos dizem que suspirar é deixar a felicidade escapar, e que salvando os suspiros e colocando a mesma energia em outras tarefas, elas se realizam plenamente, e em desejos, que eles se cumprem.
Mas, quem nunca suspirou não sabe o quanto é bom!
Ali, deitado numa rede, ou encostado numa árvore, ouvindo pássaros cantar e se concentrando em não fazer nada, soltar um singelo suspiro...
Pode alguma felicidade escapar nisso?

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Fade-out

Introdução

Passos.
Podem ser silenciosos sobre um carpete
Intermináveis contra o granito de um corredor imenso
Ou abafados contra um gramado.
Mãos nos bolsos.
Ombros largos.

Vento nas costas se a grama é o cenário.
Cabelo contra o vento
Pensamentos contra o tempo.

Passos ecoados se o corredor é o seu estar.
Sapatos contra as paredes que ressonam seu andar
Conspirando com o acaso ao acreditar que fôra melhor assim.

Ou então silenciados pelo carpete.
Pés descalços se iludem julgando que o chão é de veludo
Na cabeça, monta-se o final de uma tragédia grega.

Céu, terra e mar.
Os cinco elementos, as quatro estações.
O ano novo, o aniversário, os feriados.
Os números.

Os olhos vão adiante da linha do horizonte.
Sem focalizar nada e ao mesmo tempo registrando tudo
Fade-out, focando e desfocando conforme sua vontade débil
Enxergam a tudo, e ao mesmo tempo a nada.
Contabilizam mil pensamentos, e os descartam com velocidade ainda maior.

T. 03/09/2007


-
Fade-out,
descrição em inglês;

domingo, 2 de setembro de 2007

Desmemórias- capítulo 03

Era uma ligeira discussão, começada por alguma diferença de opiniões. Ele resmungou inocentemente algumas ironias sobre a 'comédia romântica' que assistiam. Ela não gostou. Pediu para que ele não fizesse isso, como se ele não o fizesse sempre, e como se pararia de fazer.
Ele se recolheu de perto dela, desencostando e deixando a cabeceira do sofá, algo que desagradou ainda mais.
Ela levantou, perguntou-lhe por que ele precisava fazer sempre a mesma coisa [desagradável].
Ele respondeu que os hábitos do 'casal' é que deviam mudar, não apenas os dele. Começava um caminho sem volta...

- Sempre os mesmos filmes, sempre a mesma coisa, eu venho aqui, você vai no meu apê. Já caímos na rotina, não adianta. E você sabia que isso ia acontecer! -disse ele como se não houvesse o que contra-argumentar.
- Ahh, me desculpe se tudo ficou monótono pra você, senhor "quero ficar em casa"! -respondeu- Eu te chamo pro cinema, falo pra me pegar no trabalho, invento algo diferente pra cozinhar... E você me diz que a gente caiu na rotina?.. Tem certeza que quer discutir isso?
- Minha cara... Desde o começo. Desde o começo a gente ficou de acordo, não foi? Sabíamos que um namoro comum não ia levar a nada. E era muito bom, você não pode dizer o contrário... Nos vemos de vez em quando, não dá pra enjoar do outro, não tem intimidade excessiva, não tem compromisso. Você no seu canto e eu no meu, tava tudo ótimo! Isso que se chama relação aberta.
[ela tenta interromper e ele continua]
- Mas o que acontece com o tempo?.. A gente acomoda. Mesmo a gente que não tem nada. Você sai menos com as suas amigas pra se divertir, eu desisto de sair pra conhecer alguém novo porque vou ter que te ligar pedindo pra não vir pra cá... Não tem escapatória! Acabamos dormindo cada fim de semana na casa do outro como dois namorados. Pra quê continuar com isso? As pessoas cansam umas das outras, não tem nada de errado nisso e você sabe.
[lágrimas nos olhos dela começam a aparecer]
- Você é insensível cara... Como pode?
- Você sempre soube disso -diz ele, com certa surpresa e reticência- e retoma-
Desde o começo a gente não queria se apegar. Eu avisei e você concordou... Ou talvez foi o contrário...
- Não precisa repetir o que eu disse ou deixei de dizer! Claro que eu concordei, eu não sou burra, não me trate como tal! Mas você quer levar essa vida de solteiro até quando? Não tem ambição? Não vai querer uma família como a que você teve e se distanciou? Por que tudo isso? É tão egoísta assim?? -diz ela tentando esconder os olhos úmidos-
- O que eu escolhi pra mim não tem nada a ver com nós dois...
- Tem tudo a ver! -interrompe ela- Você não percebe... Acha que pode viver assim pra sempre?..
- O que tem a ver o jeito que eu vivo minha vida?.. Qual é o objetivo dessa conversa?
Se você não sabe, eu sei. Tá mais do que claro que nosso tempo passou. A gente se dá bem, claro... Mas assim não pode continuar. Melhor cada um pro seu canto... Se você achar que a gente deve se ver, me liga daqui uns dias... Não tem outra coisa pra fazer... -sentencia ele-
- Cara, eu sabia que você era egoísta, mas você é muito complexado! -ironiza ela, secando as lágrimas- Quem te fez mal hein?.. Alguém te ignorou e agora você desconta em todo mundo ?
- Não dê uma de terapeuta agora... Vai falar coisas pra se arrepender depois?.. Pois então continua sozinha, eu to indo pra casa... -e caminha para a porta, rapidamente pegando sua jaqueta e suas chaves -
- Cara, uma hora você não vai ter mais quem te queira... Resolve o teu passado antes que não sobre mais nada. -ela finalmente se cala, após deixá-lo abrir a porta-

E ele vê a conversa terminar com um gosto amargo na garganta. Perdera a discussão. Não que valesse algo, mas ela tinha razão, e isso o desagradava. Não gostava de perder.
Saiu caminhando pelos corredores e elevadores com o olhar distante, desfocado, sem fixar em coisa alguma. Não queria pensar em nada, ela tinha razão. 'Que se dane!', pensou...


-
Observação: O número de capítulos, bem como sua ordem, poderá ser alterado conforme eu escrever... No próximo capítulo eu começo a 'ordená-los' corretamente ;]

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Engenheiros do Hawaii - 'Não consigo odiar ninguém'

Outra das 9 inéditas do disco [sim, eu gosto de chamar album de disco!] novo, "Novos Horizontes Acústico".
Letra maravilhosa, música maravilhosa!



Composição: (gessinger/fonseca/ayala/aranha/pedro a.)

não quero seduzir teu coração turista
não quero te vender o meu ponto de vista
eu tive um sonho e há muito não sonhava
lembranças do futuro que a gente imaginava
nem sempre foi assim, outro mundo é possível
pode até ser o fim mas será que é inevitável?

não vá dizer que eu estou ficando louco
só por que não consigo odiar ninguém
do goleiro ao centroavante
do juiz ao presidente
eu não consigo odiar ninguém

o tempo parou feito fotografia
amarelou tudo que não se movia
o tempo passou, claro que passaria
como passam as vontades que voltam no outro dia

não vá dizer que eu estou ficando louco
só por que não consigo odiar ninguém
do goleiro ao centroavante
do juiz ao presidente
eu não consigo odiar ninguém

eu tive um sonho, o mesmo do outro dia
lembranças do futuro que a gente merecia

não vá dizer que eu estou ficando louco
só por que não consigo odiar ninguém
do zagueiro ao centroavante
do juiz ao presidente

eu não consigo odiar ninguém

domingo, 26 de agosto de 2007

Ayumi Hamasaki- Independent

http://www.fileden.com/files/2007/3/18/900608/13-ayumi_hamasaki-independent_cyber_nation_remix_mediasian.com.ar_.mp3

letra e tradução [inglês]: http://www.animelyrics.com/jpop/hamasaki/independent.htm


[uma hora eu consigo!]

Engenheiros do Hawaii - 'Quebra-cabeça'

Eterna inspiração... Engenheiros!
CD novo, recomendo pra quem gosta de nós...



Composição: Gessinger/fonseca/ayala/aranha/pedro A.

Pode ser pra sempre

Pode não ser mais
Pode ter certeza e voltar atrás
Pode ser perfeito
Fruto da imaginação
Pode ter defeito de fabricação

Tá faltando peça no quebra-cabeça
Eu não tenho pressa
O meu tempo é todo teu
É tudo que eu posso oferecer
É pouco
Mas é tudo que eu posso oferecer
É quase nada
Mas é tudo que eu posso oferecer

Pode estar no ponto
Ponto de interrogação
Pode ser encontro ou separação
Pode correr risco
Arriscado sempre é
Só não pode o medo te paralisar

Tá faltando peça no quebra-cabeça
Eu não tenho pressa
O meu tempo é todo teu
É tudo que eu posso oferecer
É pouco
Mas é tudo que eu posso oferecer
É quase nada
Mas é tudo que eu posso oferecer
É pouco
Mas é tudo que eu tenho

Tudo que eu posso oferecer

a letra
a banda

Fôra

No começo era tudo métrica, era tudo rima
Perfeccionismo na escrita, dicionário na mão
Procurando o sinônimo mais bonito, o decassílabo mais arrebatador
As duas quadras e os dois tercetos que melhor expressassem o sentimento

Antes era tudo obrigação, era tudo motivo
Forçava-se os acontecimentos para deles discorrer
Forjava-se o impossível para dele delirar
Exibia-se o projeto com o orgulho de um troféu

Fôra noutros tempos tudo muito cômodo
Perfeitamente arranjado para depois vangloriar-se
E tomar parte da criação, fazendo-se dela causa e conseqüência

Hoje porém se comemora o rompimento com a métrica
A livre escrita sobre o que paira na cabeça a qualquer hora
E a eternização de singelos momentos nunca d'antes relevados!

T. 26/08/2007

Poeira e sangue seco

É como tentar evitar o inevitável
Acreditar que irá aproveitar o tempo
Que o relógio irá andar pra trás
Que a poeira não irá se acumular
É como acreditar que o sangue não irá derramar
Que a dor não irá doer, ou que vontade irá agüentar
Como acreditar que o sangue não irá secar
E que remover não irá machucar
É pensar que o tempo não irá passar
A poeira irá cessar
E a vida não irá mudar.

Ao fim, seremos só e apenas só
Poeira e sangue seco
E um punhado de memórias jogadas ao vento

T. 26/08/2007

Do As Infinity- 'Boukensha Tachi'

Sim, música! Esse blog precisa de música! Vou postar cada vez mais... ;]
[E entre as minhas preferidas verão muita coisa japonesa.......]



letra: http://do-as-infinity.letras.terra.com.br/letras/80714/
tradução: http://do-as-infinity.letras.terra.com.br/letras/269219/

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Rádio










[testando.. aos poucos vou aperfeiçoar!]

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Suspicious Minds

Porque essa música me lembra uma época... Diferente.
Diferente, nem de todo boa nem de todo má... Algumas lembranças, o ruído do disco tocando na vitrola, viciante. Pessoas, acontecimentos, lugares... Tudo misturado.



[saudade do ruído da vitrola...]

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Zumbis

Enquanto isto está para acontecer, as pessoas que matam o trabalho na frente do pc o dia todo lêem [acento em processo de extinção] isto abaixo:


[Não destaquei a quarta notícia porque, de qualquer forma, não deixa de ser importante...]

Sentirei falta da trema e do acento circunflexo...

domingo, 19 de agosto de 2007

'Carpe Diem' ?

Como não achei a cena que eu queria deste filme, vou fazê-la eu mesmo nos mesmos moldes de 'Edukators' para aí sim postar meu review sobre o filme. Por hora, deixo esse trecho de 'Colateral', com o personagem de Tom Cruise filosofando a respeito do carpe diem... Ótimo filme.



Vincent: Look in the mirror. Paper towels, clean cab. Limo company some day. How much you got saved?
Max: That ain't any of your business.
Vincent: Someday? Someday my dream will come? One night you will wake up and discover it never happened. It's all turned around on you. It never will. Suddenly you are old. Didn't happen, and it never will, because you were never going to do it anyway. You'll push it into memory and then zone out in your barco lounger, being hypnotized by daytime TV for the rest of your life. Don't you talk to me about murder. All it ever took was a down payment on a Lincoln town car. That girl,you can't even call that girl. What the fuck are you still doing driving a cab?

Desmemórias- capítulo 02

Ele acordou com a claridade invadindo o quarto, como se gritasse para ele que já era hora de se levantar. Sabia que era sábado, mas não conseguia lembrar como terminou a noite. Olhou para o lado e se lembrou. Dormira com uma amiga, com quem saía ocasionalmente. Ambos no auge da juventude e forma física, lá pelos vinte e cinco anos. Ele morava sozinho há pouco mais de 1 ano, e nesse tempo aprendera a se virar. Mas não era só pela companhia que saía com a amiga. Vez ou outra, quando ele não tinha muito o que fazer no fim de semana, além do trabalho que sempre restava, ele a chamava, pois era inevitável que ela viesse e não visse algo que faltava arrumar ou limpar em seu apartamento. Era cômodo, ela sabia, ele sabia, mas não falavam a respeito. Era mecânico.
Se por um lado a falta de sentimento de ambos era motivo de desconfiança entre seus amigos, ele dava de ombros. Sabia que, ainda mais quando tinha que se virar por conta própria, um relacionamento se divida em muitos outros fatores do que simplesmente os sentimentos. Mas, para todos os efeitos, eles não estavam namorando. Era algo para apenas quando não tivessem melhor companhia, se davam bem, riam juntos assistindo a um filme ou dançando num clube e não passava disso.
E ele não deixaria passar. A comodidade era confortante. O trabalho exaustivo de segunda a sexta chegava a deixá-lo sem vontade de aproveitar o fim de semana, portanto ter alguém por algumas horas ao seu lado, e sem cobranças, era algo perfeito para ele.
Quando juntos, não conversavam muito a respeito de seus passados afetivos. Até se desinteressavam sobre o assunto, tanto que não sabiam quase nada a respeito um do outro. Acordo feito ainda quando eram simples amigos, a custo de algumas bebedeiras juntos e um passo dado por ele, aproveitando-se da desculpa do álcool para dar o bote. E a falta de conhecimento sobre o outro é que mantinha o barco navegando, pois trazia a curiosidade de perguntar algo como pretexto para se verem, e quando se encontravam deixavam de lado esses assuntos tediosos para apenas se divertir, em todos os sentidos.

Ele fez o café e tomou sozinho, não queria e nem podia acordá-la, pois seu mal-humor matinal era ainda mais latente quando combinado com bebida na noite anterior...
Deixou a louça automaticamente na pia para que ela lavasse, não por egoísmo, mas por ser um gesto corriqueiro. Foi varrer e tirar pó de alguma coisa, ligando baixo o som na saleta, pegando mais um pouco de café e combinando a tentativa de limpeza com seu hábito de pegar a câmera fotográfica e procurar pela janela algo que lhe interessasse captar.
O som do obturador funcionava como seus olhos, que captavam vontades e sentimentos dos outros como poucas pessoas conseguiam. E, claro, volta e meia os usava a seu favor, como um vendedor persuasivo.
O relógio da saleta marcava 11:30. Queria ter dormido mais, porém não se lembrava a que horas de fato ele teria deitado. Pensou olhando para baixo na pequena sacada que ela teria dirigido depois de beber mais uma vez, mesmo com sua repreensão. Ele não tinha carro, ainda não pensava em ter um, e sempre que saíam deixava a tarefa pra ela, que ainda não tinha aprendido seu limite de tolerância ao álcool. Já fizera muito em largar o cigarro a seu pedido, pois detestava o cheiro que ficava no apartamento. Pesava os prós e os contras dessa 'relação', e antes mesmo de chegar a uma conclusão esquecia do assunto e resmungava sem perceber algumas palavras que sentenciavam os pensamentos.

Ao ouvi-la levantando e indo ao banheiro, aumentou um pouco o som, esquentou um pouco mais o café e encontrou-a ali mesmo no corredor. Com um beijo e uma leve prensa na parede lhe disse 'boa tarde, bela adormecida'. Ela o beliscou, retribuindo o beijo, e lhe respondeu que tentava criar coragem para sair da cama. Seguiu para a cozinha e ele deu um leve tapa no bumbum, só para ouvir de resposta o 'danado!' que ela soltava com um misto de voz rouca e um pouco de ressaca, uma combinação viciante.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Desmemórias- capítulo 20 e uns...

Apartamento. Os sofás dispostos em 'L', cada um no seu. Era frio, mas fazia sol, por isso a janela impedia o ar mas deixava a luz entrar.
Alguém na cozinha, a mãe dela lavando a louça do café, talvez pós-almoço. Talvez a louça que ele se dispôs a lavar mas não o deixaram.
A tv dizendo alguma coisa com a qual ele não se importava. Tinha os pensamentos voltados para uma única razão, concentrados na direção do seu olhar. Olhava ela, levemente encostada no sofá, puxando o cobertor até os ombros. Deixava cair o cabelo, liso e castanho, um pouco para frente.
Ele continuava a olhá-la e dizer algumas coisas rápidas, até que ela lhe respondeu com um olhar fundo, avaliador e ao mesmo tempo grato. Grata talvez por ele apenas olhá-la daquela forma. Certo era que seu brilho era transcendente a tudo.
Então chega o pai dela, seu 'talvez futuro sogro', e extasiado como estava pelo olhar dela, não ouviu seus passos, sendo pego de surpresa.
Comentam algo um com o outro, ele puxa o cobertor até os joelhos, esticando os pés sobre o tapete, e agora passa a olhar para ela com alguns intervalos, mas sem perder sua fixação.

Alva

Ela é lívida como um sorriso que arrebata
Ela é alva como a neve, macia como o algodão
Pintada como respingos de aquarela num quadro
Ela dorme como repousam os filhotes junto à mãe
Ela anda como se os quadris cantassem uma ópera
Fala como se a voz fosse uma sinfonia à luz do dia
Ela tateia como se não tivesse nenhum outro sentido
Ela respira como se o ar existisse para contemplá-la
E olha como se armas ou amores não fossem capazes de se equiparar a seu olhar.

T. 17/08/2007

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Desmemórias- prólogo

Um caminho de pedras, talvez mal iluminado. As duas mãos nos bolsos da calça, a jaqueta fechada. Tentando proteger da garoa cortante, mas não o consegue. A pé, sem mp3 player no ouvido. Na cabeça, filmes de acontecimentos de outrora e outros que nunca existiram.

Das pedras para a calçada, ao lado do canteiro de flores que se abrem no outono. Poucas pessoas por ali, bancos de praça, apenas alguns casais. Uma música calma toca bem distante. Os que ali estão acompanhados não se importam com o vento e a chuva.

Os filmes se acentuam na cabeça. O destino está mais próximo, e isso é motivo de mais apreensão do que felicidade. Parece que os dias estão contados, ele quer tentar uma sobrevida. Mãos fora do bolso sacam o celular, avisando que está para chegar. Leve discussão, ele logo desliga e aperta o passo. Tenta não levar as mãos aos olhos porque não quer lacrimejá-los mais.

Se pergunta se não faltou dizer algo, até ali. Os ônibus cortam-lhe os pensamentos passando feito flechas na avenida. Ele olha as horas. Largou mais uma noite de estudos para ir até lá. Tem que acordar cedo. Quer sumir. Com ela.

Ele interrompe o jantar. Consegue cinco minutos para tentar se explicar. Não parece adiantar, ela está irredutível. Ele já não sabe mais perguntar nada além de 'por que?'
Ela lhe diz que tem que ser assim.
Ele se dá por vencido, forçado pelas circunstâncias. Vai embora pelo mesmo caminho, agora olhando apenas para baixo. Não sabe mais no que pensar. Só conta as horas para tentar outra chance de vê-la, na desculpa de apenas conversar...

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Urbanos pero no mucho inteligentes

Padrões de beleza questionáveis. Amizades eufóricas como uma noite na balada mais agitada e barulhenta. Dinheiro que não é problema. Casais se formando às dúzias. Egocentria, egoísmo, falsas sensações de felicidade, segurança, paixonite aguda e até mesmo amizade. Tudo isso me dá medo. E pena, muita pena.

Pintam os quadros de si próprios como fossem Monet ou Van Gogh. Se colocam inatingíveis, nas alturas, num padrão de vida ilusório e consumista.
Que nojo... Asco de pessoas com as quais eu convivi até bem pouco tempo.

Transformam-se em fantoches mais preocupados com o que o dinheiro pode trazer.
Hoje durmo com repulsa, mas um dia toda essa 'segurança' cairá por terra.
E nesse dia serei eu que darei risadas, essas de fato felizes, por provar que os castelos de areia são frágeis e a beleza é só torpor. Um plano impostor...

Review 'The Edukators'

Die Fetten Jahre sind vorbei, 2004. De Hans Weingartner, diretor de apenas 36 anos.
Conta ainda no elenco com o casal Daniel Brühl [Adeus, Lênin!] e Julia Jentsch [Uma mulher contra Hitler- Os últimos dias de Sophie Scholl]

Daqueles filmes que não perdem tempo dizendo que tudo está errado, que tudo é uma merda, que o Sistema Capitalista é opressor e coisas do tipo, sem apresentar conclusão ou debate sobre o tema.
Não, 'Edukators' vai muito além, ele só apresenta seus argumentos -muito verdadeiros- e deixa para quem o assiste a reflexão ou o sentimento de mudança, se este o quiser.

É um filme brilhante, para assistir sempre e lembrar de que nós mesmos podemos perder o foco ao longo do tempo. Passamos a nos acomodar com as coisas que o dinheiro pode trazer, e passamos a querer mais dinheiro porque ele é sinônimo de conforto e felicidade.
Mas não é simples assim.

Enfim, aqueles que se sentirem ofendidos com os trechos do filme que postarei a seguir, podem ficar tranqüilos nas suas poltronas comendo seus fast-foods e assistindo a tv letargicamente. Eu não vou criticá-los, mesmo porque nem todos têm as células revolucionárias bem desenvolvidas dentro de si. Já eu, parafraseando o personagem Jan, digo que ultimamente minhas células revolucionárias estão cada vez mais intensas, e que muito em breve eu serei um misto de 'Edukator' e membro do Clube da Luta. E eu levarei adiante o meu próprio 'Projeto Caos'.

Nada farei para chamar a atenção... Com o passar dos tempos vamos adquirindo mais noção sobre o nosso papel na sociedade. O meu vai ser chamar a atenção, não hoje, mas amanhã.
E todos nós podemos ser lembrados. Basta botar nossas células revolucionárias para se mexer.

E aconselho os seguintes links para complementar: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/educadores/educadores.htm

http://www.atalantafilmes.pt/2005/osedukadores/entrev_hans.htm [extraído de http://www.atalantafilmes.pt/2005/osedukadores/osedukadores.htm ]


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[Só peço desculpas pela qualidade do vídeo. Gravei assim porque não cabia tudo na câmera e eu só queria mesmo anotar esse trecho, que não achei em nenhum lugar. Caso não dê pra ver vá logo alugar o filme!]

Transcrição: Jule: Quantas horas você trabalha por dia?

Hardenberg: Cerca de 13 ou 14 horas.

Jule: E o que faz com tanto dinheiro?
Você coleciona coisas. Coisas grandes e caras. Muitos carros, uma mansão, o seu iate... Coisas que mostram que é um macho alfa.
Não vejo outro motivo. Nem tem tempo para usufruir do seu iate. A pergunta é: por que sempre quer mais?

Hardenberg: Vivemos em uma democracia. Não preciso justificar coisas pelas quais eu paguei.

Jan: Errado, vivemos em uma ditadura capitalista. Você roubou tudo o que possui.

Hardenberg: Posso me dar a certos luxos porque sempre trabalhei duro. Porque tive as idéias certas nas horas certas.
E, além disso, eu não sou o único...

Jule: Besteira!

Hardenberg: Muitos têm essa chance, eles só não aproveitam.

Jule: Então você é um batalhador...
Na Ásia também há pessoas que trabalham 14 horas por dia, mas elas não têm mansões e só recebem 30 euros por mês. Acredito que elas também tenham idéias fantásticas mas não têm dinheiro para ir até a cidade vizinha...

Hardenberg: Sinto muito por eu não ter nascido na Ásia.

Jule: Pode ser, mas poderia ajudar a melhorar a vida por lá. Os países ricos poderiam perdoar as dívidas, são apenas 0,01% do PIB, que poderiam sumir!

Hardenberg: Porque a Economia mundial entraria em colapso.

Jule: Porque querem que continuem pobres!
É o único motivo, assim podem controlá-los. Forçá-los a vender os produtos por preços mínimos.

Hardenberg: O que você entende disso?

Jan: Pelo mesmo motivo, não perdoou a dívida dela...

Hardenberg: Isso é absurdo...

Jan: Não, é a regra básica do sistema: exaurir as forças das pessoas até o limite para que elas não pensem em reagir.

Hardenberg: Isso não é verdade. É claro que muitas dessas coisas podem ser melhoradas. Proteção ambiental, aumentar os preços dos produtores, mas o sistema nunca vai mudar.

Jan: E por que não?

Hardenberg: Por que?..

Jan: É, por que?

Hardenberg: Porque é da natureza humana querer superar o outro. Porque todo grupo elege um líder depois de algum tempo.
E a maioria só é feliz quando pode comprar algo novo.

Jan: Feliz? Acha que as pessoas são felizes Hardenberg?
Dê uma olhada! Saia do carro e olhe as ruas! Alguém parece feliz ou parecem animais acuados?
Olhe nas salas de estar, todos apáticos grudados na TV. Ouvindo zumbis falando sobre a felicidade perdida.
Dirija até a cidade. Verá toda a imundície e a superpopulação. O povo nas lojas, parecem robôs subindo e descendo as escadas rolantes. Todos são desconhecidos e todos acham que estão perto da felicidade, mas ela é inalcançável porque a roubaram deles.
É assim que funciona, e você sabe disso, Hardenberg.

Mas eu tenho uma novidade, Sr. Executivo: a máquina esquentou demais. Somos os precursores, mas a sua era vai acabar logo. Se acomodaram com a sua tecnologia, mas os outros estão com ódio. O ódio de crianças na favela que assistem filmes americanos. E isso é só um lado, o que acontece aqui?
As doenças mentais estão aumentando, mais assasinos em série. Almas perturbadas, violência gratuita. Não vão conseguir sedá-los com a TV e compras para sempre. E os antidepressivos também vão parar de funcionar. As pessoas estão de saco cheio da droga do sistema...

Hardenberg: Eu admito que esteja certo sobre algumas coisas mas pegou o bode expiatório errado. Eu posso ter entrado no jogo, mas não o inventei.

Peter: O inventor da arma não importa, importa quem puxa o gatilho.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O super-HD

Esta lá no sub-consciente, como um hd que perdeu dados depois de uma formatação, mas ainda os têm gravados porque não é possível apagar algo em definitivo. Memórias quase secretas, que acham sua brecha quando o corpo repousa. Saem, passam seu recado e retornam pro hd. E nos deixa o ponto de interrogação na testa quando acordamos. Por que aquilo apareceu? Por que sonhei isso?

É incrível o fato de conhecer cada vez mais sobre tudo. Incrível, e ainda um pouco assustador. Claro, porque dar um passo no escuro é um tanto assustador.
Então, eventualmente, os dados e memórias do hd ainda aparecem para atormentar, ou para simplesmente avisarem 'eu existo, você não vai conseguir me deletar, aceite'. E temos que aceitar, ou então os dados se rebelam, passam a fazer com que você sonhe coisas ilícitas, se drogue nos seus próprios sonhos, cometa delitos e coisas do tipo. É culpa do id, maldito!

Melhor não falar mal dele...

Mas então, aquelas coisas que você fala que esqueceu, que superou, que tocou em frente. Claro, pode muito ser bem verdade, mas elas estão ali, e não sairão. E quanto mais se empurra-as pra fora, mais pra fundo elas vão, aí ferrou.
Em alguns casos, pessoas associam músicas a pessoas. Outras pessoas associam épocas a pessoas. E algumas outras pessoas associam cheiros, cores e outros tipos de lembranças e sensações a outras pessoas, e tudo isso se manifesta naqueles sonhos 'mais bizarros' que temos, que todos têm!

No caso deste singelo narrador, a cor azul o persegue!
Por que acham que tenho mil e um motivos pra gostar de verde?...